quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Alta Costura – Primavera-Verão 2008 1/2 | Chanel, Dior, Givenchy e Lacroix

PARIS - Sempre que a semana de apresentação da alta costura francesa está próxima, surge em mim uma expectativa pela sensação do prazer em ver as criações, a beleza, a arte. Em geral, a surpresa sempre existe; hoje em dia, beirando a decepção. Até agora, acompanhar esta coleção primavera-verão 2008, só tem dado tristeza. Hoje em dia nem mesmo as modelos dão um ar de beleza aos desfiles, porque elas quase não têm mais charme. Karl Lagerfeld fez, para esta estação, uma das coleções mais feias que eu já vi em alta costura. Sou do Lagerfeld, mas essa coleção não tem como deixar passar... Porque está uma coisa muito desengonçada, ou, como sempre digo: malamanhada. A situação do que ainda sobra da alta costura, é bem complicada.
John Galliano novamente veio com aquela receita repetitiva, e todas as criações são sempre uma re-modelagem da coleção anterior dos vestidos armados para cima ou para baixo, ou muito justos, ou uma coisa sereia com plataformas, dessa vez com uma cara de anos 60 e com as modelos posando da mesma maneira de sempre: se entortando com mãos na cintura. Previsível... Previsível e repetitivo demais... Depois a Givenchy, marca originalmente francesa que está assinada pelo italiano Ricardo Tisci, com coleção visualmente muito simples. O melhor desses 2 primeiros dias ficou mesmo por conta de Christian Lacroix, com uma coleção muito colorida com estampas e bordados, coisa moderna com base no século XVIII. Sempre muito chique – mesmo nessa exigência de moda cada vez mais maluca.
CHANEL - Karl Lagerfeld
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1 – É... Complicado comentar uma coleção como essa que o Lagerfeld fez para a Chanel. Não gostei, parece um pingüim halterofilista. Gosto de ombros alinhados porque afinam o corpo – note a primeira modelo à direita, na foto do Lagerfel, esse exemplo de ombro que gosto;
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2 – Até gostei desse vestido, mas tinha de ter produção com salto; jóias. É que essa coleção é muito simplificada, só mesmo aderindo aos acessórios para passar;
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3 – Talvez o Lagerfeld tenha visto o Peter Pan antes de se inspirar para essa criação. O que dizer? Uma coisa dessa só se usa mesmo na Terra do Nunca;
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4 – Apesar de curto, gostei desse vestido. Daí a mulher põe brincão, salto alto, meias e ficará muito bem;
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5 – Como é que eu vou comentar uma coisa dessas?! Raramente uma mulher vai ficar bonita nesse vestido. Prefiro não comentar.
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6 – Gostei desse que, como os outros, fica completo se aliado às jóias e salto. Adoro preto e o vestido está muito bonito em preto, mas se fosse estampado seria muito luxuoso – mais do que já é.

DIOR - John Galliano
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1 – O vestido mais bonito da coleção. Gostei desse efeito ‘confeito’, mas a produção com penteado do palhaço Bozzo é absolutamente descartável – que as fashion victims fiquem avisadas. Gostei muito desse vestido, pelo efeito ao caminhar – enchendo-se de ar – e também pelas cores, por tudo;
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2 – Gostei desse com estampa de pele de onça. Apesar de grande, tem estrutura muito simples e um efeito bem bonito;
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3 – Gostei mais das cores e tecido do que do modelo em si;
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4 – Uma descarada repetição da coleção Dior outono-inverno 2004 - em tecido mais leve;
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5 – Gostei do equilíbrio dos ombros, da saia. Não é uma criação que seja novidade na Dior assinada por Galliano. A cor é uma coisa dark, mas... É bem fashion;
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6 – Belo vestido. Gostei da cor, do saiote... Foge dessa moda de exibição física e tem essa armação na cintura que deixa a produção bem embonecada.
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GIVENCHY - Ricardo Tisci
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1 – As plumas, tudo é de uma técnica primorosa; esse vestido me lembra um cisne. Acho uma opção ótima para a debutante, quem faz 15 anos, e quer dar uma festa em black-tie com um toque bem moderno;
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2 – Uma bailarina gótica. Tem a atmosfera social novaiorquina... Perfeito para quem circula pelo mundo dos negócios que envolvem as artes, a alta moda;
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3 – Gostei desse modelo, até da transparência. Perfeito para um grande baile black-tie;
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4 – Calça justa demais e mangas folgadas demais. No mais... Gostei do equilíbrio dos ombros, da cor, da blusa com discreta transparência. Achei uma produção muito simples, nem parece alta costura... Hubert de Givenchy deve sentir muita tristeza quando ver tudo o que seu nome assina hoje em dia;
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5 – Gostei desse vestido meio espacial. Ombros bonitos, esse efeito de boneca espacial é bem moderno, bonitinho;
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6 – Um toque de dandyism. Gostei bastante porque já é uma coisa bem aprumada, equilibrada, elegante, justo demais – nem tudo é perfeito – mas muito moderno com esse toque de ontem.
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CHRISTIAN LACROIX - Christian Lacroix
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1 – Extravagante com essas cores e dobras. Um vestido muito bonito. Sapato fechado, meias, tudo perfeito – atual, mas perfeito;
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2 – A misturada de cores até pode parecer exagerada, é preciso lembrar que alta costura é, antes de tudo, uma obra de arte. E todas as cores combinam. Gostei muito, inclusive da produção. Num casamento da alta sociedade, como convidada (não como madrinha), uma mulher que pode usar alta costura, vai usar essa produção;
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3 – Novamente um vestido lindo, colorido, sem decote e apropriado para uma convidada (não como madrinha) ir assistir casamento em qualquer horário.
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4 – Vestido simplíssimo. Entra em qualquer ocasião black-tie;
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5 – Belo vestido. Ideal para madrinha de casamento ou mesmo mãe da noiva. Convidada não usa longo;
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6 – Bonitos bordados, a meia degradê também numa produção bem bonita e moderna, não é roupa novidade, é até muito simples;
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7 – Simples e bonito vestido, o tecido também ajuda muito. Com o decote devidamente fechado, fica muito bem para comparecer a cerimônias religiosas. É um vestido muito chique;
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8 – O mais bonito vestido da coleção, todo colorido. Perfeito para um super baile black-tie em qualquer grande salão do mundo;
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9 – Tem um ar romântico, cintura marcada, para quem é muito magra. Comparecer numa grande festa beneficente, receber um prêmio, dançar a noite toda. Uma coisa meio camponesa;
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10 – Muito bonito e chique, compondo-se no cetim e no vermelho e essa impressão de século XVIII, leveza e elegância. Ideal para uma festa black-tie, abertura de exposição num grande museu, galeria;
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A Noiva Lacroix - Linda e correta a noiva com saiote rodado e ar tão moderno. Correta por não ter decote nem fenda, nada transparente. As cores são muito belas também, como sempre o toque de arte usável, inovadora e correta de um costureiro que realmente tem os pés bem firmes nas questões estéticas e protocolares.

Um comentário:

sam drade disse...

e tu nem falou da simplória noiva do lacroix...hihihi*