segunda-feira, 16 de julho de 2007

Moda - Bom Gosto Contemporâneo | Nicolas Ghesquière


Ele é um dos homens mais chiques de Paris e um craque em matéria de moda. Perseverante ao extremo, Nicolas Ghesquière, enviava croquis de vestidos para várias casas, até que entrou para a Agnès B. Foi, também, assistente nas criações de Jean-Paul Gaultier. Depois, em 2000, quando 'estourou' na Balenciaga, a imprensa começou a perceber do que ele realmente é capaz. Ele turbinou, com muito bom gosto, a grife. Mas isso não começou aí, vem de antes, quando aos 21 anos entrou para o time Balenciaga. Gosto muito do estilo dele e do estilo que ele cria para os outros. Vestidos absolutamente atemporais, seguindo uma tendência da moda que agrada e marcou grandes pontos, como a alta costura de Yves Saint Laurent que não apenas foi feita para a mulher de 20 anos, como também para a mulher de 100 anos. Eu acho isso muito inteligente. E Nicolas Ghesquière tem esse jeito todo. Ombros perfeitamente alinhados, como gosto, com tecidos 'chamativos' aliados à cortes e comprimentos modernos. Ele é o criador perfeito para as ricas modernas, cosmopolitas, descendentes de poderosos nomes, bonitas por natureza ou por plásticas, decididas. Jamais deslumbradas. A moda não é apenas tecido, é também alma e é isso que a cliente 'top' busca numa criação: enaltecer sua alma. Mesmo os criadores mais 'fechados' sempre deixam escapar um toque de modismo, algum movimento desconexo, incompreensível, infrequente, com que tentam dar forma ao que sentem diante dessa insensatez na moda. Não estou dizendo que seja ruim ousar, mas o importante é saber dosar. Nicolas Ghesquière tem essa medida exata, de forma que sem esse dom natural e essencial num estilista, costureiro e criador, a moda seria movida apenas pelo instinto comercial, não teria, apesar do luxo, a camada de glamour, imaginação/criatividade e refinamento que só um criador com muito temperamento e personalidade pode imprimir numa criação. Só de você olhar a cara do Nicolas Ghesquière, já tem tremenda segurança em usar o que ele cria. Ele sabe do próprio valor e isso é muito, muito chique.

[Fotografias: Nicolas Ghesquière e Anna Wintour; duas de suas criações printemps/été 2006 (abaixo) e 2008 (acima).]

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Moda - O Café Requentado de Galliano | Os 60 anos da Dior

A comemoração dos 60 anos da Dior e dos 10 anos da 'criação' de John Galliano para a grife, segunda-feira 02/07/2007, na Orangerie do Palácio de Versailles, aconteceu em clima de fantasia e luxo fabricados. O grupo LVMH, que comanda a grife, se esforçou. Mas, apesar das caras e bocas do John Galliano, posando para as fotos e envergando seu estilo chamativo em fantasia de toureiro dourado e azul, nada do que foi usado pelas modelos foi verdadeiramente uma novidade. O toque contemporâneo ficou mesmo por conta das maquiagens - e olhe lá (!). A não ser que o espectador seja novato, é impossível não comparar detalhes gritantes do que foi apresentado com o que já veio antes - muito antes - sob outras assinaturas. Na platéia, dentre outros convidados e com olhar atento, estava o chique Pierre Cardin. Tudo bem, nem seria nada demais se muito de tudo relembrasse unicamente a Dior, a 'identidade' Dior, porque o evento foi para isso. Mas, a comemoração fez um aparente circuito por outras maisons. Olhando, de cara você aponta como uma criação 'desse' ou 'daquele', a 'identidade Dior' se misturou. No meu primeiro contato com a alta costura, ainda adolescente, lembro-me perfeitamente de uma coleção assinada por Christian Lacroix que certamente foi 'a base' para o vestido usado pela Linda Evangelista. Na verdade, esse evento da Dior foi um balaio de criações já feitas por outros costureiros e copiadas por várias maisons com o passar dos anos. Gisele Bündchen, linda como sempre, incorporou um 'ar' de Ava Gardner num preto que mais parecia um Yves Saint Laurent - a base é o Tailleur Bar que Christian Dior fez, com mudança nas medidas do saiote, desta vez no estilo lápis. A propósito, a inspiração para os 45 modelos desfilados foi uma 'viagem' pelas artes: Rembrandt, Monet, Picasso, Velázquez, Goya, Boldini, Sargent e Renoir. Para quem não sabe, até a inspiração temática é uma das principais características de Yves Saint Laurent, que sempre inspirou-se nas pinturas para compor suas criações. O vestido apresentado por Naomi Campbel lembra, e muito, uma criação de Karl Lagerfeld no fim dos anos 80 para Chanel. Sem falar em muita coisa que 'veio' de Givenchy, Ungaro. É fato que a Dior, liderada por um grupo poderoso, fez um evento luxuoso, mas foi tudo um grande desenho em papel carbono. Essa 'receita', de reviver a moda, também 'visitou' o desfile da Chanel, na terça-feira, com muitos cetins, plumas e paetês, mas isso já é outra história. A alta costura mudou muito nos últimos anos, a economia mudou e as compradoras diminuiram muito. Porém, com exceção da nova-rica, que é a parte deslumbrada e fantasiosa da clientela, a outra parte tem a mulher que vem de um grupo que sempre consumiu alta costura. E aprendeu com a mãe, com a avó. Então, talvez o Galliano esteja testando uma 'mudança' com base no passado, com finalidade de agradar gregos e troianos. Só ele sabe. Afinal, para a LVMH, o que importa é vender muito. Mas, de novidade... nada.