quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Nan Kempner, Um Instante de Puro Luxo

A primeira vez que ouvi falar em Nan Kempner foi quando eu tinha 12 anos. Alguns anos depois tive a chance de ver mostra de seus vestidos. Então, eu acho graça e dou risada quando vejo as pessoas admirando e imitando o estilo de vestir e de viver da Paris Hilton ou da Victoria Beckham, por exemplo. Elas até têm seu valor, claro, mas não em moda, comportamento e estilo. Então... É rir pra não chorar... O estilo próprio é o que marca uma mulher especial e se você analisar bem, essas mulheres especiais têm encantos inexplicáveis. Há décadas a Nan Kempner esteve na lista das mulheres mais elegantes do mundo, foi a mais elegante dos Estados Unidos, sempre adorada por Diana Vreeland. Uma curiosidade: ela foi amiga da jet-setter brasileira Carmen Mayrink Veiga (única da América Latina que vivenciou todo esse mundo de beleza) e certa vez as duas apareceram num baile em Paris com o mesmo modelo de Yves Saint Laurent (Fotografia). Todas as revistas e jornais publicaram que 2 das 10 mais elegantes do mundo estavam com a mesma roupa, então os repórteres fizeram um alvoroço. Mas, tranqüila como sempre, Carmen disse: “fiquei muito feliz, pois se isso acontece é porque se está diante de uma pessoa de bom gosto. O chocante seria ficar de frente com o horror de uma cópia malfeita”. Uma verdadeira aula de elegância... Hoje em dia, quase ninguém mais tem savoir faire. O mundo mudou... E para pior. Centenas de vestidos de alta costura da Nan Kempner podem e devem ser vistos no Metropolitan Museum de Nova York... E acho quase impossível que uma pessoa, por toda a vida, não passe por lá pelo menos uma única vez. Um mundo inatingível pelo estadão que foi e por ter acabado, época das caçadas mais luxuosas em castelos da Europa. Então, muita gente de hoje fica indignada porque Yves Saint Laurent e Valentino pararam de fazer alta costura, muitos até nem entendem o motivo por pura falta de atenção aos fatos, pois há muita pressa no mundo para conseguir certificados, bons empregos, dinheiro e então adoecem, são vítimas de stress e envelhecem, perdem tempo em nome de uma corrida por um reconhecimento que jamais virá; as pessoas acabam se distanciando do viver, da qualidade de vida... E quando olham para trás, só vêem um caminho cheio de batalhas para nada, se não viveram nada que verdadeiramente valesse à pena e estão cada vez mais sozinhas e dopadas; então, acordam tarde demais para tomar uma atitude. Daí vem depressão e toda a enxurrada de problemas (pós-)modernos. Isso é tudo muito cansativo. Para piorar, as mulheres, na maioria, perderam muito da feminilidade... Talvez tenha sido por causa dessa luta constante em se igualarem aos homens no trabalho, em toda essa correria. Acho importante que existam avanços na igualdade profissional entre os sexos, mas é triste perceber que todos estão ficando iguais demais. Basta ver que hoje em dia quase não há mais mulheres com porte, competência para a alta costura, o topo da pirâmide social mundial. Mesmo as que não tinham dinheiro, vestiam-se tão bem nos anos 60 e 70 que, se todo aquele bom gosto e feminilidade ainda existissem, tudo seria muito mais bonito, menos monótono e menos previsível em moda e comportamento... Então, por falta de novos personagens, o jet set fechou as portas e do lado de cá, de fora, virou uma bagunça. É cantora de hip hop que vira modelo para as garotas, é nudismo que está na moda e as pessoas cada vez mais alienadas – quando afirmam o contrário. Tudo está ficando igual, sem graça... Você quer continuar nisso, ou quer deixar algo de bonito e admirável para o mundo? A escolha é sua.

Um comentário:

Anônimo disse...

Prezado Jamill,

Li esse seu post e achei sua análise sociológica da alta costura muita sábia.

É por isso que em pleno 2012 continuamos sonhando com mulheres como a Carmen, a única, porque mulheres como a Carmen nao existem mais.

Hoje, todas se vestem iguais, exalam o mesmo perfume, tem o mesmo discurso repetitivo e monótono (carreira x família) e como você mesmo mencionou por um lado se igualaram ao homem, perdendo a sua feminilidade e valor. Estao correndo, correndo iguaizinhas, como umas loucas, atrás do nada. No final, é depressao e solidao.

Moro na Alemanha, sou uma profissional bem sucedida e acabei de negar uma promocao, pra ficar mais com os meus filhos. Todos me chamaram de louca na empresa. Mas PAREI . . .quero cuidar e participar mais da vida deles, cuidar mais do meu jardim e do meu marido.

Agradeco-te pelas sábias palavras. Eu as li até para o meu marido.

Eu também sou super fa da Carmem. Realmente, igual a essa, "jamais de la vie".

Muita Paz e saúde pra você!
Ana Maria Furlani Köbig