domingo, 23 de julho de 2006

Comportamento & Moda - Moda e Deslumbramento

Seguir modismos é a atividade predileta da maioria dos grupos; por isso, essas pessoas acabam pagando um preço bem alto: além de ser muito complicado acompanhar e consumir de tudo, toda a incessante vontade de “estar na moda” interfere muito no estilo próprio de quem decide viver assim. O resultado é uma pessoa cada vez mais deslumbrada, que perde o sentido de quantidade e qualidade; então, tudo vira uma misturada descontrolada, que não é nada bonito e que não é bom. Essa pessoa é chamada de “fashion victim”. Tente imaginar quanto tempo e dinheiro as fashion victims perdem abarrotando armários com tudo o que é vendido como 'novidade'; uma mania desenfreada de vestir tudo o que é apresentado nesse ou naquele desfile... Ou o que está na capa da revista. imaginou? Tudo isso poderia e deveria ser usado de outra forma: bastaria analisar o próprio corpo, o ritmo de vida e, sobretudo, enxergar e reconhecer a importância do estilo próprio na vida pessoal, social, profissional... Não há nada de errado em não ter o conhecimento necessário sobre moda, o errado está em não buscar entender que a grande oferta de moda precisa ser adaptada. Não há obrigação nenhuma de substituir todo seu armário cada vez que muda estação. E também não há nada de errado em repetir roupas e sapatos – no mundo inteiro as pessoas repetem, por isso vem a importância da qualidade na moda. O que vejo muito é toda essa enxurrada de propagandas em televisão e revistas, muita gente deslumbrada fazendo esforço enorme para seguir tudo o que aparece - até as medidas físicas da modelo da campanha. A pessoa deslumbrada vive em função de tudo que é publicado e mostrado na televisão. Então, muda cabelo e faz plástica porque duas ou três pessoas apontam isso e aquilo. Há ainda outro grupo, mais radical, que faz de tudo para adquirir a aparência física da modelo da revista ou a atriz de televisão, submetendo seus corpos a mudanças violentas: dietas malucas sem nenhum acompanhamento médico e fazendo esforço gigante para comprar tudo que a modelo ou atriz está usando. É tudo uma grande ilusão, uma fantasia que só afasta a pessoa do que realmente ela precisa para estar mais bonita e bem vestida. Cada pessoa é bonita de uma forma particular e pode melhorar muito; para isso não precisa seguir rigorosamente a moda, basta adaptar, combinar e aprender com a moda. Não há nada de errado em querer mudar, mas tudo precisa ser bem pensado. A disciplina é uma arma forte para vida e para o estilo. É preciso saber diferenciar desfile comercial, desfile profissional, da moda que será usada no cotidiano. A moda é feita para todas as pessoas, tudo o que há na moda pode e deve ser usado pela vida toda, depende muito da necessidade de cada um. Gordos, magros, altos, baixos, seja como for, há sempre um jeito, uma saída para a intenção e necessidade de cada pessoa. É preciso melhorar o que a moda terá para sempre de melhor, e tanta coisa já foi feita, e é tudo insubstituível. Os desfiles comerciais estão cada vez mais temáticos, teatrais. É muito bonito, sim é, mas a moda precisa ser cuidadosamente analisada em cada desfile; todo o show montado e apresentado ao redor da coleção é apenas a moldura do que realmente interessa. Claro que a música é importante, as luzes, as modelos famosas... Mas, desfile de moda é para o espectador conhecer, analisar e comprar qualidade e garantia de uso freqüente, que representa a marca. Porque, moda tem de ter muita qualidade e se não é eterna, já diz tudo: não permanece. Entender isso já é um bom começo para que você faça as escolhas certas e vista-se melhor. Agora, ser elegante, isso é mais complicado. A elegância começa em casa, está no cotidiano, em cada espaço da vida pessoal e social – no conviver. Não é obrigação, elegância é virtude do temperamento. E se você não pode mudar o seu temperamento, a sua personalidade pode e deve ser aperfeiçoada com conhecimentos sobre estilo, comportamento. Tudo depende de disciplina. Tudo depende de você querer dar o primeiro passo.

Contato: jamillbarbosaferreira@hotmail.com

terça-feira, 18 de julho de 2006

Passarelas, Modismos e Vida Real – Por Jamill Barbosa Ferreira

Muito se fala dos modismos e de elegância. No Brasil, há assuntos mais urgentes: fome e educação, por exemplo. Essa é a saída para que culpados não sejam apontados pela falta de registros sobre pessoas importantes na moda e/ou que foram referenciais. É penoso esse esquecimento. Quem hoje sabe dizer quem foi Regina Rosemburg Lecléry? Poucos sabem responder: Regina Lecléry foi uma mulher linda, elegante e seguia carreira de atriz quando foi vítima, na década de 70, da tragédia da Varig em Paris. Poucos se importam com registros de exemplos para a vida diária: pela elegância, o bem vestir. Como fazer permanecer dessa forma? Tudo passa com rapidez, com a mesma ‘facilidade’ e velocidade com que a moda está sendo recebida e entendida de maneira errada. As pessoas têm pressa inexplicável para tudo. Mas, para compreender o hoje, é indispensável perceber o começo, valorizar o ontem. A moda era outra até o fim dos anos 90, havia alguma mudança porque grifes já estavam fechando ou mudando de mão, mas, as mudanças não eram tão visíveis como hoje. Nas passarelas de hoje, a impressão visual é que tudo está sendo criado rapidamente, apenas como registro da participação do fashion-designer. No geral, as pessoas acabam dando mais atenção ao elenco de modelos e menos à roupa. E quando a coleção é visualmente uma expressão de arte, causa estranheza generalizada. Tecnicamente, o acabamento é ótimo, a criatividade também. Muita gente reclama e fala que ‘não é usável’; isso acontece porque a moda se multiplica rápida e vorazmente no mesmo ritmo das pessoas, mas não explica os motivos de quando é arte ou coisa do tempo. A velocidade na ‘evolução’ confunde o consumidor. São muitos elementos misturados: produções cinematográficas nas salas de desfiles, luzes, som, tudo novo, o ritmo da música é outro, o caminhar das manequins também, a estrutura das roupas, os tecidos são tecnológicos, há muita linguagem gestual, há muito teatro, representação, manifestação política. Isso tudo é muito moderno. Mas, a praticidade, o bem vestir de hoje, tudo isso está no conhecimento do passado. Independente da estação, todas as cores podem ser usadas, o que muda é o tecido que fica mais leve no verão e mais espesso no inverno – não é porque um desfile apresenta branco que outras cores não serão usadas, essa é a visão do estilista que é tão humano quanto você, e você pode tomar decisões próprias. Você deve procurar em toda essa profusão de sugestões, os elementos que atendem às suas necessidades no trabalho, em casa, na vida social e criar o seu estilo. A moda tem obrigação de ser adaptada de acordo com a pessoa, porque moda é sugestão. As escolhas são suas, não há regras. O que deve permanecer é o respeito às questões protocolares, que é o momento onde se une o comportamento à moda; por exemplo: não usar decote em igreja. Claro que se você quiser, por qualquer motivo, você usará um decote grande numa cerimônia religiosa, você vai estar ‘criando’ uma nova moda de usar decote, mas, onde está a elegância quando se quebra protocolo, onde está a elegância no desrespeito e na falta de educação? Moda e elegância complementam-se, mas não são a mesma coisa. A moda está diretamente ligada à sua personalidade, enquanto a elegância é parte de seu temperamento. Faça as escolhas certas, respeite a moda já estabelecida, o clássico, e procure consumir mais qualidade que quantidade. A qualidade e o conhecimento da roupa garantem que um vestido comprado nos seus 20 anos tenha a mesma perfeição quando resolver usá-lo em qualquer época da sua vida. Moda não é regra, é sugestão. Escolha bem.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Cleuza Ferreira & Casa Magrella: Luxo em Brasília - Por Jamill Barbosa Ferreira



Em 1970, Cleuza Ferreira, apaixonada por moda, abriu sua loja 'Milonga'. Surge entre a empresária e a moda um entendimento intenso que resultou e permanece num projeto ainda mais sofisticado, a apoteótica e respeitada Casa Magrella – referência do chique em Brasília. Das lojas mais sofisticadas do Brasil, com estrutura internacional, a Casa Magrella é sempre citada nas importantes publicações especializadas – a mulher mais elegante do Brasil e das dez mais elegantes do planeta, Carmen Mayrink Veiga, também publicou elogios sobre a Casa Magrella. Não há como resistir ao bom gosto. Antes de ser o luxo aparente aos clientes, a Casa Magrella tem muito da refinadíssima humanidade de Cleuza e ali ela descobre e redescobre a moda à sua maneira. Para a Cleuza Ferreira mulher, com seu espírito abarrotado de bom gosto, a Casa Magrella com toda sua lista de grifes nacionais e internacionais, é a hospedagem mais gratificante para a moda na Capital Federal. Na impressionante loja tudo é cuidadosamente organizado. Alguns toques de prata, cristais, brilhos. Espelhos. Sobrenomes fortes, políticos e empresários circulam nos salões da Casa Magrella e compõem a lista de clientes. Para Cleuza e suas clientes, a multimarcas representa, na moda brasileira, a possibilidade de expressar suas emoções mais íntimas, sem qualquer intenção exterior – assim mesmo, o impacto visual é deslumbrante. Essa interpretação muito pessoal do luxo e da moda na estrutura da loja, é extremamente reveladora da empresária, sempre preocupada com as bases de composição de sua própria imagem, regulando os elementos formadores de sua simbologia. Como seu estilo que traz sempre sua marca registrada, também a Casa Magrella apresenta na composição geral, a atmosfera inconfundível da presença de Cleuza Ferreira. Sua maior lição é que a percepção do bem vestir, da moda, não é atingida através de repreensões exclamativas, mas sim, em ofício do conhecimento reflexivo – do autoconhecimento.

terça-feira, 11 de julho de 2006

ALTA COSTURA - Dener Pamplona de Abreu - 'Alta Costura Brasileira'

Dener Pamplona de Abreu (1936-1978) nasceu em Belém do Pará, ainda garoto mudou-se para o Rio de Janeiro com a família e tornou-se o ícone da moda sofisticada no Brasil, a "alta costura brasileira".

Dener fez, à sua maneira, no Brasil, uma moda que só era feita na Europa: a moda exclusiva, sob-medida. Seu bom gosto e principalmente seu temperamento deram-lhe fama, glória imortal. Era elegante, criativo, fotogênico, extravagante, tinha tino comercia, sabia onde pisava, vivia uma fantasia natural que impressionava, amava o luxo e personificou com fantasia e realidade um admirável estilo próprio de ser e criar moda. Sua vida foi rápida, mas cheia de grandes acontecimentos: com 12 anos já trabalhava na Casa Canadá, no Rio de Janeiro. E não parou. Até hoje, décadas após sua morte, suas criações continuam sendo usadas, lembradas e comentadas com o mesmo charme.

Dener desenvolveu uma moda altamente qualificada e jamais esperou algo de alguém, não porque fosse contra outros estilistas ou contra tendências, mas porque sabia como criar, sabia expressar em moda a personalidade de sua cliente e assim ficar no centro das atenções e o centro das atenções da alta costura brasileira, desde o começo, é Dener Pamplona de Abreu.

Admirador de Balenciaga, suas criações eram clássicas, elegantes. Foi profissionalmente apoiado pela chique Maria Augusta Dias Teixeira. Vestiu mulheres como Maria Teresa Goulart. Casou-se, foi pai. Entrou para a televisão: foi jurado no programa do Flávio Cavalcanti e seu sucesso não parava de aumentar. Era cada vez mais adorado, as pessoas gostavam de ver e admirar a figura de Dener, que vivia uma realidade de extravagâncias e luxos como, por exemplo, quando comentava sobre seus banhos de leite, ou simplesmente quando tinha de avaliar um(a) participante como jurado e atraía todas as atenções quando rotulava, merecidamente, uma participante de: "é um luxo!".

Dener Pamplona de Abreu foi sucesso como fashion designer, como jurado, como pessoa. O seu nome foi marcado na história da alta moda brasileira porque ele se mostrou à altura dos principais nomes da alta costura francesa, como Christian Dior, por exemplo, que chegou a concorrer com Dener num concurso. O brasileiro ganhou o concurso. Após a morte de Dior, Dener teria sido convidado para assumir seu lugar, mas não aceitou.

O Brasil tem muitos talentos atuais da moda, mas a probabilidade de encontrar alguém que tenha o dom da criação da moda eterna, a alta moda, como Dener, é mínima, mas a esperança mantém a onda de novos eventos de moda, novos fashion designers. No meio desse turbilhão de novidades que surgem, acabamos nos acostumando com a idéia de que nada será novamente como antes. O mundo de Dener acabou, mas suas criações permanecem inspirando novos estilistas, encantando as mulheres que as vestem e marcando o máximo da alta costura brasileira.
Dener vestia as mulheres da alta sociedade e transmitia para o povo um estilo peculiar de viver luxuosamente, não de possuir o luxo, mas de ser uma pessoa luxo. Para suas clientes ensinou que o importante não é só o que você veste, mas como veste e porque veste. Porque ser elegante, ser um luxo, não é questão de roupa, é questão de temperamento. Dener Pamplona de Abreu, para sempre uma grife