terça-feira, 17 de abril de 2007

Moda - Galliano Entra Na Minha História | John Galliano



Admito que no começo, ainda sem nenhum contato, eu não simpatizei com ele. Quando vi seu primeiro desfile para Givenchy e depois uma entrevista tão deslumbrada para a chique Marie Christiane Marek, pensei: "o John Galliano é a morte antecipada da moda." Eu estava enganado. Continuo estranhando seu estilo pessoal, que não é de nenhum bom gosto, mas reconheço que dessa 'embalagem', de forma inesperada, começou surgir uma sucessão de maravilhas artísticas na moda - na alta moda. Não há como viver de passado; os tempos mudaram. Quando Dior morreu, Yves Saint Laurent e seu jeito pudico, sensível e delicado o substituiu - eram outros tempos. Galliano assumiu a Dior com a sabedoria de entrar no clima dessa (pós-)modernidade, criando vestidos que nem sempre embelezam a mulher, mas que cada vez mais a tornam fantasiosa, 'inexistente' - afinal de contas, a tendência do mundo tem sido a de converter tudo para uma realidade fabricada: silicones e cinturas moldadas por cirurgias de arrancar costelas. Galliano gosta do passado e isso é uma estratégia ótima, suas criações revelam esse retrocesso tentando misturar essa contemporaneidade de todos os conflitos estéticos, ao luxo de 'antes' - um tipo de luxo reinventado com base num passado relembrado apenas com ar teatral nos desfiles, não nas 'ruas'. Galliano foi paciente, criativo e ganhou público por essa arte de estilizar o passado. É um paradoxo se transformar no mestre de uma área destruída. Essa destruição, porém, representou uma espécie de reencarnação da moda em algo perpetuamente convulsivo em busca da unidade impraticável - unir tudo que ficou separado: o jet set, o luxo, a elegância e os devaneios dos muito, muito ricos da nova geração. O sucesso de Galliano em meio às cinzas da moda, faz sentido tanto quanto qualquer mirabolante história da antigüidade. Seu sucesso baseia-se nas amizades, na lealdade, numa 'juventude' criativamente desafiadora, muita esperança e audácia. É, eu gosto do Galliano. Gosto de imaginar como foi difícil para ele ser aceito, ter de esperar o declínio para surgir e tentar fazer diferença quando ninguém mais estava tentando. Alguns tiveram de passar por urgentes transformações e se readaptaram, como é o caso de Karl Lagerfeld - que se mantém. Outros deixaram o sonho de lado, atitude extrema e movida pelo desengano com o desvio tomado pela moda - é o caso do meu predileto, Yves Saint Laurent, que prefeririu cuidar do instituto de moda. Diante de um mundo com essas turbulências que fizeram sumir a grande moda, o Concorde, os bailes black-tie em castelos onde grandes jóias eram usadas como uma questão de way of life e havia tanta beleza e luxo, é bonito notar que um dia John Galliano fez barulho na moda até que o mundo o notasse. Isso reforça a certeza de que a possibilidade por novidades, através de nomes e criações, ficará para sempre disponível para quem tem muito talento. Steven Robinson deve estar levando muita bronca de Christian Dior. Já aqui, na Terra, John Galliano continua no mesmo ritmo criativo e ousado. Para mim, rendido, isso é moda hoje.


Por Jamill Barbosa Ferreira

terça-feira, 3 de abril de 2007

Arte Jamill - Retrato Carmen Mayrink Veiga | Carmen! Carmen! Carmen!

Eis a minha paixão pela Carmen Mayrink Veiga: é a mulher mais bonita que eu já vi na vida e de uma simpatia tão admirável quanto sua beleza, inteligência e elegância. O Brasil é muito feliz por tê-la como representante no jet set internacional, o topo da pirâmide social. E não falo da "elite" maluca de hoje em dia não, eu estou falando do top. Carmen conheceu reis e rainhas, príncipes e princesas, artistas de Hollywood, gente famosa no mundo todo. Quando garotinha já era muito fotografada. Admirada, invejada, sempre foi tudo o que, em linguagem social, todas as socialites e emergentes sonham ser. E não há uma única pessoa da moda, que verdadeiramente ama e acompanha moda, que não ame a Carmen Mayrink Veiga. A alta costura sempre a cobriu da cabeça aos pés. Escreveu coluna para o Jornal O DIA, no Caderno Casa e Mulher, para a revista QUEM, apresentou o quadro Etiqueta no Programa de Domingo, na extinta TV Manchete. Fez palestras sobre comportamento, moda, savoir-vivre pelo Brasil. Autora do livro 'ABC de Carmen'. Convidada pela Editora Nova Fronteira, comentou e atualizou, para o Brasil, o mais importante livro de etiqueta do mundo: O Livro Completo de Etiqueta de Amy Vanderbilt. Amada pelo Harper's Bazaar, o Vogue dedicou uma edição inteira para ela, a Town & Country a publicou em 3 capas - a única mulher no mundo a ser tri na revista. A única brasileira citada na biografia oficial do mestre Yves Saint Laurent e listada por Eleanor Lambert, na Vanity Fair, como uma das 10 mais elegantes do mundo - está eternizada no Hall of Fame. É impossível uma pessoa de bom gosto não ficar deslumbrada diante da Carmen Mayrink Veiga. Eu sou 'tiete' mesmo, mas, só dela. Um dia eu disse para ela que pintaria seu retrato (na foto). A tela foi confeccionada por mim nos meus 13 anos de idade e reservada especialmente para a pintura. Demorou 8 meses, porque usei tinta óleo pura, sem solvente nem secante. O fundo é na cor marrom, porque a decoração da casa dela é baseada em cores cinza, branca e tons de vermelhos. A mão exageradamente alongada e com traços expressionistas chama a atenção do espectador, fazendo referência à minha admiração particular pela gesticulação tão delicada e elegante que, ao falar, ela faz com as mãos. Pela fotografia não se pode notar detalhes que pessoalmente são percebidos com mais clareza como os dedos dentre os negros e longos cabelos. Os olhos expressivos, com a 'atmosfera Carmen', enfrentam o espectador com muita tranqüilidade. Mesmo com todas as jóias que ela tem, a beleza natural é o suficiente. O quadro mede 40x50cm, tem moldura barroca dourada e, desde que ficou pronto, está na casa dela, no Rio de Janeiro. Uma das maiores alegrias não foi apenas retratar meu ídolo, uma das maiores alegrias é por que ela, a mulher mais elegante do país, sabe de minha grande admiração. Para mim, Carmen Mayrink Veiga está no topo da suprema dinastia da elegância. Quando ela nasceu, a elegância ganhou forma brasileira.

Fotografias: Carmen Mayrink Veiga clicada por Mário Testino para Vogue francesa em duas situações diferentes (em casa e num baile black-tie), Carmen Mayrink Veiga com o príncipe Charles e a princesa Diana e o Retrato pintado por mim "Carmen Terezinha Solbiati Mayrink Veiga".