terça-feira, 25 de setembro de 2007

Moda - O Vestido e o Choque de Geração | Yves Saint Laurent

Desfilava no Hotel Intercontinental, em Paris, a coleção primavera-verão, ano 2000, da alta costura de Yves Saint Laurent, tudo parecia comum na coleção Le Jour in Saharienne, Le Soir in Gitane, a repetição bem-vinda, o bom gosto de sempre. Observo, então, quase hipnotizado, a entrada da Laetitia Casta, que trazia toque moderno e 'atrevimento' no espaço daquele que para mim é o maior nome na moda do Século XX para frente, numa tentativa apressada de entrar no novo ritmo da moda de hoje. O vestido de noiva, em plumas brancas, que foi apresentado como pura obra de arte, jamais para uma cerimônia, quebrava todos os protocolos, tinha atmosfera ousada. Muitíssimo bem representado e encenado pela linda modelo. Apesar disso, o vestido aparentemente simples, tornou-se um dos alvos na minha lista das mais belas criações da alta costura. Afinal, era impossível YSL não sofrer transformações ao longo de tantos anos. Mas, também deixou claro que a mudança, apesar de chique, atrevida e atraente, não vingaria, por ser caminho sempre evitado pelo costureiro. E que Yves Saint Laurent estava declinando. Um ano e duas coleções depois, ele parou. O vestido marcou o futuro que não houve e o começo do distanciamento de um luxo tão nababesco que, agora, ou você tem ou não tem.

por Jamill Barbosa Ferreira

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Moda – Um pouco de Valentino e de Alta Costura | A Aposentadoria de Valentino Garavani

A primeira vez que vi desfile do Valentino Garavani, a Nadja Auermann desfilava um vermelhão cheio de babados, pensei: “ele faz a mulher sexy”. Para vestir um Valentino com a competência sonhada pelo criador, a mulher precisa ter allure, finesse, aplomb e glamour. Mas, agora, com a publicação da aposentadoria, Valentino que está habituado aos aplausos saison após saison, cansou-se dessa repetição de um velho filme – mas de muito bom gosto. Num mundo em que a alta moda, a verdadeira, regida por costureiros que desde sempre respiraram o mais puro e delicado ar de perfeição, conforto e luxo, preferiu ficar na gaveta, esperando cessar a bagunça de exageros e deslumbramentos dessa nova alta moda. Não é um bom momento para a moda. A legítima alta costura era uma coisa tão luxuosa, que só por saber o que você usava de roupa, automaticamente já se imaginava sua personalidade, temperamento. Havia a mulher YSL, a mulher Valentino, a Givenchy, enfim... Essa escolha era feita de acordo com a inspiração e preferências dos estilistas e da criatividade deles na incorporação dos recursos da moda em suas criações artísticas – porque alta costura era arte. Então, a mulher baixinha que se incomodava por ser baixinha, ela recebia decotes em V (que alongam o pescoço), acessórios menores para causar efeito visual favorável. A mulher que tinha pouco seio era coberta por criações sem decote (visualmente aumenta o busto). Era uma profusão de recursos, soluções para cada tipo (físico e personalidade) de mulher - de homem também, em outra linha. Tudo isso junto formava a alta costura, a roupa sob medida, exclusiva, inimitável. Na moda de hoje há uma mistura de tudo, os recursos não são mais usados nem explicados corretamente. Nasceram as fashion-victims. E então, as pessoas mais apressadas (o mundo exige pressa) preferem o bisturi. Param de comer. Adoecem. A beleza na moda transformou-se numa 'ditadura', num sistema baseado em seguir não mais a roupa, que era feita de acordo com as preferências e necessidades, mas pela obsessão de querer ser exatamente idêntica à modelo de passarela. Afinal, só assim, e teoricamente, tudo o que é mostrado ficaria bem. O resultado poucas vezes agrada a personagem dessa ilusão; na maioria das vezes as fashion-victims mergulham em crises depressivas e acabam tristes, artificiais... Sem volta. Eu espero que essa fase da moda acabe passando, assim como passou o Século XVIII com aquelas perucas com mais de 5 metros que era preciso haver empregado (vários, se precisasse) para equilibrar, com grandes garfos, essas gigantes perucas nas cabeças mais ricas e nobres da França. Ou, mais tarde (anos 70) e num tom terrivelmente cafona, quando apareceu a moda do gel com gliter, do vinil verde-limão. Eu realmente espero que a moda de hoje passe. Estou muito triste com o aviso da aposentadoria do Valentino, mas sinto-me honrado por viver no Terceiro Mundo e mesmo assim ter tido tempo e oportunidade para vestir sua grife, mesmo prêt-à-porter, conhecer sua moda. Então, sempre que eu quero fazer charme e não passar despercebido - Como se, no Brasil, uma pessoa de 1,90m pudesse esconder seu caminho – trato de envergar um Valentino bem bonito. Afinal, o que é forte e de qualidade, é eterno. Agora... Quem vai ficar para apagar a luz?

sábado, 15 de setembro de 2007

Moda – Um Novo ‘Ontem’ à Frente | John Galliano

Fúcsia. Eu sempre gostei dessa cor. Pouca gente usa no Brasil, nem sei o motivo, vai ver é falta de prática. É sempre uma cor que desperta, na moda, o amor platônico: namorar a roupa pela vitrina, pela revista, pela televisão. Mas usar que é bom, poucas mulheres que topam. E se não é pela cor, é pela modelagem: atualmente tudo tão justo, mínimo. Hoje em dia é tiranizante a obrigação de você ser magra para entrar na alta moda – mas, permita-me uma digressão, você tem de saber que se uma mulher, mesmo que seja um trovão de gorda, se ela quiser um vestido da alta costura, ela o terá. Todo mundo me escreve e exige: “Jamill, elogia o Galliano!” Minha gente, não é fácil... Mas, também não é impossível. O John Galliano pode ter errado em muita coisa, mas nessa criação fúcsia (cor magnífica), os erros, mínimos e não menos importantes por isso, resumem-se à produção: pernas sem as meias (opacas) e os sapatos – uma coisa tão nova-rica (!) no Estoril. Eu preferiria ver sapatos (de salto alto) fechados ou algum 'sapato-meia' - apresentados pelo Alexander McQueen assinando Givenchy nos anos 90. Com as meias e os sapatos fechados, aí sim a nota seria 10. Mas chega perto. É um Galliano ideal para assistir casamento, jantar, enfim: quando o homem tiver de colocar terno completo. Obviamente que a cliente pode escolher o comprimento que quiser. O luxo fica por conta do tecido acetinado e do corte; as mangas justas também. É também muito fácil, porque nem precisa por jóia e a maquiagem pode/deve ser mínima. A cabeça, que é apenas acessório do show comercial do desfile, pode sim ser usada pelas corajosas. Por favor, perdoem-me os gallianistas, mas Yves Saint Laurent já fez essa criação, de modelagem idêntica. Essa criação, YSL apresentou na coleção outono/inverno - 98/99 (acho que o Galliano tem revisto muito esse desfile). Na versão YSL, a blusa é em musselina, modelo idêntico. Mas, justiça seja feita, ele não fez isso sozinho. Bill Blass também tem buscado nas casas Givenchy e Dior de ontem a inspiração para muita coisa no ritmo da Jackie Kennedy Onassis. Bom, Manuel Bandeira dizia “tudo é milagre”; na moda do Galliano é carona – está sendo. Mas que ele acertou, acertou. Aplausos para ele, por favor.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

'Movimento: Vale a pena ler de novo' | Meme

DIANA VREELAND: LUXO E ELEGÂNCIA - 2005
[Reescrito - 2007]


Diana Vreeland (1906-1989) foi uma mulher exuberantemente luxuosa. De cabelos pretos e curtos, a pele era branca e maquiada. Uma atmosfera vermelha: batons, esmaltes, paredes de casa, paredes do escritório. Tudo vermelho e luxuoso. Ela viveu intensamente o presente, não o passado ou o futuro. Fazia exatamente o que lhe dava prazer em estilo, moda, porque tinha temperamento forte e sabia que agradava sendo exatamente assim, tão natural. Sua história mostra toda a carga que ela teve de suportar para não se deixar abater quando, por exemplo, sua mãe a comparava com a irmã ou a rotulava de "feia". Talvez, daí tenha surgido toda a força do seu temperamento e a convicção de que era necessário formar sua personalidade baseada em tudo o que ela própria queria que fosse, não interessava beleza ou comparações.Para Diana Vreeland, interessava autenticidade e peculiaridade. E para isso ela só precisou ser ela mesma. Mme Vreeland não seguiu nada nem ninguém e refletiu para as mulheres a capacidade de cada uma assumir sua própria humanidade, despertando a beleza individual. Ela não se preocupou em se amargurar e se recriminar por acontecimentos do passado, também não lhe interessava perder tempo imaginando o futuro. Ela viveu o seu presente. E é aí que está a graça. É aí que está a imortalidade da chique Diana Vreeland, que trilhou naturalmente um caminho de glamour: por 25 anos foi editora de moda da Harper’s Bazaar, em seguida assumiu a diretoria da Vogue. Em 1971, quando deixou a Vogue, tornou-se consultora do Costume Institute of the Metropolitan Museum of New York, organizando exposições de estilo e moda que permanecem e sempre serão comentadas. Autora de D.V. (foto), sua autobiografia - que sem querer comparar, mas já comparando: tem a mesma fórmula da primeira edição do brasileiro “Dener, O Luxo”, publicado originalmente em 1972 pelo estilista Dener Pamplona de Abreu - é um livro muito divertido, cheio de tiradas ótimas e acontecimentos aparentemente regados por muita fantasia, mas não menos reais por isso. Que vale a pena qualquer pessoa que goste, consuma ou estude moda ter um em casa. Além de DV, o mito Diana Vreeland também escreveu Allure, que inclui ‘estudo fotográfico’ com Greta Garbo, por exemplo. Também escreveu sobre Yves Saint Laurent, a moda de Hollywood, colaborou com livros sobre grandes nomes da moda, do jet set e do cinema, além de produzir belos catálogos para o Metropolitan Museum e exposições fotográficas e de moda pelo mundo. Novamente volto ao ponto da despreocupação com o passado e o futuro. O tempo, que só apaga e desfaz, praticamente apagou a visão de Diana Vreeland nos seus últimos meses de sua vida ("os meus olhos cansaram de ver tanta beleza", teria declarado), mas o tempo não desfez e nem desfará sua lição de estilo para o mundo.

Post referente ao Meme (Movimento entre Blogs “Vale a pena ler de novo”). Repostagem e reedição do texto original “Diana Vreeland: Luxo e elegância” por Jamill Barbosa Ferreira (Publicado em 15 Março 2006, Rio de Janeiro).

Movimento entre Blogs “Vale a pena ler de novo” - Meme


Informações:

1 – Qualquer blog convocado pode participar;
2 – O blogueiro que participar deve escolher entre os textos postados de sua autoria o que mais gostou e então republicá-lo. Pode trocar foto e modificá-lo de algum jeito;
3 – Exibir o texto: “Movimento: Vale a pena ler de novo” no ‘post’, para identifica-lo como participante, juntamente à essas regras;
4 – Convocar mais 5 blogs para esse movimento colocando os links deles no seu post republicado.
5 – Caso seja convocado mais de uma vez, se quiser, o blogueiro pode republicar mais algum ‘post’ de sua escolha.

Idealização: http://www.oticamiope.blogspot.com/
Indicação:
www.claudialis.blogspot.com