quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Moda – O Homem Chique, Muito Chique, Chiquérrimo | Valentino em Primavera/Verão 2008

A primeira vez que escolhi, sozinho, um blazer para mim, foi um modelo marrom de Valentino. Eu nem estava preocupado com a questão do marrom ser uma cor discriminada na moda – porque na antiguidade os serviçais nos castelos usavam uniformes marrons – e até hoje eu uso muita coisa dessa cor. Nunca me importei com isso. Eu sempre gostei de marrom, e sempre gostei das criações assinadas pelo Valentino. Mais tarde, descobri os grandes ombros e lapelas de Yves Saint Laurent, mas isso já é outra história, gosto das criações e dicas vindas dos dois. A mais nova coleção do Valentino para o verão Europeu é de um luxo simplificado. Clássico. Os comprimentos são duma perfeição tão fora de série, que dar vontade de você comprar tudo. Ombros equilibrados, calças até o ‘peito’ do pé. Mocassim sem meias. Blazers e paletós com dois ou três botões. Simplesmente o básico para qualquer cidadão cosmopolita circular da América do Sul até o extremo Oriente. As cores também são bem bonitas; e quem tem calça em tons de vermelho, saiu muito no começo da década de 90, já pode voltar a usar, suavemente ajustada à perna, com combinações em bege, creme, cinza. Não tem homem que fique visualmente deselegante com uma roupa Valentino. Então, você pára e pensa: “Mas essas roupas são pesadas, eu vou fritar no calor tropical”... Impressão sua. Pode ate parecer que isso vai acontecer, se você é marinheiro de primeira viagem em moda; mas se fosse assim, não faria sentido o Valentino ser o mestre que ele é na moda. Eis uma vantagem de comprar uma boa assinatura. Os tecidos mudam de uma estação para outra; para o calor brasileiro, nada mais adequado que tecidos baseados em algodão, linho. Alguns com poliéster para não marcar muito. Os tecidos estão cada vez mais modernos e inteligentes, muito resistentes, confortáveis e suaves. E se você não vai comprar as criações do Valentino, pode pelo menos seguir as idéias de cores. Mas uma coisa é obrigatória: preste atenção nos comprimentos. A não ser que sua moda seja uma coisa malamanhada.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Click & Exposição - O Furor Nas Curvas da Beleza | Marilyn Monroe

Está quase passando a exposição das fotos da Marilyn Monroe no MAM-Rio e se você não foi, trate de ir ver, porque é uma coisa assim, bem bonita. Achei esquisito que as fotos foram retidas na chegada a São Paulo, enquanto tanta coisa que verdadeiramente não deveria entrar neste país continua entrando. Bom, voltando à exposição... Nua, em lençóis brancos e musselinas, com um ar bem sofisticado. Em nada aparece um único sinal que revele sua tão comentada tristeza nem seus problemas; pelo contrário, ela aparece suavemente sorridente. Tinha duas belas fotos com roupa - num vestidão preto, por exemplo. Clicadas pelo fotógrafo Bert Stern, as fotos foram feitas 1 mês antes da misteriosa morte da atriz e as imagens passam mesmo uma coisa bem ‘íntima’, digamos. Porque, não havia grande produção de nada na época, 1962, nem interferência no resultado das fotos. Não é a toa que ela até hoje é listada como uma das cinco mulheres mais sexy do mundo, porque é mesmo um mito, uma coisa imorredoura. Do Rio, a exposição vai para São Paulo. Ainda tem tempo para quem não viu. Vai perder? Não vai.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Moda - Masculinidade Moderna e Engordativa na Moda de Karl Lagerfeld | O Homem Chanel

São muitos e-mails que chegam pedindo para comentar moda masculina. Pois bem, aqui vamos nós... Muita coisa bem bonita na moda masculina em Paris. Com exceção de uns detalhes aqui e outros ali, eu gostei do que Karl Lagerfeld desenhou para os homens – sim, porque Chanel não é só para mulher. Até agora são poucos estilistas que fazem para os homens uma moda verdadeiramente masculina, que atrai mais clientes, sem vagar pela androginia. Eu, por exemplo, sou bem clássico com relação a isso e gosto quando vejo um resultado que não inova muito o armário do homem – mas, admito que acabei adotando os cromados blazers de Givenchy. Essa coleção da Chanel, especificamente, é formada basicamente por branco, azul e preto. Golas grandes, largas. Calças largas demais – nada que um ajuste não resolva. E aposto que o próprio Lagerfeld não usaria uma calça branca tão larga, que engorda e ainda mais caindo em cima do sapato, parecendo barra italiana que causa a impressão de menos altura. Por falar em Lagerfeld e tecidos folgados, sempre achei que a peça que mais combina com ele é o caftan, mas jamais o vi vestindo um. Voltando a coleção, achei feio o símbolo do dollar em algumas peças (blazers) – ficou uma coisa tão cafona, igual usar mala nova em viagem. A peça mais bonita que vi foi o macacão jeans, mesmo assim lá estava o cifrão. Então, vamos para a análise individual:
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1 – Esse é o macacão que eu gostei e que adotei. Muito confortável, não tem complicação com acessórios, é uma peça bonita. As estrelas, que marcam a coleção, por dentro. Os sapatos prateados são bem bonitos - quem me conhece vai ficar abismado com esse comentário, porque eu só uso sapato preto ou marrom, mas desses prateados eu gostei. Enfim, essa produção ficou toda bem bonita, moderna;
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2 – Gostei desse blazer 'Wally' (Onde está o Wally?), porém, é mais um sinal de que o Kaiser criou uma coleção para engordar os homens. Listras horizontais, todo mundo sabe, deixam a pessoa mais larga. Eu adoraria que na época que estive gordo, essas coleções tivessem aparecido, mas não aparecia nada. Agora que estou um vara-pau, lá vem o Lagerfeld com essa mania. Vai entender, né? Mas, atenção: não há nada de errado em ser gordo, desde que a saúde esteja bem. Felizmente, há na moda recursos ótimos que deixam os gordos bem elegantes, o que não é o caso desta coleção;
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3 – Agora aqui sim está a cara do Karl Lagerfeld. Não há nenhuma novidade na produção, mas gostei dos ombros. A calça com a barra caindo em cima do sapato, parece até que pegou o número errado. Mas, ta valendo... Agora, note a camisa com as atrevidas listras horizontais justo na barriga (!). Só pode ser provocação; não é, monsieur Lagerfeld?
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4 – Uma camisa listrada (vermelho e branco) ficaria bem melhor que essa camisa branca. Não sou muito fã da mistura de branco com preto. Ou tudo branco, ou tudo preto. Mas, nada é proibido. O que não me agrada é a largura dos canos da calça que desaba em cima do sapato. Mas fica ótimo em quem é muito alto e magro e se incomoda com isso;
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5 – Muito branco, peças largas e listras horizontais: engordar o homem. Porém, um detalhe que bate de frente com a intenção da roupa: a enorme gola em V que aumenta a linha do pescoço e aparenta mais altura. O Karl Lagerfeld parecia estar brincando quando fez essa coleção;
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6 – Não gostei desse. Mas se fosse sem gravata, com uma jaqueta (mesmo listrada) e sapatos prateados ficaria um look mais bonito, em sintonia com os outros. Uma observação muito importante é que só põe gravata quem vai usar terno. Só camisa e gravata, não;
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7 – Também não gostei. Apesar do jeans, que é muito confortável hoje em dia, parece que a intenção era criar o pijama do Tio Patinhas.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Moda - Belo Efeito Com Facilidade | Louis Vuitton

Quando vi esse modelo de Louis Vuitton eu achei uma beleza – lurex e lamé. A idéia não é nova, mas os tecidos sim. Se você parar para pensar, roupas nessa atmosfera trazem um ar dos filmes do Hitchcock. O mais bonito está, antes de tudo, nos comprimentos e depois na coordenação de cores, tecidos modernos. Gosto muito do dourado misturado com tons de verde e marrom. Igual ver uma mulher com vestido vermelhão e jóias de ouro com esmeraldas. Apesar do brilho, é look para o dia. Mangas levemente ajustadas com um cinto que marca cintura. Nem precisa de jóia. Eu penso que está voltando o interesse das mulheres pelo corpo violão. Pelo menos é o que tem parecido quando vejo a volta de roupas que marcam cintura (o cinto faz essa função), aumentam a 'cadeira' (a saia bem dourada se responsabiliza pelo efeito) e o peito (toda roupa sem decote, automaticamente causa impressão de mais busto). Isso é muito bom. E com uma roupa assim, a mulher bate São Paulo, Londres, New York e Tokyo; porque é o tipo de roupa que entra no vestuário de mundo. Será que é sinal de que o bom-gosto aliado aos recursos em produção, que enaltecem o corpo dispensando as cirurgias plásticas, estão voltando à moda? Tomara que sim.

domingo, 18 de novembro de 2007

Moda & Livro – 'O Modismo Dos Livros Sobre Moda' | Coleção Moda Brasileira

A Cosac Naify lançou 5 livros sobre os considerados mais influentes estilistas brasileiros (Lino Villaventura, Walter Rodrigues, Alexandre Herchcovitch, Glória Coelho e Ronaldo Fraga), chama-se 'Coleção Moda Brasileira'. Eu gostei do resultado, adoro o trabalho do Walter Rodrigues; só que, dos cinco, o que mais gostei foi o livro sobre o Lino Villaventura, porque ele para mim é o maior estilista brasileiro de hoje. Tem estilo próprio e faz criações muito bonitas para homens e mulheres, figurinos para televisão, shows, cinema. No livro tem até fotos daquela famosa naja bordada com cristais swarovski que é uma verdadeira obra de arte do Lino Villaventura. Muita coisa não é novidade, como a história da transição do Alexandre Herchcovitch de uma moda underground até a de hoje que é apresentada em New York, lojas no Japão. Os livros sobre Glória Coelho, Walter Rodrigues e Ronaldo Fraga também trazem essa importância da identidade própria na criação e os universos distintos e interessantes – senão não faria sentido que os livros fossem feitos e publicados. Eu acho que a coleção ficou bem bonita e toda documentação é importante, sobretudo na área de moda, que até hoje no Brasil isso é uma coisa bem crítica, pois nunca apareceu um trabalho que mostrasse o Dener Pamplona de Abreu unicamente como profissional, por exemplo, com suas técnicas e detalhes de criações, tudo que aparece em torno dele faz referência apenas ao personagem público criado pelo próprio Dener e que é rotulado de fútil e afetado. Achei ótimo que a Cosac Naify também disponibilizou espaço aberto para que colaboradores enviem materiais e complementos informativos para a próxima versão do “Dener, O Luxo” – baseado no original de 1972. Esse primeiro, dos anos 70, que foi escrito pelo próprio Dener, é repleto de fantasia, ideal para curiosos, mas acaba não sendo de grande utilidade como material de pesquisa acadêmica para os estudantes de moda. Há muito mais para ser dito sobre o Dener e eu espero que as editoras atentem para isso e que façam livros com suas técnicas, forma como ele fazia moda, análises de suas criações, tudo em torno de sua profissão. Muitos estudantes de moda nem têm idéia de quem foi o Dener, porque pouco se pode aprender com seu exemplo profissional. Também cito o trabalho na moda feito pelo Clodovil Hernandez, grande personalidade brasileira e atualmente deputado, mas que pouca gente conhece as criações de moda dele, sempre tão bonitas e cuidadosamente bem-feitas. É uma infinidade de riquezas. A Cosac Naify está de parabéns pelo interesse na preservação de todas essas informações sobre a moda e pela tentativa de resgatar informações sobre a moda de ontem, que é muito importante para a história brasileira nesse setor.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Filme & Moda - Personalidade e Anatomia no Vestuário de 'Sin City' | Estudando o Figurino

Sin City é filme com corpos esculturais. Então, nada mais natural que siga um dos pontos mais fortes na visão contemporânea da moda, que é exibi-los. E o guarda-roupa feminino é atrevidamente anárquico. Um exemplo é a personagem Gail (Rosário Dawson), com toda aquela beleza, suspensa em salto agulha e com correntes e armas, fazendo da roupa um reflexo de sua coragem, liberdade e individualismo. Tudo muito erótico... Bom, vai depender de como você quer ver a personagem: sedutora ou livre. Uma observação importante, presente no filme, é que os penteados refletem muito do temperamento das personagens. Gail e a garçonete Shellie (Brittany Murphy), por exemplo, têm os rostos livres da interferência de uma franja ou de mechas. Isso causa impressão de um temperamento corajoso e destemido. Mas, não é uma estratégia usada apenas em filmes, é um recurso para o dia-a-dia – de acordo com sua personalidade na vida real. Personagens mais ‘suaves’ como a dançarina Nancy Callahan (Jéssica Alba), com aquele corpo escultural, com um ar de doçura e fragilidade por conta da franja no cabelo; em alguns momentos, a garçonete Shellie toma uma identidade confusa, que também é revelada pelo penteado. Tudo em torno de um vestuário mínimo de lingerie, gabardine e peças andróginas que mexem com a imaginação. Assim como uma das mais interessantes personagens, a samurai Miho (Devon Aoki), com seu estilo oriental, legging, sapatilhas e maquiagem, tudo muito atual, com mais tecidos sobre o corpo e não menos sexy que suas amigas. O filme é uma constante troca de identidades e tudo isso é revelado através das roupas e acessórios. O figurino feminino é atrevidamente sexy, fugindo do charme da provocação sem malícia. Então, você me pergunta em qual época da moda viveria Sin City (?). A resposta não é outra senão a época de hoje, afinal de contas a maior parte das mulheres da vida real acabou aderindo a um grau de insatisfação estética com a moda, como se os recursos e tecidos utilizados não tivessem mais tanta importância diante das soluções cirúrgicas (silicones, retirada de costela, etc.), dessa maneira, as peças diminuíram, os decotes e fendas aumentaram, revelando corpos esculturais, que são o que há de mais buscado hoje em dia na questão estética através de exercícios e cirurgias plásticas. O vestuário masculino não muda muito, nem em filmes inusitados como esse. Sempre com sobretudos impermeáveis, seja de couro ou camurça com aplicação sintética, é tudo muito simples, mas com caimento perfeito. Ombros alinhados. Um detalhe ou outro que representa bem o estilo de ontem, como os sobretudos escuros, e o estilo de hoje, como o All Star vermelho do Dwight (Clive Owen). Apesar desses contrastes, muita coisa remete aos anos 40. Numa atmosfera ‘noir’. As roupas masculinas revelam uma função importante quando são apresentadas na penumbra, em instante de determinação do suspense, valorizando o papel de cada personagem. Apesar de ‘Sin City’ ser o apelido de Las Vegas, nos Estados Unidos, tanto os cenários quanto a inspiração para as roupas têm mais a ver com Nova York. E como ‘The Big Apple’, a moda em Sin City também varia muito, de forma despreocupada, criativa, muitas vezes ousada.
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Por Jamill Barbosa Ferreira, para 'Estudo Sin City', Florianópolis-SC

sábado, 10 de novembro de 2007

Moda - Acredite se Quiser, é um 'Ronaldo Ésper' | Naomi Campbel

Quando apareceu na Vogue a foto da Naomi Campbel correndo pela usina de açúcar no Nordeste, usando bonito vestidão, as pessoas todas achavam uma coisa inusitada. A surpresa maior veio quando revelou-se o estilista que assinou o vestido: Ronaldo Ésper. Muita gente acha que o Ronaldo Ésper é polêmico, que ele faz uma moda “clássica demais”, o que seja; mas que esse vestido ficou fenomenal, ficou. Já vi de perto alguns vestidos para noivas assinados por ele e é tudo um trabalho bem bonito. Só não concordo com os decotes. Agora, esse vestido usado pela Naomi é bem luxuoso e feminino, com meias e sapatos fechados então, aí fica ‘super’. Atualmente tenho notado que as mulheres estão cada vez mais masculinizadas, poucas são vaidosas hoje em dia e há pouco interesse pela produção. Acho isso uma pena, porque a mulher tem de expressar feminilidade, todo o charme de tudo o que uma mulher pode ter. Recentemente fui jantar fora e me surpreendi quando vi entrar no restaurante uma mulher lindíssima, magra, com tubinho de tafetá, salto bem alto, meias e um cabelão bem bonito, descobrindo o rosto. Brincos bonitos. Biótipo e produção perfeitos. O movimento do cabelo, a delicadeza dos gestos, era tudo muito feminino, muito chique – porque era com naturalidade. O rapaz que estava com ela parecia encantado; mesmo que não estivesse encantado, seria impossível resistir ao encanto de tanta feminilidade num mundo que atualmente anda tão masculinizado. Todo homem ficaria orgulhoso ao lado de uma mulher assim: feminina, delicada, que usa do que pode para realçar sua beleza. A produção conta muito e o vestido usado pela Naomi, correndo pela usina, imprime feminilidade e poder à imagem de quem o usa.
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Fotografia: Naomi Campbel para Vogue.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Televisão - Gioconda no Estilo Carmen Mayrink Veiga e Lenir no estilo Hildegard Angel | Marília Pêra e Guida Viana na Novela ‘Duas Caras’

Quando fui avisado sobre a Gioconda, personagem de Marília Pêra na novela ‘Duas Caras’ (Rede Globo), logo tratei de ligar a televisão e ver – um dia, dois dias, uma semana. As revistas confirmavam e eu achei que faz um pouco de sentido. O estilo da personagem é inspirado na jet-setter Carmen Mayrink Veiga. E a amiga da Gioconda, a Lenir (Guida Viana), é inspirada na Hildegard Angel. Mas, atenção, as semelhanças ficam só no estilo visual (roupas, cabelo, jóias, maquiagem) e mesmo assim, muita coisa não combina de verdade. A Marília Pêra imprime à Gioconda um temperamento sutilmente atrapalhado e cômico, isso também acontece com a Lenir. Outro papel na televisão com inspiração na Carmen Mayrink Veiga foi a Laila, interpretada por Christiane Torloni, em ‘Um Anjo Caiu do Céu’ (2001), também na Rede Globo, e novamente a semelhança era no estilo visual – saiu, na época, uma matéria na revista Elle. Papéis como Gioconda, inspirados numa mulher tão deslumbrante e encenados por atrizes como Marília Pêra, merecem mesmo ser chamados de especiais.