terça-feira, 21 de outubro de 2008

As Conquistas e os Luxos de Filipe da Macedônia e Alexandre, O Grande

De tudo que já li e aprendi sobre o Mundo Antigo, o que mais me impressiona é a história do refinadíssimo e egocêntrico Filipe da Macedônia, pai do não menos vaidoso e destemido Alexandre Magno - mais conhecido como "Alexandre, O Grande". Sempre recebi e-mails pedindo minha opinião sobre essa Era de total poder político e muitos luxos e exclusividades. Mas, não pense que o começo foi fácil para ele, não... Filipe conseguiu abastecer seu temperamento de comando e suas técnicas de guerra depois do período que passou preso em Tebas, onde aprendeu as táticas militares e muita coisa sobre a organização do que viria a ser seu poderoso exército. Tornou-se rei da Macedônia aos 23 anos. Demóstenes não conseguiu combater a entrada e o domínio de Filipe sobre a Grécia Antiga, na batalha de Queronéia. Depois, prestes a invadir a Pérsia, Filipe foi assassinado no casamento de sua filha... Na época havia rumores de que o mandante seria o próprio filho, mas depois houve revelação do verdadeiro culpado: Dario, o rei da Pérsia. Aos 20 anos, Alexandre tornou-se o rei da Macedônia, mas desde os 16 já era representante de Filipe e já era amado pelo povo. Desde garoto foi preparado pelo pai para apresentar-se e, sobretudo, sentir-se como descendente direto de Zeus em seu tempo. Chegava a imaginar que seu sangue era diferenciado em composição e cor – uma de suas maiores tristezas foi quando ferido numa das batalhas, percebeu que sangrava exatamente igual aos outros. Amado e endeusado em todas as Cidades-Estados da Era de Filipe e depois na sua própria, quando conquistando outras nações em curto tempo, comandou um dos maiores impérios do mundo. Uma das passagens mais bonitas e de maior expressão de poder político de Alexandre – que eu li dezenas de vezes em vários livros distintos – foi quando ele chegou ao Egito, amado pelo povo que estava livre do Império Persa, recebeu dos sacerdotes egípcios o título de faraó. Uau! Minha gente, diante de tantas conquistas de um jovem numa época de total limitação de tudo, eu realmente imagino que hoje nós estamos em câmera lenta pra tudo. Bom... Mas Alexandre não era só um jovem homem de batalhas e domínios geográficos, nada disso... Sempre preocupado em documentar tudo por onde passava, Alexandre tinha em seu grupo uma quantidade de pesquisadores que iam registrando todas as características climáticas das regiões, flora e fauna. Tudo era arquivado de maneira extremamente organizada. Para afixar um símbolo de seu poder no Egito ele fundou Alexandria, que foi importante base cultural com gigantesca biblioteca com material existente até hoje em criteriosa restauração. Depois, na Babilônia, Alexandre atingiu o topo do luxo que podia se permitir em seu tempo e exigia de seus súditos que se ajoelhassem e beijassem sua mão sempre que estivessem diante dele. Casou-se com 3 princesas persas e teve um filho legítimo de seu casamento e outro com uma de suas concubinas. No meio disso, tinha uma paixão feroz por um grande amigo. Acabou-se aos 33 anos, vítima de febre, deixando uma história fantástica para a posteridade. Infelizmente, restou pouco dos palácios de Filipe e Alexandre na Macedônia. Filipe tinha um nababesco gosto pelos adornos de ouro e por sua própria imagem. Extremamente vaidoso, usava pequenas presilhas de ouro nos cabelos; possuía gigantes painéis de mosaicos retratando caçadas e batalhas... Seu filho, Alexandre, teve seu caminho pré-estabelecido pelo pai. O rosto de Alexandre, conhecido através de suas estátuas pelo mundo, fora encontrado numa reprodução pequena, a primeira delas, numa cena de caça esculturalmente retratada, quando arqueólogos descobriram o imponente túmulo de Filipe da Macedônia, em 1978, com seu sarcófago inteiro feito de ouro. Essa imagem do rosto de seu filho acabou sendo reproduzida por todas as nações dominadas por Alexandre, expressando a extensão da ambição de seu pai, que o preparou para isso. Egocêntricos e poderosos, notados pela figura mítica através dos painéis que revelavam um Alexandre firme, forte, destemido, sem capacete nas batalhas enquanto o rei e soldados inimigos – e que seriam derrotados – com armaduras apresentando rostos com semblantes de medo e covardia [ver ilustração], tornaram-se ainda mais fortes e amados. Era óbvio que o povo amaria o destemido e não o covarde. Alexandre vivia numa rotina de extrema exuberância de si próprio, um tipo de marketing pessoal que alimentava sua sensação de superioridade. A imagem desse grande homem permanece com uma força extraordinária, inspirando outros grandes homens pelo mundo. A principal lição de Alexandre, O Grande para nosso mundo moderno seria a de que é preciso ter metas firmes desde cedo, seguir esse caminho para que no futuro não haja a sensação do arrependimento tardio – com relação a tudo. Caminhar pela vida sem deixar uma boa mensagem, por melhor ou pior que tenha sido o trajecto, seria o mesmo que reduzir toda uma chance de existência, com infinitas possibilidades, a escombros.

Ilustrações: Filipi da Macedônia (esq.) e Alexandre, O Grande (dir.); painel de mosaicos apresentando cena de batalha do destemido Alexandre.

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