terça-feira, 8 de agosto de 2006

Zuzu Angel no Cinema - Por Jamill Barbosa Ferreira

O assunto do momento, em cinema, é o filme que homenageia Zuzu Angel. Ela merece filmes, livros e muitos outros registros e méritos. Não adianta esforço para perceber na atual moda brasileira um ar de novidade, porque tudo isso a Zuzu Angel já fez. Suas criações vestidas hoje ou amanhã, sempre serão atuais porque sua moda era feita com arte, e a arte verdadeira não tem fim. Percebo dois momentos na moda de Zuzu Angel: 'glamour' e 'dor'. O glamour pelo reconhecimento do seu talento e a dor pelas pesadas injustiças.
O primeiro momento marca sua vida repleta de moda, de amigos no seu elegante grupo, amigos na política, cinema. Fora do Brasil sua moda foi aceita na hora... Joan Crawford e Kim Novak, por exemplo, vestiam e aplaudiam Zuzu Angel, que foi a primeira estilista brasileira com espaço no exterior.
A moda do segundo momento é heterogênea como seu espírito, tumultuado pela revolta com as injustiças e transformações, mas sempre com equilíbrio, com coerência. Passa das lições de estilo para uma profunda leitura de sua própria humanidade. E sem nunca esmagar sua força e seu espírito de mãe, expressa a verdade mais profunda através de suas criações: anjos feridos, figuras tristes e armas. Em sua moda surgiram e permanecem momentos de estupefação e tristeza. A expressão de sua força, de um forte exemplo de humanidade. A moda de Zuzu Angel, desde o começo, não reflete apenas um estilo visual e usável, mas tem características próprias que marcam sua presença ontem, hoje e sempre. Arte, força e exemplo. Zuzu Angel vive! Vive na arte de sua moda, na música de Chico Buarque, nos filmes, livros, registros, méritos e no exemplo de força e verdade, pois foi verdadeira com ela mesma, com os outros e com a moda.

Ilustração: fotografia Zuzu Angel (www.uva.br).

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