terça-feira, 29 de julho de 2008

Convite - André Tonanni faz Show Beneficente - Associação de Apoio à Criança Portadora de HIV | São Paulo

Como chegar ao show: Pegar a Radial Leste sentido Tatuapé / Passou a estação carrão, entrar a direira no viaduto / Seguir reto até a rua virar contra-mão (obrigatório a direita) / Atravessar a Rua Canta Galo / O Teatro é a 1ª a direita.

domingo, 27 de julho de 2008

Personagem - Convivência Fashion à Marc St. James | Ugly Betty

Com toques de ironia, chiquismo e 'erudição' em moda, o ator Michael Urie constrói, na série Ugly Betty, Marc St. James, uma pessoa quase-fashion-victim: sempre arrumado, oportunista, sofisticado e artificialmente divertido... Magérrimo, com olhos claros e cabelos naturalmente cacheados, o jovem Marc é assistente pessoal da Wilhelmina Slater (Vanessa Williams) e, mantendo-se em seu ponto de submissão e paparicos, cria uma trama hilariante envolvendo toda a atmosfera de falsidades e egocentrismos de um grupo interessado em moda... Pior que isso: de um grupo que trabalha com moda! O personagem tem uma vantagem, além do figurino muito interessante e bem combinado: ele não tem o ‘defeito’ de ser eclético em moda e por isso não tem como ser completamente fashion-victim. Ao tratar do tema da convivência, Marc não poupa esforços de usar olhares, comentários e gestos pilheristas e divertidos, revelando exatamente como a coisa funciona. Hoje em dia muita gente fala sobre moda, mas pouca gente tem uma experiência de vivência nesse negócio todo... Vem alguém e comenta uma coisa e outra, se mostra com falsa imagem 'desenrolada e moderna', contra objetos de luxo, quando jamais possuiu nada disso para poder ter a sensação da qualidade e esquecer a horrível e desprezível idéia de que luxo é ostentação. Então a gente dá risada quando vem alguém e diz: “eu tenho ene bolsas”, “eu tenho ene sapatos” e depois percebe que tem uma e outra pessoa que viu como você escreve e fala e está imitando – é um poço de deslumbramento, porque você faz naturalmente e o deslumbrado se esforça para tentar e acaba pagando mico... Até vale quando se quer confundir alguém, mas levar a sério é complicado. Marc revela uma figura em ascensão – ele está saindo da total base de teorias, para ligar o que sabe à prática. Mas, tem algo no personagem que é realmente chique: ele é asmático. Ter asma é muito, muito chique. E se você pensa que o mundo da moda contemporânea é só glamour, vai se surpreender. Mas, o melhor é que na ficção ou na realidade, a convivência em grupos de moda nos faz rir muito mesmo.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Moda - Yves Saint Laurent: Um Inverno Elegante de Abafar! | YSL Outono / Inverno - 2008/2009

A temperatura no Brasil continua bem baixa e o frio está de tremer mesmo. Não é fácil ser elegante sem gastar muito, é preciso ter uma cultura baseada na qualidade. Mas, quando a qualidade não pode ser técnica, que seja na idéia de produção. Como meu estilo pessoal de inverno é mesmo Yves Saint Laurent, apresento sugestões da elegante grife francesa, assinada por Stefano Pilati, para todos os homens que querem estar assim muito bem no inverno e em qualquer época, porque se você for igual a mim, que uso veludo no Nordeste sem uma gota de suor – porque sou muito friento, é raro sentir calor, e minha roupa segue exatamente minha sensação – tudo que está apresentado nas fotos vai seguir por várias estações e épocas. Num armário com essas 37 criações retrô, o homem vai estar absolutamente prevenido para qualquer situação – só falta mesmo smoking completo. É claro que acontece um comprimento mais largo na calça boca-de-sino ou outras mais curtas, alguma coisa com barra italiana, mas tudo com toque muito moderno e tão bonito que nem adianta ir atrás de detalhe que pode ser ajustado de acordo com o gosto de cada um. Eu penso que está tudo muito perfeito mesmo. A tabela de cores é simplificada mas muito bem combinada e sofisticada, muito chique. Os xadrezes na medida certa, sapatos clássicos – até caberia sapato preto ou marrom com laçarote em cima. Tecidos pesados e nobres como veludos da onda do ultra-tecnológico. Tudo perfeitamente equilibrado nos ombros - como tem de ser; jaquetões elegantíssimos que entram muito bem em jantar, saída para ver desfile. Casacos com botões mínimos, alguns secos, outros volumosos, valorizando o corpo masculino. Golas altas, acessórios mínimos, como a idéia dos óculos de lentes degradês, e toda a jogada e charme dos lenços – eu adotei o look completo, incluindo os lenços. Corpos extremamente alongados pelo caimento das criações que celebram o corpo moderno, cada vez mais alto e com uma postura bem autoconfiante. Isso tudo é muito, muito chique. Não há homem que fique feio com uma coleção dessas. E se não pode ter esses exemplares no armário, toda a idéia de cores, estampas e combinações deve ser levada muito a sério, porque é de extremo bom gosto. Mesmo quem não tem a menor informação de moda, mas tem contato com essa coleção, já vai saber comprar o certo e como usar.

domingo, 20 de julho de 2008

Dercy Gonçalves: Última Fronteira de Um Caminho Colorido

Fiquei triste com a morte da Dercy Gonçalves, ontem, 19 de julho de 2008. Ela tinha muita autenticidade, era livre da obrigação de pagar qualquer preço na vida de convivência e fazia o que lhe dava na telha mesmo. Exageradamente vaidosa e animada, lúcida – um exemplo de qualidade de vida que é meta seguida pela medicina. Há alguns meses parei tudo para ver sua participação no programa de entrevistas do Silvio Santos, no SBT, e lembro bem que senti uma angústia por dentro – admiração pela idade avançada, mas também senti muita pena dela e não entendi motivo –, penso que todo mundo fica mesmo sensibilizado diante de um exemplo como o dela. Hoje percebo que o Brasil agiu certo com a Dercy, pois é um país de amor mórbido que só sabe valorizar as pessoas depois que elas acabam; e se a gente analisar bem a trajetória da Dercy Gonçalves, ela tinha uma homenagem atrás da outra durante os 101 anos que viveu. Então é foto com Presidentes da República, com gente da alta sociedade, o creme do teatro e televisão, amada pela imprensa, pelo povo que acompanhava seus desfiles em escola de samba e tudo que ela fazia dava uma audiência enorme na televisão, em tudo. A vida é exatamente isso: o prazer próprio. Todos nós sabemos que tudo nesta vida tem começo, meio e fim, mas é a maneira como caminhamos pelas fases, e como aproveitamos – por nós mesmos – cada acontecimento, que enche de belezas (em vários e belos sentidos) um nome, uma lembrança e uma imagem. Uma pessoa com uma vida repleta de cor, alegria, liberdade, talento e admiradores do topo à base da pirâmide social merece mesmo muitos aplausos e nada de tristeza.


Fotos: Dercy posando com manteau de vison; fazendo pose na poltrona; 'arrumando-se' diante de um pequenino espelho; com os Presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso.

domingo, 13 de julho de 2008

Alta Costura - A 'Época Luxo' de Dener Pamplona de Abreu na Moda

Depois que Dener Pamplona de Abreu vulcanizou a criação de moda no Brasil, o lógico seria que infinitas publicações apresentassem sua moda, seus tecidos prediletos, relatos de clientes sobre cada detalhe: atendimento no ateliê, as provas, imagens dos vestidos e desfiles, a sensação do Dener em cada apresentação... Mas, não há nenhum material publicado que verdadeiramente apresente a moda desse grande nome fashion. Deveríamos, nós que consumimos moda, escrevemos sobre moda, estudamos moda e gostamos de moda, realizar algumas tarefas sobre a moda-arte feita pelo Dener, publicar livros sobre suas coleções, fazer filme, criar um material técnico que nos possibilitasse a exploração de tudo que ele fez profissionalmente. Talvez haja falsa impressão de que sua moda era aparentemente simples e por isso teria ficado em segundo plano, precedida pela imagem do personagem. Mas, sua moda era muito inteligente, especial e representa nosso sistema inicial nesse ramo de criação com arte. Tecidos dobrados, enviesados, cores absolutamente 'cafonas' que ganharam uma leveza visual e técnica de sofisticação nas mãos do Dener – uma bagagem indispensável para manter vivos os espíritos mais criativos e aspirantes por espaço na moda brasileira e em contato com essa base toda deixada por esse grande nome da moda. Isso tem de continuar de algum jeito e, certamente, o próprio costureiro sonhava em deixar mesmo uma série de ensinamentos, mantendo viva não apenas sua memória, mas seus feitos em moda – sua linha.
Numa época mais autêntica em tudo e de menos consciência do marketing - tão importante hoje para tudo -, Dener, sempre vanguardista, não podia ignorar a questão de definir uma silhueta feminina que representaria sua grife numa espécie de outdoor social. Nada mais natural que essa mulher fosse a primeira-dama do Brasil, Maria Teresa Goulart, que mais tarde tornou-se sua amiga íntima e até usou um Dener quando foi capa da Paris Match – quando teve todo o bafafá da comparação com a Jacqueline Kennedy. Assim, como reconstruiu a imagem da primeira-dama e alavancou seu nome ao topo, uma marca desejada pelas mulheres mais elegantes da época, Dener imprimia sua criatividade em criações compostas por misturas corajosas de cores, fazendo com que um vestido aparentemente simples ficasse visualmente volumoso e opulento. Isso apaixonava as mulheres de maior bom gosto que você possa imaginar. O talento movia a técnica que fora apurada depois da experiência de trabalhar com a chique Maria Augusta Dias Teixeira, que lhe possibilitava desmanchar o prêt-à-porter francês e re-estilizar à sua própria moda. Suas noivas eram tão corretas, sem decotes longos nem fendas, que vestiam as mais elegantes e badaladas da época, como a cantora Elis Regina. Tudo isso acontecia no auge dos tempos dourados, quando a alta sociedade era realmente muito popular, essas mulheres tão ricas e elegantes tinham mesmo status de celebridades, e saíam em todas as capas de revistas importantes. A marca Dener sempre estava no topo e nos armários mais chiques. Seu 'vôo' foi curto, mas ocorreu com o mínimo de dificuldades possíveis; alimentando um personagem que sempre exalou glamour, Dener foi mesmo uma pessoa de muita sorte e de forma natural foi conhecendo pessoas que lhe apoiaram na escalada ao sucesso. Quando essa fase terminou, ele certamente percebeu que estaria cansado de tudo. A moda Dener foi extremamente movimentada e deixou um forte registro através de vestidos de época que têm um conceito artístico muito forte e pouco mostrado. Obviamente que hoje em dia muitos estilistas colocam sua impressão particular de criatividade, arte, nas criações, mas estamos falando de quem começou tudo isso por aqui e que apesar dos anos que se passaram, mantém vivos a sua moda e o seu caminho pela moda. Para enaltecer a sensação atemporal da moda Dener, a top model Raica de Oliveira envergou vestidos do costureiro, revivendo todo esse mágico glamour na edição de setembro de 2007 da revista Joyce Pascowitch.

Usando um luxuoso vestido preto com gola chinesa de medidas absolutamente perfeitas ao corpo e com abotoamento na frente, a modelo apresenta um look perfeito para ocasiões formais, incluindo casamentos noturnos. O segundo modelo com estampas rosadas e azuis em fundo branco, Raica está pronta para sair de casa a bordo de uma Rolls Royce e jantar fora numa noite mais que especial. Posando com as mãos na cintura, a modelo revela o caimento perfeito do modelo 'telha', abotoado na frente, com efeito semelhante ao modelo preto visto no sofá diante do retrato de Dener. Para fechar o ensaio, mistura de branco e preto atemporal em patchwork, ideal para ser usado quando o homem vestir terno completo. Raica revela nessa série de fotos, além do talento do costureiro, a sensação da mulher que vestia Dener: sentir o tecido e o peso da marca deslizar pelo corpo, cobrindo de uma exclusividade admirável a moda da época. Em todo o mundo, milhões de pessoas buscavam essa sensação vinda das passarelas de Paris e no Brasil tínhamos um representante à altura em imagem, em criatividade, em ousadia. Então, a cliente Dener tinha dentro de si a sensação de calma e confiança em tudo que ele desenvolvia para seu corpo, para sua apresentação social, para sua auto-estima e seu mundo de conto de fadas. É diante desse mergulho numa moda-arte tão bonita que a gente vislumbra, hoje, o Dener apresentando esses vestidos em passarela e uma ópera de abafar convidando as mulheres à sensação de uma sofisticação que infelizmente passou.


Fotografias: Dener fazendo charme, envergando acetinado branco; com seus gatos e seus vestidos em foto de Otto Stupakoff; Maria Teresa Goulart usando vestido Dener; duas noivas de 1960 criadas por Dener - a primeira, à esquerda, inspirada nas "sinhazinhas do Brasil colônia", com bordados formando margaridas e véu em organdi, recoberto por mousseline de nylon, a segunda noiva, clássica, tem laço inglês e longo véu em tule até o chão formando duas "asas", preso apenas por uma rosa branca e ramalhete de mouguet; Raica de Oliveira vestindo Dener do acervo de José Gayegos que também cedeu sua casa, que pertenceu ao Dener, para editorial de moda da revista de Joyce Pascowitch. Três fotos de quando o casal, Dener e Maria Stella (Splendore), recebeu o bilionário Gunther Sachs, acompanhado pela modelo Mirja Larsen, em 1968 - também nas fotos os Matarazzo. [Arquivo pessoal, 'Dener o Luxo' e Ovadia Saadia.]

domingo, 6 de julho de 2008

Click – Cativante Ivete Sangalo | 15º Prêmio Multishow de Música Brasileira

Cativantemente ‘espantada’ ao saber que ganhou 2 prêmios, a linda e talentosa cantora Ivete Sangalo teve seu instante registrado. E prova que na categoria “beleza, sucesso, energia e muito charme”, não tem pra mais ninguém... Uma maravilha!


quinta-feira, 3 de julho de 2008

Alta Costura – Qualidade e Beleza, da Criação à Cliente | Christian Lacroix outono-inverno 2009

Eu não vou comentar exclusivamente essa coleção, que apresenta cada coisa mais bonita que a outra, uma noiva tão correta (sem decote nem fenda) para cerimônia religiosa que até nos eleva à alegria, vou falar num todo... Se Chanel vai vestir as mulheres chiques do próximo inverno, Christian Lacroix vestirá as chiques e muito ricas. Para entender o tipo de cliente que veste alta costura, é preciso falar um pouco de como a maioria confunde as coisas. No Brasil há muito deslumbramento quando se pensa nas editoras de moda de grandes revistas do mundo e muita gente acaba achando que elas são verdadeiros alvos comerciais e que espelham vestuário chique; porém, a maioria delas tem tanta obrigação (sim, elas têm chefes) de seguir as “novidades”, frutos de projetos que lhes garantem emprego, que acabam não tendo um estilo próprio; algumas mergulham de vez nessa misturada, como faz de forma tão divertida a Anna Piaggi, e outras nem tanto, ficam zanzando daqui e dali. Mas, como tudo, há exceção: Diana Vreeland, por exemplo, que é um dos únicos exemplos com muito estilo próprio. Acima dessa coisa toda de revistas que são vendidas para a classe média, há um patamar social que abate totalmente a idéia do que é ser “rico” na visão do Terceiro Mundo, eu estou falando do restrito mundo das jet-setters. Mulheres com sobrenomes poderosos há séculos e que foram aceitando, aos poucos, e hoje adotam a alta costura Lacroix. Uma minoria, que inclui cabeças coroadas, que faz brilhar qualquer grife adotada pela turma. Então, quem verdadeiramente interessa para enaltecer o lado mais vaidoso da alta costura são essas clientes, geralmente tão sofisticadas que possuem até aviões enormes equipados com armários abarrotados por vestidos de alta costura e jóias Harry Winston tão pesadas de sufocar. É para esse tipo de clientes que Christian Lacroix cria sua alta moda – e é para esse grupo que ele sempre quis criar. Sem abandonar o contexto histórico com criações que visitam o passado, o costureiro veste bilionárias que circulam por Paris em Rolls Royces rumo às exposições de arte, aos casamentos mais tradicionais e recepções mais luxuosas em casas e castelos como Blenheim Palace, na Inglaterra, e desde garotas foram preparadas com impressionante base cultural. Então, não é nada fácil criar uma alta costura que entre nos armários dessa turma. Lacroix faz isso – o começo não foi fácil, como revela um depoimento da jet-setter Carmen Mayrink Veiga para Vogue, comentando uma das primeiras clientes do costureiro: “a elegante portuguesa Sao Schlumberger vestia Lacroix quando ninguém sabia quem era”. Christian Lacroix conseguiu ser conhecido e reconhecido por esse grupo tão sofisticado e mantém, estação após estação, uma seqüência de coleções que apresentam, além da beleza estrutural, uma profunda sensibilidade artística, características essenciais da base de todo sucesso. Ao contrário da arte que é vista no cotidiano do jet set, uma arte unicamente perceptível através da pintura, escultura, música, os vestidos de Lacroix são obras de arte usáveis que entronizam nessa atmosfera de exclusividade, beleza, cultura e glamour as suas mulheres mais elegantes do mundo.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Alta Costura – Karl Lagerfeld: Dosagem Exata do Chiquismo de Hoje | Chanel outono-inverno 2009

Karl Lagerfeld levou para a passarela da Chanel uma coleção muito dinâmica, chique e moderna em bases como chiffon e tweed, por exemplo. Cortes retos e outros arredondados; proporções perfeitas que alongam (e alargam) o corpo na medida certa e entram nos armários das mulheres de todas as idades e de todas as partes do mundo. Alguns vestidos com equilíbrio nos ombros e outros com equilíbrio no quadril. Apesar de ser tabela de cores muito simples, os vestidos têm detalhes mínimos, especiais, que dão toda riqueza visual à produção. Plumas de avestruz complementam a leveza dos tecidos, dos movimentos. Os recursos da moda que servem para moldar o corpo estão presentes em estruturas e bordados. Um detalhe importante que entra bem na questão do ensinamento de moda para o espectador é a combinação dos sapatos, em geral pretos (que combinam com qualquer cor de roupa) e também no mesmo tom dos tecidos. Uma moda atemporal, para a mulher de qualquer idade e corpo – com um ou outro ajuste de comprimento, de manga. No detalhe maior (acima, no topo), o vestido mais bonito, com base e bordado em efeito ‘V’ – quase uma bomba de confeiteiro. Uma verdadeira obra de arte. Por fim, a noiva, absolutamente correta, sem decote nem fendas, um toque ‘clássico’ ao moderno estilo criativo de Lagerfeld que fez uma coleção absolutamente linda, provando que ele é capaz de dar ar à moda de hoje. No próximo inverno europeu, a mulher chique vai respirar o ar Chanel.

Alta Costura – John Galliano e um Viva a Repetição | Christian Dior outono-inverno 2009

Eu estava tão animado esperando a semana de alta costura... Então, vem Dior couture, por John Galliano, com uma sucessão de modelos em cores pastéis, alguns em trapézio, muito batidos há anos e anos... E anos... Uma velha repetição de tudo vinda de um estilista que sempre tentou vender essa coisa toda da novidade, revolução e coisa e tal... Então, infelizmente, essa moda do Galliano não tem uma identidade própria. São as exigências do mercado, certamente. A (alta) moda está cada vez mais decepcionante. Mas, como sempre, acho importante ter otimismo... Talvez a intenção artística seja mostrar como a moda era bela há anos atrás, coisa que ele fez muito bem na coleção outono-inverno 2004, dessa vez houve tentativa de misturar: transparência (como é moda a exibição física) e muitos plissados com ar dos anos 60. A base é boa, porque quando penso em elegância, vem logo na minha cabeça o jet set dos anos 60 e 70. Muitos nomes da alta costura da época, e que mais tarde reviveram os anos 60, como Mme. Grès e Yves Saint Laurent, por exemplo, faziam roupas que eram verdadeiras obras de arte. Só que o Galliano acabou mostrando mesmo uma moda repetitiva e insossa para essa alta costura... Resultado de uma re-estilização simplificada de modelos já apresentados por outros costureiros – até em coleções mais recentes, como na temporada anterior que Karl Lagerfeld fez para Chanel e alguns longos mais parecem criações de Oscar De La Renta. Todos os vestidos curtos são absolutamente previsíveis em moda. Os longos sim estavam lindos, perfeitos para a volta das festas de debutantes, todos os plissados possíveis para um conto de fadas. Os modelos curtos mais bonitos da coleção parecem feitos para ‘a mulher do Willy Wonka’, se ele tivesse uma; e os longos parecem feitos para Rapunzel, 'A Bela Adormecida' e Cinderela e suas respectivas "bruxas" - Por falar nisso, até hoje acho o máximo a primeira cena de Maleficent em "A Bela Adormecida", quando ela chega ao castelo com todos os trovões, o corvo e aquele anel no indicador direito. Claro que o que ela foi fazer lá não foi nada bonito...risos. Parando a digressão e voltando ao assunto que interessa...Sandálias altas com tiras e fivelas, algumas com laços. É uma tentativa de moda clássica que desandou um pouco aqui e ali... Se os vestidos curtos fossem apresentados na semana de prêt-à-porter, aí tudo bem... A alta costura é, antes de tudo, uma obra de arte atemporal que vai vestir a mesma mulher em diferentes épocas, isso explica, por exemplo, o estilo vintage, em geral vestidos feitos por grandes costureiros e que se mantém atuais (sempre serão atuais), porque alta costura não cai nunca, é arte... Hoje em dia a alta costura é puramente uma estratégia de marketing, que serve para deslumbrar a mulher que nunca usou alta costura, mas que vai comprar perfumes, acessórios da marca, unicamente pela assinatura dos produtos. Como nem tudo está perdido, eu gostei do vestido com estampa de leopardo, dos longos claros e os outros modelos mais bonitos eu selecionei para mostrar aqui... Não adianta dizer mais nada.