sexta-feira, 13 de outubro de 2006

A Roupa Número Zero - por Jamill Barbosa Ferreira

Muita gente aposta que a ditadura da magreza está com dias contados. Eu não acho que seja assim, mesmo porque a magreza nas modelos de passarela, por exemplo, é ideal para o trabalho delas, para entrarem nas roupas, para a apresentação da moda na prática, mostrando o efeito dos tecidos, dando movimento à roupa. A modelo vende a moda para o público, e o público tem de entender que, num desfile, é a roupa que deve chamar a atenção, nunca o biótipo das manequins. Mas, antes de decidir entrar nessa profissão, a modelo de passarela tem de ter naturalmente esse tipo de corpo, ou ela não terá trabalho. Muitas são as grifes que trabalham com números diferentes, uns servem e outros não, e a modelo de passarela tem de estar pronta para o trabalho, então há uma media exigida pelos profissionais especializados no preparo das modelos, com relação às medidas físicas ideais para o trabalho. Mas tudo com saúde. Ela não agüentaria o pique dos desfiles se tivesse de submeter-se a dietas mirabolantes. Tudo tem um limite e com relação às clientes, nas entrelinhas, não é a cliente que deve entrar na roupa, mas sim, a roupa deve entra na cliente. Claro que apoio ir num médico, ver como está a questão do peso e entrar na sua medida certa, mas nada de exagero senão vira um descontrole e você pára de viver, tudo em função de uma moda que por não ter mais o que inventar, vive mudando o tempo todo de um extremo para o outro na busca desenfreada por surpreender, causar impacto.
Há algum tempo algumas grifes apresentam o ‘número zero’, que corresponde ao ‘34’. Quando conheci fiquei impressionado, porque é praticamente uma peça infantil. Não há nada de errado se a pessoa tem naturalmente esse tipo de corpo, mas é medonho imaginar que entrar no número zero se transforme num objetivo de vida, baseado em regimes e numa mentalidade ‘fashion-victim’ de muito mau-gosto numa atualidade inteligente. Para completar o embalo, há ainda dois números menores que o zero. Muitos consideram elegante a pessoa magra, mas é importante dizer que a elegância não é uma questão de estar ou deixar de estar. A pessoa ‘É’ elegante ou não. A elegância é questão de temperamento. Claro que com esforço e perseverança qualquer pessoa aprende, mas nunca a roupa usada terá essa função principal. Uma mulher elegante, ela expressa elegância usando alta costura ou trapos. Uma roupa pode cair bem numa pessoa magra, mas elegância é outra coisa. Voltando à questão do biótipo, mesmo a pessoa gorda, com os infinitos recursos da moda, pode usar vários modelos de roupa com a mesma perfeição e esses recursos não são exclusividades para pessoas gordas, é para todo mundo porque a moda tem a obrigação de se adequar à cliente: detalhe no decote que distrai a atenção do volume no abdome, cortes retos que ajudam, e para quem tem 'muito' seio um decote em V que diminui, ou decote fechado para aumentar seio, enfim, são milhares de recursos. Então, essa idéia de emagrecer porque no desfile a modelo está magra, isso não pode. “Esse vestido fica bem nela, mas não em mim”, dizem muitas mulheres. Por isso você vai fazer regime, cirurgias plásticas, tudo para entrar num vestido? Eu acho que a vida é muito curta para ser entregue nas mãos de modismos que vêm e vão com uma velocidade tão grande que no final das contas o que vale mesmo é perceber que a moda não existe para ditar regras: você cria o seu estilo através da moda e não a moda que cria você.

Por Jamill, para:
Casa Magrella – Brasília
Personal Stylist – São Paulo

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Decotes, Transparências e Fendas - II

Eu sempre gostei de transparências na moda. Eu gosto da moda que permanece e, nesse sentido, um bom exemplo é Yves Saint Laurent que apresentou seu primeiro smoking feminino com uma blusa transparente de musselina preta – até hoje permanece. E não era só a musselina na alta costura, eram lingeries muito antes da Madonna, fendas, saias de franjas finas, decotes enormes com laçarotes. Uma época que rendia à sensualidade o rótulo de luxo, rótulo esse que vem se perdendo com o tempo devido à desinformação, à banalização. Todos os grandes nomes da moda, da alta moda, apresentavam transparências, fendas e decotes em suas criações. Tudo isso continua sendo criado e usado por uns da maneira mais bonita, por outros com atmosfera de nudismo. Não há nada de errado nessa moda que valoriza o nudismo, para quem gosta; mas o mundo exige que nos adaptemos a tudo e que estejamos de acordo com mil acontecimentos: cerimônias, festas, trabalho e dia-a-dia. A dosagem exata dita o bom gosto pessoal. Então, é importante que esses recursos sejam usados de acordo com a sua necessidade, dependendo da sua imagem exterior – da sua intenção. Decotes atraem atenção para a parte de cima do corpo, recurso excelente para disfarçar um detalhe que você não goste no abdômen: gordura localizada, barriga. Digamos que haja um casamento, então o decote já não poderá ser mostrado, mas você pode usar uma echarpe bem bonita num tom mais claro que o vestido para cobrir o decote durante a cerimônia e o efeito será o mesmo. As transparências também ajudam nessa questão. As fendas têm a ‘intenção’ sexy – meias, sempre. É muito bonito perceber quando uma pessoa consegue usar exatamente o que lhe fica bem, o que realça sua beleza natural e também o que pode melhorar o que pessoalmente a incomoda. Daí, o auto-estilo manifesta-se em primeiro lugar na imagem exterior recriada, na roupa, acessórios, cabelo, enfim, na composição da figura. E cada um deve aprender tudo que melhor combina com si próprio e ter verdadeiramente grande carinho e admiração por esse todo que forma a própria personalidade, refletindo na moda seu temperamento, seu ritmo na vida. Esse aspecto da sensualidade na moda tem reflexos sociais. Revela, talvez, a desconfiança (e desrespeito) da pessoa civilizada pelo ambiente que a cerca, estando mais provocante, indo contra uma cultura envernizada, de superfície. Depende muito da forma como você enxerga os grupos, o seu grupo. Em resumo, a sensualidade na moda é um tipo de ‘liberdade’ pelo narcisismo, mas tudo tem limite. Se extrapolar e deixar cair na banalidade como se vê atualmente, todo o glamour, a beleza e a elegância, tudo isso que vem desde os grandes costureiros e que deveria permanecer, vai se transformando aos poucos numa moda de nudismo.

Por Jamill Barbosa Ferreira, para Brasília.

Decotes, Transparências e Fendas - I

Atualmente, na moda, a atmosfera da sensualidade é constante nas ofertas; e embora toda criação tenha sido muito cuidada, muitas peças estão ‘fugindo’ do motivo certo na hora de usar. Nada é feito com leviandade: nem os decotes, nem as transparências, nem as fendas. Tudo que se faz é válido. O problema está no uso, pois a maioria esquece das questões protocolares, deixando passar e valer cada vez mais essa mania generalizada pela banalização, que vem afetando tudo. Mas, sempre há um jeito, principalmente porque não é difícil, só precisa ser dito. Tudo começa a dar certo quando há a compreensão da roupa, dos acessórios.
Pouca gente sabe, por exemplo, que a echarpe tem uma função verdadeiramente importante na roupa, além de adornar. E atualmente tenho visto muitos erros não de uso, mas de momento: em casamento religioso, por exemplo, uma madrinha com grande decote e echarpe pelas costas, descendo nos braços pela frente – decote totalmente exposto durante a cerimônia. Claro que noutra situação não haveria problema no uso da echarpe como adorno, mas naquele instante a echarpe deveria estar cobrindo o decote.
Decote não combina com casamento, se o vestido é decotado a echarpe entra como acessório indispensável durante a cerimônia religiosa. À sua moda, você usará a echarpe para cobrir o decote. Terminou a cerimônia, mostre então o decote na recepção. A partir daí, são várias as possibilidades, mudando de acordo com sua intuição, com o clima e com a atmosfera da festa: um xale moderno, um casaquinho de renda, etc. Com todas essas possibilidades, um único vestido toma várias formas: num momento será usado com echarpe, noutro com um xale ou um casaquinho, faixa na cintura, blazer. A criatividade depende de você. Ninguém precisa abarrotar um armário de roupas, claro que quem quer, pode e abarrota mesmo. Mas, a quantidade, para estar bem-vestida, geralmente confunde. Não há nada de errado em fazer o seu estilo sensual, desde que no estilo você sempre se valorize respeitando protocolos. Isso é muito inteligente. Mais inteligente ainda é mostrar através da roupa sua total e natural capacidade de dosar a sensualidade sem deixar cair no rótulo de nudismo. A pessoa vaidosa e inteligente tem muitas vantagens na moda, sobretudo com a disciplina, pois a preocupação constante com o estilo e com sua imagem exterior pode ser um rótulo de narcisismo, mas é absolutamente essencial para a vida, para o mundo e para a moda.

Por Jamill Barbosa Ferreira, para Brasília.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Princess Diana... 9 years have passed...


31. august 1997...9 years have passed and you're still on everyones' mind. Diana is not physically present but she is still alive in our hearts and in our thoughts.
We'll love forever!
Rest In Peace Princess Diana!!!

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Casa Magrella - Brasília | Verão 2007

Marinha é o tema das ofertas de verão da Casa Magrella para 2007. Independente do tema, a Casa Magrella apresenta uma moda sempre adaptável de acordo com a vontade e necessidade dos clientes que, por sua vez, anseiam pelas novidades. Antes da impressão visual, é importante dar atenção para os modernos recursos aplicados nos tecidos, para diferenciação de modelos aparentemente já apresentados em passarelas passadas – o que visualmente é verdade, em alguns casos, mas tecnicamente há o conforto que aumenta e mil outras vantagens nas recriações.
No verão, a moda praia praticamente toma conta das passarelas, e a primeira impressão nos desfiles é que os trajes acabam desfavorecendo determinados tipos físicos. Isso não impede que a pessoa gorda ou magra esteja com toques de modismo: novos comprimentos, cortes, modelos. A Casa Magrella tem todo esse cuidadoso trabalho na escolha, na produção e apresentação das ofertas, isso facilita muito para os clientes que cada vez mais precisam de qualidade aliada a muita praticidade. A questão das cores não é dominante, libertando o consumidor da idéia de que é preciso haver e obedecer às regras; tudo pode ser reestruturado, como os próprios criadores de moda fazem. O consumidor conseguirá facilmente desenvolver seu próprio estilo a partir de toda a produção apresentada pela Casa Magrella para o verão de 2007. Na loja, há a facilidade de perceber na oferta de verão, que não apenas apresenta resultados subjetivamente efêmeros e típicos da moda de passarela, mas sim, a loja mostra o máximo que pode ser aprendido e apreendido para o estilo através de sua profusão de ofertas pelo melhor meio: a qualidade aliada à contemplação que permanece e poderá ser novamente usada em outros verões. Porque a Casa Magrella não se preocupa apenas em oferecer, mas também com a sua escolha. Assim, a cliente Magrella, cada vez mais informada com a evolução dos tecidos e formas, prepara à sua moda, o estilo que melhor lhe serve, de modo que há sensação de conforto, confiança no visual e na durabilidade – isso resulta na satisfação. Na Casa Magrella, o verão 2007 chega com força total no estilo aparente e se estabelece na certeza da qualidade e dos motivos da moda; dessa forma, os clientes que, em parte, sempre são condicionados pela quantidade de ofertas apresentadas nas passarelas dos maiores eventos de moda, ficam satisfeitos porque a partir das ofertas da Casa Magrella, passam a ver no meio de tantas idéias da moda, o que o bom gosto da loja lhes ensina a ver e a perceber em cada detalhe, e não apenas o que estava diante dos olhos nas publicações, nas seqüências de desfiles.
É assim que funciona a Casa Magrella, e é esse o ritmo de apresentação das ofertas. Que os clientes Magrella sejam bem-vindos e usufruam do verão 2007 com todas essas vantagens.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Zuzu Angel no Cinema - Por Jamill Barbosa Ferreira

O assunto do momento, em cinema, é o filme que homenageia Zuzu Angel. Ela merece filmes, livros e muitos outros registros e méritos. Não adianta esforço para perceber na atual moda brasileira um ar de novidade, porque tudo isso a Zuzu Angel já fez. Suas criações vestidas hoje ou amanhã, sempre serão atuais porque sua moda era feita com arte, e a arte verdadeira não tem fim. Percebo dois momentos na moda de Zuzu Angel: 'glamour' e 'dor'. O glamour pelo reconhecimento do seu talento e a dor pelas pesadas injustiças.
O primeiro momento marca sua vida repleta de moda, de amigos no seu elegante grupo, amigos na política, cinema. Fora do Brasil sua moda foi aceita na hora... Joan Crawford e Kim Novak, por exemplo, vestiam e aplaudiam Zuzu Angel, que foi a primeira estilista brasileira com espaço no exterior.
A moda do segundo momento é heterogênea como seu espírito, tumultuado pela revolta com as injustiças e transformações, mas sempre com equilíbrio, com coerência. Passa das lições de estilo para uma profunda leitura de sua própria humanidade. E sem nunca esmagar sua força e seu espírito de mãe, expressa a verdade mais profunda através de suas criações: anjos feridos, figuras tristes e armas. Em sua moda surgiram e permanecem momentos de estupefação e tristeza. A expressão de sua força, de um forte exemplo de humanidade. A moda de Zuzu Angel, desde o começo, não reflete apenas um estilo visual e usável, mas tem características próprias que marcam sua presença ontem, hoje e sempre. Arte, força e exemplo. Zuzu Angel vive! Vive na arte de sua moda, na música de Chico Buarque, nos filmes, livros, registros, méritos e no exemplo de força e verdade, pois foi verdadeira com ela mesma, com os outros e com a moda.

Ilustração: fotografia Zuzu Angel (www.uva.br).

domingo, 23 de julho de 2006

Comportamento & Moda - Moda e Deslumbramento

Seguir modismos é a atividade predileta da maioria dos grupos; por isso, essas pessoas acabam pagando um preço bem alto: além de ser muito complicado acompanhar e consumir de tudo, toda a incessante vontade de “estar na moda” interfere muito no estilo próprio de quem decide viver assim. O resultado é uma pessoa cada vez mais deslumbrada, que perde o sentido de quantidade e qualidade; então, tudo vira uma misturada descontrolada, que não é nada bonito e que não é bom. Essa pessoa é chamada de “fashion victim”. Tente imaginar quanto tempo e dinheiro as fashion victims perdem abarrotando armários com tudo o que é vendido como 'novidade'; uma mania desenfreada de vestir tudo o que é apresentado nesse ou naquele desfile... Ou o que está na capa da revista. imaginou? Tudo isso poderia e deveria ser usado de outra forma: bastaria analisar o próprio corpo, o ritmo de vida e, sobretudo, enxergar e reconhecer a importância do estilo próprio na vida pessoal, social, profissional... Não há nada de errado em não ter o conhecimento necessário sobre moda, o errado está em não buscar entender que a grande oferta de moda precisa ser adaptada. Não há obrigação nenhuma de substituir todo seu armário cada vez que muda estação. E também não há nada de errado em repetir roupas e sapatos – no mundo inteiro as pessoas repetem, por isso vem a importância da qualidade na moda. O que vejo muito é toda essa enxurrada de propagandas em televisão e revistas, muita gente deslumbrada fazendo esforço enorme para seguir tudo o que aparece - até as medidas físicas da modelo da campanha. A pessoa deslumbrada vive em função de tudo que é publicado e mostrado na televisão. Então, muda cabelo e faz plástica porque duas ou três pessoas apontam isso e aquilo. Há ainda outro grupo, mais radical, que faz de tudo para adquirir a aparência física da modelo da revista ou a atriz de televisão, submetendo seus corpos a mudanças violentas: dietas malucas sem nenhum acompanhamento médico e fazendo esforço gigante para comprar tudo que a modelo ou atriz está usando. É tudo uma grande ilusão, uma fantasia que só afasta a pessoa do que realmente ela precisa para estar mais bonita e bem vestida. Cada pessoa é bonita de uma forma particular e pode melhorar muito; para isso não precisa seguir rigorosamente a moda, basta adaptar, combinar e aprender com a moda. Não há nada de errado em querer mudar, mas tudo precisa ser bem pensado. A disciplina é uma arma forte para vida e para o estilo. É preciso saber diferenciar desfile comercial, desfile profissional, da moda que será usada no cotidiano. A moda é feita para todas as pessoas, tudo o que há na moda pode e deve ser usado pela vida toda, depende muito da necessidade de cada um. Gordos, magros, altos, baixos, seja como for, há sempre um jeito, uma saída para a intenção e necessidade de cada pessoa. É preciso melhorar o que a moda terá para sempre de melhor, e tanta coisa já foi feita, e é tudo insubstituível. Os desfiles comerciais estão cada vez mais temáticos, teatrais. É muito bonito, sim é, mas a moda precisa ser cuidadosamente analisada em cada desfile; todo o show montado e apresentado ao redor da coleção é apenas a moldura do que realmente interessa. Claro que a música é importante, as luzes, as modelos famosas... Mas, desfile de moda é para o espectador conhecer, analisar e comprar qualidade e garantia de uso freqüente, que representa a marca. Porque, moda tem de ter muita qualidade e se não é eterna, já diz tudo: não permanece. Entender isso já é um bom começo para que você faça as escolhas certas e vista-se melhor. Agora, ser elegante, isso é mais complicado. A elegância começa em casa, está no cotidiano, em cada espaço da vida pessoal e social – no conviver. Não é obrigação, elegância é virtude do temperamento. E se você não pode mudar o seu temperamento, a sua personalidade pode e deve ser aperfeiçoada com conhecimentos sobre estilo, comportamento. Tudo depende de disciplina. Tudo depende de você querer dar o primeiro passo.

Contato: jamillbarbosaferreira@hotmail.com

terça-feira, 18 de julho de 2006

Passarelas, Modismos e Vida Real – Por Jamill Barbosa Ferreira

Muito se fala dos modismos e de elegância. No Brasil, há assuntos mais urgentes: fome e educação, por exemplo. Essa é a saída para que culpados não sejam apontados pela falta de registros sobre pessoas importantes na moda e/ou que foram referenciais. É penoso esse esquecimento. Quem hoje sabe dizer quem foi Regina Rosemburg Lecléry? Poucos sabem responder: Regina Lecléry foi uma mulher linda, elegante e seguia carreira de atriz quando foi vítima, na década de 70, da tragédia da Varig em Paris. Poucos se importam com registros de exemplos para a vida diária: pela elegância, o bem vestir. Como fazer permanecer dessa forma? Tudo passa com rapidez, com a mesma ‘facilidade’ e velocidade com que a moda está sendo recebida e entendida de maneira errada. As pessoas têm pressa inexplicável para tudo. Mas, para compreender o hoje, é indispensável perceber o começo, valorizar o ontem. A moda era outra até o fim dos anos 90, havia alguma mudança porque grifes já estavam fechando ou mudando de mão, mas, as mudanças não eram tão visíveis como hoje. Nas passarelas de hoje, a impressão visual é que tudo está sendo criado rapidamente, apenas como registro da participação do fashion-designer. No geral, as pessoas acabam dando mais atenção ao elenco de modelos e menos à roupa. E quando a coleção é visualmente uma expressão de arte, causa estranheza generalizada. Tecnicamente, o acabamento é ótimo, a criatividade também. Muita gente reclama e fala que ‘não é usável’; isso acontece porque a moda se multiplica rápida e vorazmente no mesmo ritmo das pessoas, mas não explica os motivos de quando é arte ou coisa do tempo. A velocidade na ‘evolução’ confunde o consumidor. São muitos elementos misturados: produções cinematográficas nas salas de desfiles, luzes, som, tudo novo, o ritmo da música é outro, o caminhar das manequins também, a estrutura das roupas, os tecidos são tecnológicos, há muita linguagem gestual, há muito teatro, representação, manifestação política. Isso tudo é muito moderno. Mas, a praticidade, o bem vestir de hoje, tudo isso está no conhecimento do passado. Independente da estação, todas as cores podem ser usadas, o que muda é o tecido que fica mais leve no verão e mais espesso no inverno – não é porque um desfile apresenta branco que outras cores não serão usadas, essa é a visão do estilista que é tão humano quanto você, e você pode tomar decisões próprias. Você deve procurar em toda essa profusão de sugestões, os elementos que atendem às suas necessidades no trabalho, em casa, na vida social e criar o seu estilo. A moda tem obrigação de ser adaptada de acordo com a pessoa, porque moda é sugestão. As escolhas são suas, não há regras. O que deve permanecer é o respeito às questões protocolares, que é o momento onde se une o comportamento à moda; por exemplo: não usar decote em igreja. Claro que se você quiser, por qualquer motivo, você usará um decote grande numa cerimônia religiosa, você vai estar ‘criando’ uma nova moda de usar decote, mas, onde está a elegância quando se quebra protocolo, onde está a elegância no desrespeito e na falta de educação? Moda e elegância complementam-se, mas não são a mesma coisa. A moda está diretamente ligada à sua personalidade, enquanto a elegância é parte de seu temperamento. Faça as escolhas certas, respeite a moda já estabelecida, o clássico, e procure consumir mais qualidade que quantidade. A qualidade e o conhecimento da roupa garantem que um vestido comprado nos seus 20 anos tenha a mesma perfeição quando resolver usá-lo em qualquer época da sua vida. Moda não é regra, é sugestão. Escolha bem.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Cleuza Ferreira & Casa Magrella: Luxo em Brasília - Por Jamill Barbosa Ferreira



Em 1970, Cleuza Ferreira, apaixonada por moda, abriu sua loja 'Milonga'. Surge entre a empresária e a moda um entendimento intenso que resultou e permanece num projeto ainda mais sofisticado, a apoteótica e respeitada Casa Magrella – referência do chique em Brasília. Das lojas mais sofisticadas do Brasil, com estrutura internacional, a Casa Magrella é sempre citada nas importantes publicações especializadas – a mulher mais elegante do Brasil e das dez mais elegantes do planeta, Carmen Mayrink Veiga, também publicou elogios sobre a Casa Magrella. Não há como resistir ao bom gosto. Antes de ser o luxo aparente aos clientes, a Casa Magrella tem muito da refinadíssima humanidade de Cleuza e ali ela descobre e redescobre a moda à sua maneira. Para a Cleuza Ferreira mulher, com seu espírito abarrotado de bom gosto, a Casa Magrella com toda sua lista de grifes nacionais e internacionais, é a hospedagem mais gratificante para a moda na Capital Federal. Na impressionante loja tudo é cuidadosamente organizado. Alguns toques de prata, cristais, brilhos. Espelhos. Sobrenomes fortes, políticos e empresários circulam nos salões da Casa Magrella e compõem a lista de clientes. Para Cleuza e suas clientes, a multimarcas representa, na moda brasileira, a possibilidade de expressar suas emoções mais íntimas, sem qualquer intenção exterior – assim mesmo, o impacto visual é deslumbrante. Essa interpretação muito pessoal do luxo e da moda na estrutura da loja, é extremamente reveladora da empresária, sempre preocupada com as bases de composição de sua própria imagem, regulando os elementos formadores de sua simbologia. Como seu estilo que traz sempre sua marca registrada, também a Casa Magrella apresenta na composição geral, a atmosfera inconfundível da presença de Cleuza Ferreira. Sua maior lição é que a percepção do bem vestir, da moda, não é atingida através de repreensões exclamativas, mas sim, em ofício do conhecimento reflexivo – do autoconhecimento.

terça-feira, 11 de julho de 2006

ALTA COSTURA - Dener Pamplona de Abreu - 'Alta Costura Brasileira'

Dener Pamplona de Abreu (1936-1978) nasceu em Belém do Pará, ainda garoto mudou-se para o Rio de Janeiro com a família e tornou-se o ícone da moda sofisticada no Brasil, a "alta costura brasileira".

Dener fez, à sua maneira, no Brasil, uma moda que só era feita na Europa: a moda exclusiva, sob-medida. Seu bom gosto e principalmente seu temperamento deram-lhe fama, glória imortal. Era elegante, criativo, fotogênico, extravagante, tinha tino comercia, sabia onde pisava, vivia uma fantasia natural que impressionava, amava o luxo e personificou com fantasia e realidade um admirável estilo próprio de ser e criar moda. Sua vida foi rápida, mas cheia de grandes acontecimentos: com 12 anos já trabalhava na Casa Canadá, no Rio de Janeiro. E não parou. Até hoje, décadas após sua morte, suas criações continuam sendo usadas, lembradas e comentadas com o mesmo charme.

Dener desenvolveu uma moda altamente qualificada e jamais esperou algo de alguém, não porque fosse contra outros estilistas ou contra tendências, mas porque sabia como criar, sabia expressar em moda a personalidade de sua cliente e assim ficar no centro das atenções e o centro das atenções da alta costura brasileira, desde o começo, é Dener Pamplona de Abreu.

Admirador de Balenciaga, suas criações eram clássicas, elegantes. Foi profissionalmente apoiado pela chique Maria Augusta Dias Teixeira. Vestiu mulheres como Maria Teresa Goulart. Casou-se, foi pai. Entrou para a televisão: foi jurado no programa do Flávio Cavalcanti e seu sucesso não parava de aumentar. Era cada vez mais adorado, as pessoas gostavam de ver e admirar a figura de Dener, que vivia uma realidade de extravagâncias e luxos como, por exemplo, quando comentava sobre seus banhos de leite, ou simplesmente quando tinha de avaliar um(a) participante como jurado e atraía todas as atenções quando rotulava, merecidamente, uma participante de: "é um luxo!".

Dener Pamplona de Abreu foi sucesso como fashion designer, como jurado, como pessoa. O seu nome foi marcado na história da alta moda brasileira porque ele se mostrou à altura dos principais nomes da alta costura francesa, como Christian Dior, por exemplo, que chegou a concorrer com Dener num concurso. O brasileiro ganhou o concurso. Após a morte de Dior, Dener teria sido convidado para assumir seu lugar, mas não aceitou.

O Brasil tem muitos talentos atuais da moda, mas a probabilidade de encontrar alguém que tenha o dom da criação da moda eterna, a alta moda, como Dener, é mínima, mas a esperança mantém a onda de novos eventos de moda, novos fashion designers. No meio desse turbilhão de novidades que surgem, acabamos nos acostumando com a idéia de que nada será novamente como antes. O mundo de Dener acabou, mas suas criações permanecem inspirando novos estilistas, encantando as mulheres que as vestem e marcando o máximo da alta costura brasileira.
Dener vestia as mulheres da alta sociedade e transmitia para o povo um estilo peculiar de viver luxuosamente, não de possuir o luxo, mas de ser uma pessoa luxo. Para suas clientes ensinou que o importante não é só o que você veste, mas como veste e porque veste. Porque ser elegante, ser um luxo, não é questão de roupa, é questão de temperamento. Dener Pamplona de Abreu, para sempre uma grife

quarta-feira, 15 de março de 2006

ALTA COSTURA - SEMPRE YVES SAINT LAURENT

Yves Saint Laurent (1936) é uma marca eterna da alta costura internacional. Foi assistente de Christian Dior. Após a morte de Dior, no auge da carreira em 1957, Saint Laurent assumiu a maison Dior e mais tarde criou sua própria grife. Com semblante sempre calmo, tranqüilo, sensível, tímido e envergonhado até, ele apresentava seus desfiles no salão do Hotel Intercontinental, em Paris, decorado com flores que mudavam de acordo com sua inspiração. As criações, magníficas e elegantes, tinham muito da sua própria humanidade: tudo clássico, elegante, chique. Sua alta costura vestiu realezas e jet setters internacionais, como a nossa brasileira Carmen Mayrink Veiga.

Tornou-se um sucesso em todo o planeta: foram mais de 70 coleções e inúmeros produtos com sua grife. E são muitas as curiosidades. Em 1968, por exemplo, a pedido da Vogue ele criou a saharienne (jaqueta safári) para sessão de fotos com a famosa modelo Veruska, e foi sucesso absoluto. Em seguida, com a criação da Maison Saint Laurent Rive Gauche para homens, as mulheres iam até lá e compravam as roupas para elas. Criou o unissex.

Seus desfiles, sempre cheios de glamour, apresentavam suas marcas registradas: o smoking feminino (criado em 1966) e o grande e exuberante coração-colar-amuleto, uma jóia desenhada pelo próprio Yves Saint Laurent e feita artesanalmente – era usado pela modelo que desfilava um vestido em especial, geralmente preto, ou pela noiva. O famoso e pesado coração, de brilhantes, pérolas e rubis, era tão cobiçado pelas clientes que foram confeccionados modelos pequenos (e mais leves) para a venda.

Yves Saint Laurent sempre teve grande admiração pelas artes, especialmente Matisse e Braque, e muitas vezes inspirou-se em criações da pintura, das artes plásticas, para criar sua elegante e revolucionária moda: houve a coleção Matisse, a coleção Braque, a coleção Andy Warhol, etc. Em 07 de janeiro de 2002, ele comunicou à imprensa sua despedida da moda. Apresentou seu último desfile no Centre Georges Pompidou, em Paris, mostrando uma retrospectiva de seu sucesso. No fim do desfile, foi homenageado por sua musa, Catherine Deneuve, cantando para ele. Emocionado, Yves Saint Laurent selou assim sua contribuição eterna de elegância, luxo e chiquismo para a alta-moda internacional.

DIANA VREELAND: LUXO E ELEGÂNCIA

Diana Vreeland (1906-1989) foi uma mulher exuberantemente luxuosa. Tinha cabelos pretos, curtos, a pele branca e maquiada e uma atmosfera vermelha: batons, esmaltes, paredes de casa, paredes do escritório. Tudo vermelho, tudo extravagante. Ela viveu intensamente o presente, não o passado ou o futuro. Fazia exatamente o que lhe dava prazer em estilo, moda, porque tinha temperamento forte, muito bom senso estético para dosar os modismos com elementos clássicos, misturando tudo isso a uma expressão extravagante que, certamente, construiram sobre ela um resultado visual de charme e beleza; e sabia que agradava sendo exatamente assim, 'natural' à sua maneira, exageradamente visual e inteligente.
Sua história mostra toda a carga que ela teve de suportar para não se deixar abater quando, por exemplo, sua mãe a comparava com a irmã ou a rotulava de "feia". Talvez, daí tenha surgido toda a força do seu temperamento e a convicção de que era necessário formar sua personalidade baseada em tudo o que ela própria queria que fosse, não interessava beleza ou comparações, se nada disso lhe servisse para o conjunto do que veio a ser seu estilo.
Para Diana Vreeland interessava autenticidade e peculiaridade para conseguir o equilíbrio entre o que a pessoa é e o nível de beleza, charme, sofisticação e luxo que ela pode construir, atingir; e, para isso, ela só precisou ser ela mesma. Mme Vreeland não seguiu nada nem ninguém, ela própria teve seu jeito de ser e refletiu para as mulheres a capacidade de cada uma assumir sua própria humanidade e despertar a beleza individual. Ela não se preocupou em se amargurar e se recriminar por acontecimentos do passado, também não lhe interessava perder tempo imaginando o futuro.
Ela viveu o seu presente. E é aí que está a graça. É aí que está a imortalidade da chique Diana Vreeland, que trilhou naturalmente um caminho de glamour: por 25 anos foi editora de moda da Harper’s Bazaar, em seguida assumiu a diretoria da Vogue. Em 1971, quando deixou a Vogue, tornou-se consultora do Costume Institute of the Metropolitan Museum of New York, organizando exposições de estilo e moda que permanecem e sempre serão comentadas.
As pessoas perdem muito tempo apegadas ao passado e/ou cheias de inseguranças em relação ao futuro. A mágica da felicidade está em saber viver o presente, o agora. E, acima de tudo, a felicidade está na capacidade de cada pessoa assumir a sua própria humanidade. Quando você chegar a esse ponto, verá que a beleza, a elegância e a felicidade estão tão presentes em você quanto o ar que respira. E nem precisa se esforçar, basta querer. Basta aceitar ser. Assim, como Diana Vreeland.
Novamente, volto ao ponto da despreocupação com o passado e o futuro. O tempo, que só apaga e desfaz, praticamente apagou a visão de Diana Vreeland nos seus últimos meses de vida ("os meus olhos cansaram de ver tanta beleza", teria declarado), mas, o tempo não desfez e nem extinguirá sua lição de estilo para o mundo.

Mais sobre Diana Vreeland: clique aqui.