sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Katoucha, a Magia de Uma Vida Que Acabou

Estou tristíssimo com a confirmação de que o corpo encontrado ontem, quinta-feira, no Rio Sena, é da ex-modelo Katoucha, de 47 anos. Sempre simpatizei com ela pelo jeito meigo, feminino e cativante que teve. Esteticamente falando, eu adoro a expressão dos olhos, nariz e o desenho da boca. Segundo a necropsia, Katoucha morreu afogada, sem sinais de violência e, portanto, é forte a tese de ter sido acidente. Quando ela sumiu, escrevi um pouco sobre o que ela representa para a moda, sobretudo para a alta costura de Yves Saint Laurent – e ela desfilava como uma princesa, interagindo com as roupas e girava sobre a passarela com um porte lindo. Fora desse cenário de glamour, sua luta era contra uma realidade sofrida na própria pele aos 9 anos, a mutilação genital feminina. Desenhei seu retrato em 2005 e, antes, seu rosto também foi inspiração para uma outra pintura minha, “Blasée” de 2003. Como fez à moda, a Katoucha também me marcou.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Moda – Figurinos no Tapete Vermelho do Oscar 2008 | E o Dez Vai Para...

Não adianta nada chegar de limusine – que, aliás, é um carro que só funciona para cerimônia do Oscar, em qualquer outra situação fica cafona – se não vai mostrar nada de exuberância. Tudo muito simples e sem graça nos vestidos que atravessaram the red carpet para a cerimônia de entrega do Oscar 2008 - o prêmio completou 80 anos. Houve desculpa de estar chovendo e enfim, o fato é que foi uma profusão de minimalismos, cabelos de chapinha japonesa ou aqueles penteados que você imagina um cabelo cheio de goma sem cachos exuberantes e nenhuma grande jóia – grandes grifes, mas nenhuma peça especial. Por outro lado, muitos decotes. Falou-se muito da Jéssica Alba com um vestido roxo Marchesa, ela estava muito bem. Daí todo mundo reclamando todo o tempo: “foi pela tensão gerada pela greve dos roteiristas durante as preparações”, tudo conversa fiada; os roteiristas não têm nada a ver com as roupas e jóias dos convidados para a cerimônia. E no meio dos convidados homens, todos de smoking – que é o traje apropriado para cerimônia black-tie – um ou outro com roupa que não tinha nada a ver, como Javier Bardem, Viggo Mortensen e Philip Seymour Hoffman, por exemplo. O que custa colocar a gravata borboleta? Onde estão os assessores dessas pessoas?! Uma tristeza. Por outro lado, a elegância da Cate Blanchett, de Dries Van Noten e jóias Lorraine Schwartz... George Clooney muito elegante ao lado de Sarah Larson que vestia, sem muito porte, um Valentino. Outra que também estava de Valentino e sem porte, foi Miley Ray Cyrus, e também a Cameron Diaz que usava um Dior. Então você pergunta: “Ah, mas quem se importa em ter porte hoje em dia, Jamill?” Eu me importo e estou dizendo. A mulher que não tem porte para usar uma roupa, ao invés de ser salva pela qualidade e beleza do vestido, ela torna tudo comum. Depois veio Diablo Cody vestindo simplíssimo Dior com estampa de leopardo. Marion Cotillard com vestido da nova coleção de Jean Paul Gaultier, de inspiração no mar, com aquela impressão de escamas. Apesar de simples, Anne Hathaway estava perfeita de cabelo preso descobrindo o rosto – franjas e mechas que descem pelo rosto passam uma falsa impressão de timidez e insegurança – e usando um vermelho Marchesa que deu um contraste muito especial à sua pele extremamente branca e batom combinando, até parecia que o vestido tinha sido feito exclusivamente para ela, ao contrário da Jennifer Hudson, de franja lisa e usando um Roberto Cavalli branco que deu curvas desproporcionais para seu corpo. Também de Roberto Cavalli, simples, mas elegante, estava a Kelly Preston. Gostei do vestido Chanel usado por Penélope Cruz, que mesmo com jóias muito simples estava bem exuberante diante de tudo, fazendo pose, sorrisos e olhares para a imprensa. Gostei muito da Jennifer Garner – apesar do cabelo liso –, elegante com um Oscar de la Renta preto e jóias simples, mas com ótima apresentação. A Katherine Heigl parece que sonhou com a Marylin Monroe e então quis fazer um charme, mas não funcionou. O que salvaria a noite seria ver o casal mais bonito de Hollywood, Demi Moore e Ashton Kutcher que mesmo se eles aderissem à total quebra de regras, estariam sempre bonitos... E então, a nota dez vai para a top Heidi Klum, usando um Galliano vermelho e com todas as poses e ares de sofisticação que o vestido pede - com tanto charme, nem precisa de jóia. Será que um dia voltará o glamour, o luxo e a elegância para o tapete vermelho do Oscar? Eu acho difícil. A verdade é que temos de aprender a lidar com essa nova e insossa realidade; é um grande sacrifício encarar isso... Portanto, diante de certas coisas, é preferível ficar alienado.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Moda - Arte e Luxo à Lino Villaventura | 30 anos de moda / outono-inverno 2008

Há alguns anos, quando decidi segurar meu manequim, muita gente me perguntava o motivo que me fez querer tanto moldar o meu corpo e entrar nessa moda de ficar ultra-sarado. A resposta pode ser essa: estar pronto para as criações do Lino Villaventura. Não é novidade minha predileção pela moda dele... Gosto de tudo que ele faz e não é a toa que ele é o número 1 do Brasil – empatado com o Guilherme Guimarães, que é o melhor para as noivas. O homem Lino Villaventura é sempre muito chique e moderno – exibido e atrevido também. As mulheres com lindos e esvoaçantes vestidos, alguns bem sexy (tudo sempre chique) e outros que nem sempre valorizam o corpo, esses segundos seguindo na contramão dos ajustados e transparentes trajes masculinos – logo falarei sobre isso –, mas que resultam na mesma mulher chique assinada pelo Lino Villaventura. Atualmente, nesse mundo democrático, não há motivo nenhum para não ter corpo moldado e bonito... Mesmo porque, quem não tem paciência para exercícios, vai acabar com cirurgia plástica mais cedo ou mais tarde. Eu nunca fui adepto dessa moda de nudismo de hoje em dia, o que não me impede de admirar e adotar as idéias da moda do Lino Villaventura... As transparências, nas criações masculinas, próprias para os bem exibidos – quem sabe da beleza que tem e gosta de mostrar – me fazem lembrar aquele conto de Andersen, “A Roupa do Imperador” e isso acaba sendo, além de muito provocante e sexy, uma criação divertida. Também há roupas bem ‘fechadas’, mas bem ajustadas ao corpo, novamente revelando o físico. Eu aumentaria os ombros – é só uma observação complementar. Bom, voltando... Nem adianta vir falar que essa exibição física é “futilidade”, enfim... Pura hipocrisia, pois não vejo outra coisa mais badalada e em alta no quesito criação de moda no mundo de hoje do que a beleza física. Mas, para elogiar e adotar, é preciso ser uma opção muito especial; e tudo que o Lino Villaventura faz é, no mínimo, especial e artístico. E arte é para sempre – tomara que seu corpo também. Então, os bonitões vêem na nova coleção o desenho perfeito para eles, que circulam pelos mais sofisticados grupos de ‘conservadores’ e ‘liberais’. Acontece que o mundo mudou completamente. O Lino Villaventura deu uma personalidade à sua moda, produziu uma imagem que se modifica a cada temporada, mas que é sempre a continuidade da anterior, e da outra... Numa atualidade onde as pessoas são no “oito ou oitenta”, alguns com muita personalidade e outros sem nada, a moda do Lino cai como uma luva para aumentar o grau de poder na personalidade dos privilegiados e também para dar algum sentido aos outros. Hoje em dia, com transparências ou não, as criações do Lino Villaventura são miradas como uma alternativa de poder e luxo na moda brasileira. Então, poucos não aderiram, seja por bom gosto ou por ostentação. O encanto pela moda do Lino, seja pelo que for, é inevitável.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Katoucha, a Deslumbrante, Sumiu | O Misterioso Sumiço da ex-Modelo em Paris



Uma das mais importantes modelos francesas e das primeiras manequins negras na moda, a deslumbrante Katoucha, que além de modelo era cliente de grandes nomes da alta moda e desfilava de um jeito muito particular, interagindo com a roupa, numa encenação tão perfeita, elegante e natural que mais parecia uma princesa na passarela, dando poder à roupa e destacando-se das demais modelos, que simplesmente mostravam as criações. Katoucha desapareceu, no dia 31 de janeiro, em Paris, perto do barco que era sua casa no Sena e apenas sua bolsa foi encontrada. Com voz doce e expressando grande simplicidade nas entrevistas, mesmo antes de entrar na passarela - quando se imaginava que deveria estar ansiosa - mostrava-se calma e conquistou amizades poderosas no mundo da moda; não posso deixar de citar outro nome, Mounia, que foi a primeira manequim negra francesa, sua colega nas passarelas da alta costura de Yves Saint Laurent. Katoucha tornou-se uma das modelos mais solicitadas pelos maiores costureiros e estilistas do mundo, desfilou no grupo de 300 modelos na abertura da Copa do Mundo de 1998, em Paris - a apresentação, embalada pelo Bolero de Ravel, foi uma retrospectiva da moda de Yves Saint Laurent, que adora Katoucha e naturalmente está ansioso por boas notícias. Nos últimos anos, a ex-modelo dedicava-se a uma coleção de moda e mantinha a luta de sempre contra a mutilação genital feminina na África; ela até escreveu o livro Dans ma Chair, sobre o tema. O curto vídeo que coloco apresentando esta magnífica mulher, tem uma atmosfera de glamour, pois em todo meu arquivo de moda não há nenhum instante dela que não seja assim. Paris, encontre a Katoucha!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Nan Kempner, Um Instante de Puro Luxo

A primeira vez que ouvi falar em Nan Kempner foi quando eu tinha 12 anos. Alguns anos depois tive a chance de ver mostra de seus vestidos. Então, eu acho graça e dou risada quando vejo as pessoas admirando e imitando o estilo de vestir e de viver da Paris Hilton ou da Victoria Beckham, por exemplo. Elas até têm seu valor, claro, mas não em moda, comportamento e estilo. Então... É rir pra não chorar... O estilo próprio é o que marca uma mulher especial e se você analisar bem, essas mulheres especiais têm encantos inexplicáveis. Há décadas a Nan Kempner esteve na lista das mulheres mais elegantes do mundo, foi a mais elegante dos Estados Unidos, sempre adorada por Diana Vreeland. Uma curiosidade: ela foi amiga da jet-setter brasileira Carmen Mayrink Veiga (única da América Latina que vivenciou todo esse mundo de beleza) e certa vez as duas apareceram num baile em Paris com o mesmo modelo de Yves Saint Laurent (Fotografia). Todas as revistas e jornais publicaram que 2 das 10 mais elegantes do mundo estavam com a mesma roupa, então os repórteres fizeram um alvoroço. Mas, tranqüila como sempre, Carmen disse: “fiquei muito feliz, pois se isso acontece é porque se está diante de uma pessoa de bom gosto. O chocante seria ficar de frente com o horror de uma cópia malfeita”. Uma verdadeira aula de elegância... Hoje em dia, quase ninguém mais tem savoir faire. O mundo mudou... E para pior. Centenas de vestidos de alta costura da Nan Kempner podem e devem ser vistos no Metropolitan Museum de Nova York... E acho quase impossível que uma pessoa, por toda a vida, não passe por lá pelo menos uma única vez. Um mundo inatingível pelo estadão que foi e por ter acabado, época das caçadas mais luxuosas em castelos da Europa. Então, muita gente de hoje fica indignada porque Yves Saint Laurent e Valentino pararam de fazer alta costura, muitos até nem entendem o motivo por pura falta de atenção aos fatos, pois há muita pressa no mundo para conseguir certificados, bons empregos, dinheiro e então adoecem, são vítimas de stress e envelhecem, perdem tempo em nome de uma corrida por um reconhecimento que jamais virá; as pessoas acabam se distanciando do viver, da qualidade de vida... E quando olham para trás, só vêem um caminho cheio de batalhas para nada, se não viveram nada que verdadeiramente valesse à pena e estão cada vez mais sozinhas e dopadas; então, acordam tarde demais para tomar uma atitude. Daí vem depressão e toda a enxurrada de problemas (pós-)modernos. Isso é tudo muito cansativo. Para piorar, as mulheres, na maioria, perderam muito da feminilidade... Talvez tenha sido por causa dessa luta constante em se igualarem aos homens no trabalho, em toda essa correria. Acho importante que existam avanços na igualdade profissional entre os sexos, mas é triste perceber que todos estão ficando iguais demais. Basta ver que hoje em dia quase não há mais mulheres com porte, competência para a alta costura, o topo da pirâmide social mundial. Mesmo as que não tinham dinheiro, vestiam-se tão bem nos anos 60 e 70 que, se todo aquele bom gosto e feminilidade ainda existissem, tudo seria muito mais bonito, menos monótono e menos previsível em moda e comportamento... Então, por falta de novos personagens, o jet set fechou as portas e do lado de cá, de fora, virou uma bagunça. É cantora de hip hop que vira modelo para as garotas, é nudismo que está na moda e as pessoas cada vez mais alienadas – quando afirmam o contrário. Tudo está ficando igual, sem graça... Você quer continuar nisso, ou quer deixar algo de bonito e admirável para o mundo? A escolha é sua.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Prêt-à-Porter – New York Fashion Week | Outono/Inverno 2008-2009

Quem me acompanha sabe que o equilíbrio dos ombros é primeiro detalhe que observo nas roupas. Sou muito exigente com isso. Ultimamente tenho me mostrado mais interessado no prêt-à-porter, porque o mundo caminha para isso... Muita coisa bonita tem passado na semana de moda de Nova York, mas a nota dez vai mesmo para o prêt-à-porter de Oscar De La Renta com uma coleção muito luxuosa. Hoje em dia, por não haver mais onde usar alta costura, mesmo as mulheres muito ricas que sempre consumiram a alta costura, elas hoje só precisam do prêt-à-porter internacional. O mundo tem perdido muito do charme: acabou o Concorde, acabaram os grandiosos bailes nos castelos e a legítima alta costura também está acabando... Novos tempos. Então, a mulher Oscar De La Renta vai passar muito bem por esses turbilhões de mudanças mundiais, sempre com toque chique e clássico nas roupas.
Não posso deixar de falar da moda apresentada, sábado passado, por Alexandre Herchcovitch, também em Nova York, e que começou com uma seqüência de pretos largos e depois vieram as estampas geométricas com cores acinzentadas, laranjas e azuis... Qualquer coisa de um patchwork sofisticado que nem sempre valoriza o corpo feminino. Não foi nada que pudesse ser apontado como novidade, mas o importante é estar presente e mostrar o trabalho... Acho ótimo que o Brasil tenha o Herchcovitch se espalhando cada vez mais como um nome de sucesso – e até com lojas no Japão. Apesar de não simpatizar muito com muitas de suas produções para os desfiles, aderi a algumas peças com sua assinatura. Ele é um nome de sucesso e nós, brasileiros, devemos achar ótimo, por mais que o estilo, vez ou outra, não entre em muitos armários. Falando em Brasil, não há estilista brasileiro em maior evidência em Nova York do que o craque Carlos Miele. Gosto muito de sua moda e estou torcendo, como sempre torci, para que o Lino Villaventura, que é o número 1 do Brasil (o Guilherme Guimarães é número 1 em noivas), entre de vez nesse circuito mundial. Aí seria um sucesso crescente em velocidade supersônica... Parabéns para o Brasil.

Beth Lagardère no Baile de Carnaval 2008

O CLICK de carnaval fica por conta da animada Beth Lagardère, que esteve no baile de carnaval do Copacabana Palace, usando um vestido Tom Ford e cabeça feita pelo chique brasileiro Alberto Sabino – Sabino que faz lindas jóias e cobre de beleza os maiores nomes da alta sociedade, já fez peças em homenagem ao maior nome brasileiro no jet set, Carmen Mayrink Veiga; e outras de suas criações foram usadas pela atriz Kim Catrall, no seriado ‘Sex And The City’. A brasileira Beth Lagardère, que mora em Paris, é famosa por vestir roupas assinadas pelos nomes mais badalados da moda internacional, como Karl Lagerfeld, por exemplo. Um momento de puro brilho.