quarta-feira, 15 de março de 2006

ALTA COSTURA - SEMPRE YVES SAINT LAURENT

Yves Saint Laurent (1936) é uma marca eterna da alta costura internacional. Foi assistente de Christian Dior. Após a morte de Dior, no auge da carreira em 1957, Saint Laurent assumiu a maison Dior e mais tarde criou sua própria grife. Com semblante sempre calmo, tranqüilo, sensível, tímido e envergonhado até, ele apresentava seus desfiles no salão do Hotel Intercontinental, em Paris, decorado com flores que mudavam de acordo com sua inspiração. As criações, magníficas e elegantes, tinham muito da sua própria humanidade: tudo clássico, elegante, chique. Sua alta costura vestiu realezas e jet setters internacionais, como a nossa brasileira Carmen Mayrink Veiga.

Tornou-se um sucesso em todo o planeta: foram mais de 70 coleções e inúmeros produtos com sua grife. E são muitas as curiosidades. Em 1968, por exemplo, a pedido da Vogue ele criou a saharienne (jaqueta safári) para sessão de fotos com a famosa modelo Veruska, e foi sucesso absoluto. Em seguida, com a criação da Maison Saint Laurent Rive Gauche para homens, as mulheres iam até lá e compravam as roupas para elas. Criou o unissex.

Seus desfiles, sempre cheios de glamour, apresentavam suas marcas registradas: o smoking feminino (criado em 1966) e o grande e exuberante coração-colar-amuleto, uma jóia desenhada pelo próprio Yves Saint Laurent e feita artesanalmente – era usado pela modelo que desfilava um vestido em especial, geralmente preto, ou pela noiva. O famoso e pesado coração, de brilhantes, pérolas e rubis, era tão cobiçado pelas clientes que foram confeccionados modelos pequenos (e mais leves) para a venda.

Yves Saint Laurent sempre teve grande admiração pelas artes, especialmente Matisse e Braque, e muitas vezes inspirou-se em criações da pintura, das artes plásticas, para criar sua elegante e revolucionária moda: houve a coleção Matisse, a coleção Braque, a coleção Andy Warhol, etc. Em 07 de janeiro de 2002, ele comunicou à imprensa sua despedida da moda. Apresentou seu último desfile no Centre Georges Pompidou, em Paris, mostrando uma retrospectiva de seu sucesso. No fim do desfile, foi homenageado por sua musa, Catherine Deneuve, cantando para ele. Emocionado, Yves Saint Laurent selou assim sua contribuição eterna de elegância, luxo e chiquismo para a alta-moda internacional.

DIANA VREELAND: LUXO E ELEGÂNCIA

Diana Vreeland (1906-1989) foi uma mulher exuberantemente luxuosa. Tinha cabelos pretos, curtos, a pele branca e maquiada e uma atmosfera vermelha: batons, esmaltes, paredes de casa, paredes do escritório. Tudo vermelho, tudo extravagante. Ela viveu intensamente o presente, não o passado ou o futuro. Fazia exatamente o que lhe dava prazer em estilo, moda, porque tinha temperamento forte, muito bom senso estético para dosar os modismos com elementos clássicos, misturando tudo isso a uma expressão extravagante que, certamente, construiram sobre ela um resultado visual de charme e beleza; e sabia que agradava sendo exatamente assim, 'natural' à sua maneira, exageradamente visual e inteligente.
Sua história mostra toda a carga que ela teve de suportar para não se deixar abater quando, por exemplo, sua mãe a comparava com a irmã ou a rotulava de "feia". Talvez, daí tenha surgido toda a força do seu temperamento e a convicção de que era necessário formar sua personalidade baseada em tudo o que ela própria queria que fosse, não interessava beleza ou comparações, se nada disso lhe servisse para o conjunto do que veio a ser seu estilo.
Para Diana Vreeland interessava autenticidade e peculiaridade para conseguir o equilíbrio entre o que a pessoa é e o nível de beleza, charme, sofisticação e luxo que ela pode construir, atingir; e, para isso, ela só precisou ser ela mesma. Mme Vreeland não seguiu nada nem ninguém, ela própria teve seu jeito de ser e refletiu para as mulheres a capacidade de cada uma assumir sua própria humanidade e despertar a beleza individual. Ela não se preocupou em se amargurar e se recriminar por acontecimentos do passado, também não lhe interessava perder tempo imaginando o futuro.
Ela viveu o seu presente. E é aí que está a graça. É aí que está a imortalidade da chique Diana Vreeland, que trilhou naturalmente um caminho de glamour: por 25 anos foi editora de moda da Harper’s Bazaar, em seguida assumiu a diretoria da Vogue. Em 1971, quando deixou a Vogue, tornou-se consultora do Costume Institute of the Metropolitan Museum of New York, organizando exposições de estilo e moda que permanecem e sempre serão comentadas.
As pessoas perdem muito tempo apegadas ao passado e/ou cheias de inseguranças em relação ao futuro. A mágica da felicidade está em saber viver o presente, o agora. E, acima de tudo, a felicidade está na capacidade de cada pessoa assumir a sua própria humanidade. Quando você chegar a esse ponto, verá que a beleza, a elegância e a felicidade estão tão presentes em você quanto o ar que respira. E nem precisa se esforçar, basta querer. Basta aceitar ser. Assim, como Diana Vreeland.
Novamente, volto ao ponto da despreocupação com o passado e o futuro. O tempo, que só apaga e desfaz, praticamente apagou a visão de Diana Vreeland nos seus últimos meses de vida ("os meus olhos cansaram de ver tanta beleza", teria declarado), mas, o tempo não desfez e nem extinguirá sua lição de estilo para o mundo.

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