terça-feira, 18 de julho de 2006

Passarelas, Modismos e Vida Real – Por Jamill Barbosa Ferreira

Muito se fala dos modismos e de elegância. No Brasil, há assuntos mais urgentes: fome e educação, por exemplo. Essa é a saída para que culpados não sejam apontados pela falta de registros sobre pessoas importantes na moda e/ou que foram referenciais. É penoso esse esquecimento. Quem hoje sabe dizer quem foi Regina Rosemburg Lecléry? Poucos sabem responder: Regina Lecléry foi uma mulher linda, elegante e seguia carreira de atriz quando foi vítima, na década de 70, da tragédia da Varig em Paris. Poucos se importam com registros de exemplos para a vida diária: pela elegância, o bem vestir. Como fazer permanecer dessa forma? Tudo passa com rapidez, com a mesma ‘facilidade’ e velocidade com que a moda está sendo recebida e entendida de maneira errada. As pessoas têm pressa inexplicável para tudo. Mas, para compreender o hoje, é indispensável perceber o começo, valorizar o ontem. A moda era outra até o fim dos anos 90, havia alguma mudança porque grifes já estavam fechando ou mudando de mão, mas, as mudanças não eram tão visíveis como hoje. Nas passarelas de hoje, a impressão visual é que tudo está sendo criado rapidamente, apenas como registro da participação do fashion-designer. No geral, as pessoas acabam dando mais atenção ao elenco de modelos e menos à roupa. E quando a coleção é visualmente uma expressão de arte, causa estranheza generalizada. Tecnicamente, o acabamento é ótimo, a criatividade também. Muita gente reclama e fala que ‘não é usável’; isso acontece porque a moda se multiplica rápida e vorazmente no mesmo ritmo das pessoas, mas não explica os motivos de quando é arte ou coisa do tempo. A velocidade na ‘evolução’ confunde o consumidor. São muitos elementos misturados: produções cinematográficas nas salas de desfiles, luzes, som, tudo novo, o ritmo da música é outro, o caminhar das manequins também, a estrutura das roupas, os tecidos são tecnológicos, há muita linguagem gestual, há muito teatro, representação, manifestação política. Isso tudo é muito moderno. Mas, a praticidade, o bem vestir de hoje, tudo isso está no conhecimento do passado. Independente da estação, todas as cores podem ser usadas, o que muda é o tecido que fica mais leve no verão e mais espesso no inverno – não é porque um desfile apresenta branco que outras cores não serão usadas, essa é a visão do estilista que é tão humano quanto você, e você pode tomar decisões próprias. Você deve procurar em toda essa profusão de sugestões, os elementos que atendem às suas necessidades no trabalho, em casa, na vida social e criar o seu estilo. A moda tem obrigação de ser adaptada de acordo com a pessoa, porque moda é sugestão. As escolhas são suas, não há regras. O que deve permanecer é o respeito às questões protocolares, que é o momento onde se une o comportamento à moda; por exemplo: não usar decote em igreja. Claro que se você quiser, por qualquer motivo, você usará um decote grande numa cerimônia religiosa, você vai estar ‘criando’ uma nova moda de usar decote, mas, onde está a elegância quando se quebra protocolo, onde está a elegância no desrespeito e na falta de educação? Moda e elegância complementam-se, mas não são a mesma coisa. A moda está diretamente ligada à sua personalidade, enquanto a elegância é parte de seu temperamento. Faça as escolhas certas, respeite a moda já estabelecida, o clássico, e procure consumir mais qualidade que quantidade. A qualidade e o conhecimento da roupa garantem que um vestido comprado nos seus 20 anos tenha a mesma perfeição quando resolver usá-lo em qualquer época da sua vida. Moda não é regra, é sugestão. Escolha bem.

2 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pela sua colocação !

ELAINE disse...

HÁ DEZESSEIS ANOS ATRÁS GEORGE MICHAEL, EM SUA CANÇÃO FREEDOM 90, PROCLAMAVA QUE "AS ROUPAS NÃO FAZEM UM HOMEM, E QUE ESSA MENTIRA DEVERIA SER TRASFORMADA EM VERDADE", CONTRADIÇÃO OU NÃO, O QUE PARECE , O QUE NOS RESTA APÓS TANTOS ANOS, É A CONCLUSÃO DE QUE ESTA FRASE SOA ESTRANHA, COMO SE A ORDEM DAS PALAVRAS NÃO FUNCIONASSE MAIS...
"AQUELAS MENTIRAS" NÃO PRECISARAM SE TORNAR REALIDADE, ELAS SIMPLESMENTE FORAM DESMASCARADAS NO DECORRER DE UMA FASE EM QUE A MODA TORNOU-SE "BUSSINESS" GERANDO BILHÕES DE DÓLARES, DINHEIRO FORNECIDO PELO PRÓPRIO HOMEM.
OS ANOS PASSADOS POSSIBILITARAM O SURGIMENTO DE VERDADEIROS ARTISTAS, E O RECONHECIMENTO DE OUTROS, QUE NÃO CRIAM APENAS ROUPAS, MAS QUE SÃO CAPAZES DE TRANSFORMAR CORPOS, DE VENDER BELEZA, DE CRIAR UMA FÓRMULA...
É NESTE MOMENTO QUE, HOJE, NÃO SE ENCAIXA MAIS A FAMOSA FRASE DE GEORGE MICHAEL. ATRAVÉS DE SUA MÚSICA ELE RETRATOU UM COMPORTAMENTO VIGENTE NAQUELE MOMENTO. A MENTIRA FOI TRANSFORMADA EM VERDADE, MAS NÃO AQUELA SUGERIDA PELO CANTOR. QUANDO, ISSEY MYAKE,HUSSEIN CHALAYAN , MARC JACOBS ETC. CRIAM ROUPAS SUBORDINADAS A UM ESTILO PRÓPRIO, CAPAZ DE ATRAIR MILHÕES DE PESSOAS QUE PROCURAM UMA IDENTIDADE, QUE ESTÃO PERDIDAS E ANSEIAM POR SENTIR-SE BEM, VESTINDO AQUILO QUE LHES CONFORTAM, OCORRE A MUDANÇA: O HOMEM COMEÇA A MANIPULAR A ROUPA PARA SEU BEL PRAZER!!!
CONCORDO QUE A MÚSICA SERVE PARA UM DETERMINADO PÚBLICO E ÉPOCA, NADA É PERFEITO, MAS QUERO MOSTRAR O OUTRO LADO, PURO E SIMPLES. FRASES E CONCLUSÕES PODEM SER MUDADAS SE, AO LONGO DOS ANOS HOMEMS ESTIVERAM DISPOSTOS A CRIAR, INOVAR E ULTRAPASSAR OS PRECONCEITOS.
NOSSAS OPINIÕES COLIDEM NUM DETERMINADO PONTO JAMILL, MAS TENHO QUE DEFENDER ESSE LADO MÁGICO (RS). VOCÊ TEM RAZÃO EM TUDO.PASSARELAS, MODISMOS E A VIDA REAL...SERÁ QUE O LADO HUMANO NÃO SE PREPAROU PARA VIVER, PARA DESFRUTAR DA FANTASIA?

AMIGA/ADMIRADORA-ELAINE.