quarta-feira, 14 de março de 2007

Moda - Karl Lagerfeld e a Transição


A primeira vez que o vi, logo imaginei que era antipático, mas, felizmente era apenas um de seus escudos. Apesar da personalidade mascarada, o chiquérrimo Karl Lagerfeld tem um temperamento tranqüilo, gentil e natural. Encenação? Talvez... Ele continua brilhando, adorado em seus brancos e médios cabelos, óculos escuros, leques e luvas; sempre faiscante em sua pose de general da revolução do estilo. Tudo era muito calmo na moda, época de total beleza, quando o luxo (o verdadeiro luxo) existia e ainda reinava. Mas, o avanço dos tempos fez esse mundo mágico tropeçar feio. E a história da moda jamais seria a mesma. Grifes mudaram de mãos e os novos estilistas, no desejo gritante de se fazerem perceber, aderiram ao chocante estilo "camaleão". Os novatos gostam e consideram como um comportamento atrevidamente 'fashion'. Tudo não passa de uma tremenda falta de identidade. Desde então, com tantos grandes nomes saindo de cena, Karl Lagerfeld, firme, se tornaria a principal antena de todos os movimentos que guiaram a moda do declínio dos 'grandes' até os dias de hoje. Mas tudo tem um preço e Karl Lagerfeld prosseguiu disposto a desafiar o seu caminho, o caminho dos outros e virar tudo de ponta-cabeça. Um dos pontos máximos foi emagrecer mais de 40 quilos. Com uma sucessão de personagens e alter egos que foram surgindo na medida que precisava se adaptar, ele desenvolveu uma inteligente divulgação de sua imagem e fez disso uma marca na moda. Assumiu a quintessência do mais chique estilo excêntrico na moda, exatamente num momento em que o 'estilo' passou a ser a palavra-chave no comportamento dos novos estilistas. Karl Lagerfeld está além, sobreviveu à extinção dos 'grandes' e está eternizado entre eles. E tudo isso é muito, muito chique.

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