segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Decotes, Transparências e Fendas - II

Eu sempre gostei de transparências na moda. Eu gosto da moda que permanece e, nesse sentido, um bom exemplo é Yves Saint Laurent que apresentou seu primeiro smoking feminino com uma blusa transparente de musselina preta – até hoje permanece. E não era só a musselina na alta costura, eram lingeries muito antes da Madonna, fendas, saias de franjas finas, decotes enormes com laçarotes. Uma época que rendia à sensualidade o rótulo de luxo, rótulo esse que vem se perdendo com o tempo devido à desinformação, à banalização. Todos os grandes nomes da moda, da alta moda, apresentavam transparências, fendas e decotes em suas criações. Tudo isso continua sendo criado e usado por uns da maneira mais bonita, por outros com atmosfera de nudismo. Não há nada de errado nessa moda que valoriza o nudismo, para quem gosta; mas o mundo exige que nos adaptemos a tudo e que estejamos de acordo com mil acontecimentos: cerimônias, festas, trabalho e dia-a-dia. A dosagem exata dita o bom gosto pessoal. Então, é importante que esses recursos sejam usados de acordo com a sua necessidade, dependendo da sua imagem exterior – da sua intenção. Decotes atraem atenção para a parte de cima do corpo, recurso excelente para disfarçar um detalhe que você não goste no abdômen: gordura localizada, barriga. Digamos que haja um casamento, então o decote já não poderá ser mostrado, mas você pode usar uma echarpe bem bonita num tom mais claro que o vestido para cobrir o decote durante a cerimônia e o efeito será o mesmo. As transparências também ajudam nessa questão. As fendas têm a ‘intenção’ sexy – meias, sempre. É muito bonito perceber quando uma pessoa consegue usar exatamente o que lhe fica bem, o que realça sua beleza natural e também o que pode melhorar o que pessoalmente a incomoda. Daí, o auto-estilo manifesta-se em primeiro lugar na imagem exterior recriada, na roupa, acessórios, cabelo, enfim, na composição da figura. E cada um deve aprender tudo que melhor combina com si próprio e ter verdadeiramente grande carinho e admiração por esse todo que forma a própria personalidade, refletindo na moda seu temperamento, seu ritmo na vida. Esse aspecto da sensualidade na moda tem reflexos sociais. Revela, talvez, a desconfiança (e desrespeito) da pessoa civilizada pelo ambiente que a cerca, estando mais provocante, indo contra uma cultura envernizada, de superfície. Depende muito da forma como você enxerga os grupos, o seu grupo. Em resumo, a sensualidade na moda é um tipo de ‘liberdade’ pelo narcisismo, mas tudo tem limite. Se extrapolar e deixar cair na banalidade como se vê atualmente, todo o glamour, a beleza e a elegância, tudo isso que vem desde os grandes costureiros e que deveria permanecer, vai se transformando aos poucos numa moda de nudismo.

Por Jamill Barbosa Ferreira, para Brasília.

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