sábado, 31 de outubro de 2009

Moda e Comportamento - Happy Halloween, Madame!

Estamos num luxuoso baile de máscaras em noite de Halloween do top society. Um balé de helicópteros tenta registrar os convidados que desembarcam de carruagens e Rolls Royces. É possível ver uma produção completa da coleção egípcia de John Galliano para Dior Couture – com direito às máscaras e tudo mais. Os saltos são altos, verdadeiras criaturas faraônicas caminhando lenta e artificialmente enquanto Kate Bush canta ‘Under Ice’! Uma decotada vampira envolta em tecidos bucólicos, emendados pela intrigante criatividade inovadora da alta costura (pós-)moderna, é refletida no espelho decorado com flores brancas chamuscadas pelas velas nos castiçais e chuviscadas com tinta spray laranja e amarela. É possível rever e admirar a alta costura que já não se via há um bom tempo. Muito vintage caríssimo, chiquerésimo! Enfim, um espetacular cenário, mágicos e imponentes vestidos projetando esplendor, deslumbre pomposo, sob as luzes que giram na pista de dança, montada no salão principal de um gigantesco castelo na Austria. Espelhos e pinturas decoram os salões para um grupo que cultiva a beleza e a arte com grande paixão e habilidade. Esguia, cabelo solto e escuro, uma duquesa de seda atrai um flash para o Vogue. Páginas e mais páginas recheadas com mulheres embaladas com cetim ou tafetá, sedas pintadas à mão por Jean-Paul Gaultier, Yves Saint Laurent, Valentino e Andy Warhol. Veludos! Nada é antiquado no mundo das pessoas mais elegantes do mundo, no chique, no luxo. Para os fashion designers, um laboratório para novas idéias, como a vampira que se permite refletir indo ao encontro de jogadoras de tênis com saltos 22 e raquetes de ouro. A noite dos horrores exibe uma aterrorizante motocicleta roxa, usada como lustre, pendurada por correntes no lavabo feminino. Eis que a Anúbis de Galliano vem arrumar o irreparável vestido dourado. Com suas enormes unhas vermelhas, aciona uma campainha. Solícitas, rápidas, 'invisíveis' e educadas empregadas atendem o chamado e chegam para auxiliarem a mascarada. O retrato de um baile fantástico na intimidade! Casais sobem e descem escadarias de mãos dadas, vestidos que arrastam 4 ou 6 metros de caudas, cruzando caminho de garçons cuidadosos que desviam e servem, desviam e servem... Incansavelmente perfeitos. Na noite dos horrores, muitas fantasias camuflam traições e angústias, casais desfeitos são consolados pela inebriante dimensão das possibilidades secretas das máscaras, fantasias e carências. E logo as descartadas aparecem nos braços de novas conquistas, enquanto a noite prossegue ao som de ‘Sugar Daddy’, de Di Johnston. Tudo não passa de charme e sua companhia no inverno, depois do balé aéreo e do castelo, será seu vison Maximilian. Happy Halloween, Madame!
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Ilustração - Arquivo Pessoal: Crianças vestidas para o Halloween em Nova York, 1940, fotografia de Helen Levitt.

sábado, 10 de outubro de 2009

Prêt-à-Porter – A Previsível Moda de Paris

Vamos direto ao assunto. Apesar de não simpatizar com esse negócio de moda inspirada em rock, tal, a coleção Balmain misturou a isso alguns detalhes ‘militares’ e apresentou ombros bem alinhados em Paris. Eu gosto de ombros grandes e equilibrados, porque é chique e afina o corpo. Se misturassem os modelos Dior com Balmain na mesma passarela, ninguém notaria diferença. Uma repetição de tudo que já existe nos armários das mulheres. Com exceção dos ombros de ambas as grifes e das saias curtas Dior, dá até sono. Sem falar que algumas modelos Dior ainda desfilaram resquícios daquela horrível coleção de alta costura com lingeries, intimidade à mostra... No mais, enquanto Balmain se baseia no tal rock, Dior lembra os anos 40. Da coleção de Viviene Westwood eu selecionei 3 modelos [em destaque] que particularmente valem pelo desfile todo. Karl Lagerfeld [número 1] fez roupas que mais parecem da prima pobre da Dior [número 2]. Não há o que se fazer. Prêt-à-porter é tão entediante! Não vou nem comentar a grife que sempre me apaixonou pelo nome, Givenchy, mas quero deixar claro que o Lino Villaventura deveria ser o estilista da Givenchy, só assim Paris veria beleza no prêt-à-porter! Então, pensei que as grifes Yves Saint Laurent e Valentino trariam beleza para a semana de moda, mas Stefano Pilati não quis arriscar nada para YSL, que ficou no minimalismo chato que tomou conta de quase todas as coleções. A Valentino [número 3] também não investiu em cores, preferiu vestidos curtos, alguns volumes e uma leveza que 'lembra' Oscar de La Renta. Mas, no geral, tudo estava muito parecido entre as grifes. Detesto roupas justas demais, detesto minimalismo na moda, detesto câmera lenta! Ufa! Então, lá veio Alexander McQueen com muita cor, mas pouca graça... Quem lembra do lindo ‘vestido ostra’ que ele fez há alguns anos?! Onde está aquela criatividade?! Quem lembra da coleção que ele assinou para Givenchy em 1998/99? Cadê aquele estilista de extremo talento?! Parece que todo mundo tomou tranqüilizante e ficou brincando de roda.





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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Prêt-à-Porter – Uma Paris Shocking Pink, Surrealista e SHIAP

Eu raramente acompanho o prêt-à-porter, porque quase não há criatividade; dessa vez estou dando muita atenção às passarelas de Paris, porque arte e moda estão muito juntas. Quem da moda não gosta da criatividade de Elsa Schiaparelli? Muito rosa, shocking pink, na passarela, rostos de perfil impressos nos tecidos e o surrealismo que fez dessa italiana de sucesso, grande criadora de moda envolvida num bom humor e extravagância atrevida. Eu gosto da moda que além de apresentar uma estrutura criativa, também expressa estampas, desenhos criativos... Óbvio que muitas vezes a graça está nos detalhes das horas que são necessárias para os bordados, mas essa deve ser uma percepção muito sutil do luxo e, quase sempre, só está presente na alta costura. Às vezes, a moda deveria nos inspirar ao novo, à expressão individual. Se muitas mulheres estão ficando iguais com seus silicones e plásticas em geral, as roupas mais criativas ganham espaço no ritmo das que, felizmente, ainda não se entregaram totalmente ao limite da aparência generalizada e buscam uma expressão única de identidade, sentimento e conquista. Destaco um vestido de Schiaparelli que, apesar de uma estrutura aparentemente simples, eu gosto, de 1937, com uma inusitada e bacana lagosta sobre organza, o rosado de Dolce&Gabanna e o criativo Rei do Pop, também com rosa, por Jean Charles Castelbajac. Sábado tem mais.

sábado, 3 de outubro de 2009

Alta Costura - Givenchy e o Fabuloso Mundo das Jet-Setters

Esse enorme vestido da alta costura de Hubert de Givenchy, com cintura de vespa, ultra-feminino e opulento é um dos principais focos da época mais feminina e charmosa aliada ao luxo do século XX. É impossível que uma pessoa de bom gosto não fique apaixonada por esse vestidão, em meio ao tempo atual atulhado de modelos 'loucos' e feios que são oferecidos por diversos fashion-designers como expressões do luxo. Hoje eu comemoro o luxo legítimo, com os materiais mais nobres do mundo, tudo devidamente forrado com seda pura e mesmo quando são banhados pelas mais naturais das cores, a coleção é um grande acontecimento. Mulheres como Carmen Mayrink Veiga, Marella Agnelli e Jacqueline de Ribes sempre encomendavam, antes da onda de mau gosto na alta costura, 2 ou 4 vestidos idênticos com cores diferentes para equiparem suas mega-salas de roupas em casas e apartamentos espalhados pelo mundo. Tudo muito sofisticado e, por que não dizer, dispendioso para simples criaturas como você e eu. Mas, sussurrando: não vamos falar em valores, porque é cafona. Não pense que é fácil manter alta costura. Basicamente, é necessário que os vestidos sejam guardados em manequins, com toda a estrutura recheada com papel de seda, tudo isso dentro de enormes baús individuais, devidamente climatizados e com anti-mofo especial, sem contar com outros mais especiais, parecidos com câmaras frigoríficas, para os casacos de peles. Quando um grande baile está por vir, o vestido é retirado de toda essa estrutura de conservação e é preciso que a dona o vista 2 dias antes para acertar o caimento. Isso é muito trabalhoso e chique! Nos anos 70, Carmen Mayrink Veiga estava no Rio pela manhã e teria um baile temático em Paris à noite. Fez um cabelão muito embonecado, vestiu alta costura Givenchy e embarcou no Concorde, com seu staff, para Paris. Isso esporadicamente, porque sempre era comum fretar Concorde para transportar 100 convidados aos castelos para caçadas na Áustria e Inglaterra. Por isso também, Suzy Menkes e Diana Vreeland se derretiam em elogios aos Mayrink Veiga. Será que há outro casal brasileiro tão hyperluxe? Impossible! Também era comum, na época dos vôos supersônicos do Corcorde, ver essas elegantes mulheres - Carmen, Jaqueline de Ribes e Paloma Picasso, por exemplo - embarcando em Paris e desembarcando em Nova York com vestidões de abafar para comparecerem a casamentos e grandes exposições de arte. Vale encarar o desconforto em nome da agenda social e da alta costura, afinal de contas o Concorde era apertadíssimo e essas chiques mulheres, geralmente, viajavam em dois lugares, com as secretárias atrás, para diminuir o aperto físico de tafetás, cetins, bordados, luvas, tules e veludos. Quando não tinham paciência, acordavam mais cedo e encaravam um longo vôo em jatos particulares. Isso é, definitivamente, o top do top.
Fotografias: Vestido da alta costura Givenchy de 1957 e Carmen Mayrink Veiga fazendo prova de uma de suas encomendas de alta costura, góla alta e mangas volumosas, com o próprio Hubert de Givenchy em 1958 (Arquivo Pessoal).