sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Katoucha, a Magia de Uma Vida Que Acabou

Estou tristíssimo com a confirmação de que o corpo encontrado ontem, quinta-feira, no Rio Sena, é da ex-modelo Katoucha, de 47 anos. Sempre simpatizei com ela pelo jeito meigo, feminino e cativante que teve. Esteticamente falando, eu adoro a expressão dos olhos, nariz e o desenho da boca. Segundo a necropsia, Katoucha morreu afogada, sem sinais de violência e, portanto, é forte a tese de ter sido acidente. Quando ela sumiu, escrevi um pouco sobre o que ela representa para a moda, sobretudo para a alta costura de Yves Saint Laurent – e ela desfilava como uma princesa, interagindo com as roupas e girava sobre a passarela com um porte lindo. Fora desse cenário de glamour, sua luta era contra uma realidade sofrida na própria pele aos 9 anos, a mutilação genital feminina. Desenhei seu retrato em 2005 e, antes, seu rosto também foi inspiração para uma outra pintura minha, “Blasée” de 2003. Como fez à moda, a Katoucha também me marcou.

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