domingo, 27 de dezembro de 2009

CARMEN MAYRINK VEIGA defende a causa dos cadeirantes, por HILDEGARD ANGEL

Estou muito feliz. Ontem, assim como no dia de Natal, conversei bastante com a Carmen Mayrink Veiga. Falamos sobre moda, sobre clima, sobre meu livro, sobre minha nova gata de estimação que ela escolheu o nome e eu adorei: Happy. Conversar com a Carmen Mayrink Veiga é sempre um grande presente. Ontem falamos bastante sobre uma questão importante para todos que é a instalação de acesso para deficientes físicos em estabelecimentos como restaurantes, shopping-centers, etc. Porque foi ontem que a Hildegard Angel publicou sua página inteira para dar a Carmen um grande presente: o Copacabana Palace instalará rampas de acesso para cadeirantes. Quem tem familiar com deficiência física sabe como será importante essa instalação no Copa, porque vários outros hotéis e restaurantes no Rio e em outras cidades imitarão. Essa conquista não é apenas importante para os deficientes físicos, ela é importante para os não-deficientes também, porque nunca se sabe o dia de amanhã, como falei para a Carmen e para a Hildegard. Então, hoje, eu passo para vocês o importante texto que foi publicado ontem, dia 26 de dezembro, pela Hildegard Angel no Jornal do Brasil.



Carmen defende a causa dos cadeirantes


Por Hildegard Angel


Não sem motivo, neste sábado ainda natalino, publico duas fotos que, ao mesmo tempo que se confirmam, se contrapõem. São duas divas, duas prima donas, ambas vencedoras nos desafios que se propuseram a enfrentar. Ana Botafogo reina em seu trono de maior dançarina do Brasil, uma espécie de Fernanda Montenegro do balé clássico. Carmen Mayrink Veiga, a formadora de opinião em assuntos de elegância, atitude e classe; a número 1 do high ou, como costumo dizer, a "Iª e Única".

As platéias dos grandes palcos do mundo já reverenciaram Ana, que quando viaja pelo país se apresenta em espetáculos mega, para multidões. Os maiores salões do planeta já se curvaram diante do brilho de Carmen, que mantém seu posto "imexível" no hall of fame das Mais Bem Vestidas do Mundo, da revista Vanity Fair. Com determinação espartana, Botafogo se mantém na atividade, quando muitas já teriam pendurado as sapatilhas.

Ainda em forma notável, ainda cortando a respiração de quem a vê, pássaro, alçar voos nos palcos. São duas gerações diferentes, sim, mas, dada a vida curta da carreira de uma prima ballerina, como Ana, é possível aqui o paralelo com Carmen, que também não se dobra ao tempo nem às limitações e continua a flanar, diva, pelos salões, conferindo luz e glamour aos ambientes.

Quis a vida que Ana continuasse com suas asinhas, bem azeitadas, presas aos pés, garantindo-lhe os mais harmoniosos movimentos. Carmen não pode dizer o mesmo. Primeiro, foi a dificuldade diante das escadas. Depois, veio a bengala, charmosa. Em seguida, o andador, que ela dourou inteiro, fazendo dele acessório fashion. Adiou o que pôde a cadeira de rodas, mas, quando foi inevitável, capitulou com a altivez da grande dama que é. Tenaz, firme, corajosa, muitas vezes, engolindo em seco as dores agudas que a dominam. E sorrindo, e conversando, e abençoando seus seguidores com histórias sempre deliciosas, lembranças, sua experiência.

Agora, quando se poderia esperar que Carmen enfim fraquejasse, ela tira das dificuldades motivação para empreender uma cruzada importante, a de dar voz a quem não tem, aos outros cadeirantes, como ela, que não têm onde nem como nem com quem reclamar.

Carmen apela para Manoel Carlos. Sugere ao autor de Viver a vida que não alimente falsas ilusões quanto ao papel de Aline Moraes — "Uma pessoa que sofreu um acidente como o dela, dito por especialistas, nunca deixará a cadeira de rodas". Ela pede que Manoel leve a personagem às ruas esburacadas, mal pavimentadas, cheias de obstáculos, para sentir como é a realidade, recomendando que "Luciana" dê o exemplo, não tenha complexo pela cadeira de rodas, não se envergonhe por isso. "Vergonhoso é não ter rampa", decreta Carmen, indignada com estabelecimentos que, contrariando a lei, não se equipam com rampas de acesso. Lembra que boa parte dos restaurantes, hotéis, teatros, dos mais modestos aos melhores, possuem rampa, mas nem todos. Reclama que, para ir ao Navy Christmas, precisou entrar pela porta de serviço do hotel e subir pelo elevador da cozinha. E protesta: "O Copa, cartão postal do Rio, tem que se adequar à lei. Há um ano que eu reclamo isso". Pois, minha querida Carmen, aí vai seu presente de Natal: conversei com Andrea Natal (o nome fala por si), diretora do Copa, e ela diz que soube de suas queixas e que, logo, logo, você será atendida, pois já ficou pronto o projeto adequando a portaria do hotel a pessoas com dificuldade de locomoção. A obra trabalhosa, que criará um novo corredor contornando a portaria, começa em breve e será concluída em um ano.

Um comentário:

Anônimo disse...

Jamil, tambem adoro a Carmen,sei muito sobre ela. Mas gostaria de ver como ela vive em casa. Na vogue de 1997 tem fotos da casa dela, mas nunca tive a oportunidade de ver. Ja que vc esta escrevendo sobre decoracao porque vc nao poen no blog fotos da casa dela? vc faria muitos dos seus leitores feliz!
obrigado
LV