terça-feira, 23 de setembro de 2008

Exposição – JEFF KOONS e Versailles: Exibicionismo Contemporâneo.

Acho muito bacana que as pessoas queiram sempre atribuir a Marie Antoinette e à atmosfera de Versailles um ar de modernidade, no mínimo de contemporaneidade. Talvez seja uma maneira de entrar na história, sentir e trazer uma época que sempre desperta interesse pelo mundo todo. Aconteceu no filme de Sofia Coppola e eu achei uma maravilha aquela visão artística dela com todas as músicas modernas e o instante do tênis na prova dos sapatos, por exemplo. Mas não pára aí não... A vez é do artista plástico norte-americano Jeff Koons, famoso pela expressão kitsch que tomou as dependências do primeiro pavilhão do castelo. Muita gente considerando “uma ofensa à tradição cultural francesa”... Cada um tem seus motivos. Em minha opinião, e tenho lido tanto sobre a realeza francesa com todas as extravagâncias que incluíam até uma linha de móveis apropriados para mulheres com vestidos tão exagerados, essa exposição revela muito da mentalidade de exageros da época, porém, de uma maneira mais sutil: uma ostentação de coisas simples, como o inoxidável ‘Balloon Dog’, um ‘cachorrinho’ metalizado em vermelho como se fosse de bexiga, simbolizando a infância no meio da Sala de Hércules, entre dois quadros obviamente clássicos, um deles é 'Festim em casa de Simão'. Adorei! No Salão de Vênus há uma estátua de porcelana em tamanho real do Michael Jackson em estilo neobarroco – extremamente cafona, mas muito divertido e criativo. O 'Split Rocker', com mais de 10 metros de altura, no jardim da Orangerie, é uma escultura feita com 90 mil rosas. A arte contemporânea de Koons pode não ter agradado a muita gente, mas é divertida, nos convida à interpretação e, sobretudo, Versailles que não dispensava exagero nenhum, está aí mais atual do que nunca para você ver – até o dia 14 de dezembro – e contar.


Fotografias: Jeff Koons posando diante do 'Split Rocker' , na sequência: 'Balloon Dog', 'Hanging Heart', 'Michael Jackson' neobarroco e o 'Split Rocker' no jardim da orangerie.

2 comentários:

Tony disse...

Eu adorei não só o filme da Sofia Coppola, como estou adorando conhecer muito mais sobre Maria Antonieta na biografia dela, pela historiadora francesa Evelyne Lever. Já leu este livro, Jamill? Estou achando bem interessante! Abraços...

Jamill disse...

Oi, Tony, sim eu li o livro de Evelyne Lever e gostei bastante... Porém, a versão apresentada por Stefan Zweig, em 1932, é também um livro muito interessante. Também vale a pena ler o livro da Antonia Fraser, que serviu de base para o filme de Sofia Coppola, e no livro há muitos outros detalhes. Em geral, tudo que se publicou sobre Marie Antoinette é mesmo muito curioso e ‘atraente’... Acho que cada autor faz uma apresentação bem especial dos fatos... Obrigado pelo comentário. Um abraço do Jamill.