quarta-feira, 15 de março de 2006

DIANA VREELAND: LUXO E ELEGÂNCIA

Diana Vreeland (1906-1989) foi uma mulher exuberantemente luxuosa. Tinha cabelos pretos, curtos, a pele branca e maquiada e uma atmosfera vermelha: batons, esmaltes, paredes de casa, paredes do escritório. Tudo vermelho, tudo extravagante. Ela viveu intensamente o presente, não o passado ou o futuro. Fazia exatamente o que lhe dava prazer em estilo, moda, porque tinha temperamento forte, muito bom senso estético para dosar os modismos com elementos clássicos, misturando tudo isso a uma expressão extravagante que, certamente, construiram sobre ela um resultado visual de charme e beleza; e sabia que agradava sendo exatamente assim, 'natural' à sua maneira, exageradamente visual e inteligente.
Sua história mostra toda a carga que ela teve de suportar para não se deixar abater quando, por exemplo, sua mãe a comparava com a irmã ou a rotulava de "feia". Talvez, daí tenha surgido toda a força do seu temperamento e a convicção de que era necessário formar sua personalidade baseada em tudo o que ela própria queria que fosse, não interessava beleza ou comparações, se nada disso lhe servisse para o conjunto do que veio a ser seu estilo.
Para Diana Vreeland interessava autenticidade e peculiaridade para conseguir o equilíbrio entre o que a pessoa é e o nível de beleza, charme, sofisticação e luxo que ela pode construir, atingir; e, para isso, ela só precisou ser ela mesma. Mme Vreeland não seguiu nada nem ninguém, ela própria teve seu jeito de ser e refletiu para as mulheres a capacidade de cada uma assumir sua própria humanidade e despertar a beleza individual. Ela não se preocupou em se amargurar e se recriminar por acontecimentos do passado, também não lhe interessava perder tempo imaginando o futuro.
Ela viveu o seu presente. E é aí que está a graça. É aí que está a imortalidade da chique Diana Vreeland, que trilhou naturalmente um caminho de glamour: por 25 anos foi editora de moda da Harper’s Bazaar, em seguida assumiu a diretoria da Vogue. Em 1971, quando deixou a Vogue, tornou-se consultora do Costume Institute of the Metropolitan Museum of New York, organizando exposições de estilo e moda que permanecem e sempre serão comentadas.
As pessoas perdem muito tempo apegadas ao passado e/ou cheias de inseguranças em relação ao futuro. A mágica da felicidade está em saber viver o presente, o agora. E, acima de tudo, a felicidade está na capacidade de cada pessoa assumir a sua própria humanidade. Quando você chegar a esse ponto, verá que a beleza, a elegância e a felicidade estão tão presentes em você quanto o ar que respira. E nem precisa se esforçar, basta querer. Basta aceitar ser. Assim, como Diana Vreeland.
Novamente, volto ao ponto da despreocupação com o passado e o futuro. O tempo, que só apaga e desfaz, praticamente apagou a visão de Diana Vreeland nos seus últimos meses de vida ("os meus olhos cansaram de ver tanta beleza", teria declarado), mas, o tempo não desfez e nem extinguirá sua lição de estilo para o mundo.

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