sábado, 20 de fevereiro de 2010

Alta Costura - Futilidade & Utilidade | Chanel Couture Spring 2010

É preciso fazer a tal limonada com os limões da moda. Nisso, Chanel é o açúcar - ou melhor, o adoçante, porque o size zero ainda é modismo. É bom fazer anotações, escrever sobre a apresentação de passarela, mas nada disso seria importante sem humor, mesmo que o sentido seja a crítica negativa. Evito criticar desnecessariamente, porque não daria em nada expor minha idéia pessoal na tentativa de desvalorizar uma roupa ou um desfile inteiro. Nisso, prefiro ficar de fora e não comentar o que não me agrada, a não ser maisons de competência obrigatória como Chanel e Dior, por exemplo - Givenchy também, mas caiu muito. Na recente coleção de alta costura Chanel, Karl Lagerfeld nos deu a oportunidade de reencontrar o prateado na roupa. Isso eu já adotei, desde os blazers cromados de Givenchy, mas agora tem mais brilho, mais "exibicionismo". Apesar de ser assim, fiquei amigo do cínico prateado e considero elegante tanto a mulher adotar as idéias de Lagerfeld quanto os homens adaptarem quando precisarem fazer charme com a roupa. Particularmente, prefiro sapatos, meias, calça e cinto prateados e skinny jacket em tom pastel, que pode ser azul, por exemplo. É fashion hoje em dia. A personalidade conta muito, o porte da pessoa, sua posição social e suas molduras: restaurantes que frequenta, carros que usa, casa, etc. É uma proposta de vestuário que exige humor. Não só de quem usa, mas de quem convive com quem usa, porque em grupos errados passaria como pura exibição, enquanto nos grupos mais sofisticados seria uma cor. Mas, que o penteado de apresentação parece as orelhas da Minnie Mouse, parece sim.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Moda - A Resistência Fashion de ALEXANDER McQUEEN

O show da moda de Alexander McQueen estava para começar, a passarela de água estava pronta para as modelos como um tapete vermelho. A magia dos flashes e da música, que mudavam de reflexo na água e de tom, atraem a atenção das clientes mais chiques de Paris, Londres e do mundo, porque a primeira manequim começa o show! A força atrativa da moda ofusca presenças de celebridades da moda, da alta sociedade; os vestidos do sublime sonho de McQueen constroem seu império fashion. O fabuloso espetáculo da moda, mostrando cenas inimagináveis, inquietando, ilustrando, atraindo e possibilitando o luxo moderno das artes e da tecnologia em modelagens e tecidos. Sua linguagem própria define um produto completo e sofisticado a partir de seus sonhos e sua capacidade realista de fazer o usável, com base no que a maioria faria como simples material experimental e desajeitado. Quando analisamos a moda de McQueen, fica claro como ele conseguiu crescer tão rápido, especialmente porque nunca foi equiparado ao trabalho de outros, nem mesmo na apresentação de passarela. McQueen representa para a moda uma fonte de possibilidades para as inspirações que são formadas pelos desejos íntimos, como num artista, enquanto a maioria busca a tendência. E na calça de cintura muito baixa, nas combinações de cores que ganham modernidade pela assimetria, corajosos e livres formatos diagonais em tecidos risca-de-giz. A música mantém o caminhar desajeitado, mas chique, em saltos criativos e desconfortavelmente futuristas. Esculturas usáveis que enriquecem os limites da imaginação. Uma das maiores riquezas da moda atual. Quando entrou para a maison Givenchy, aos 27 anos, McQueen tinha um intelecto tão rigorosamente organizado que foi capaz de adaptar-se a uma expressão global de moda, diferente do que fazia até então. Essa adaptabilidade, que envolve um entendimento geral das clientes da grife e um equilíbrio de informações criativas para manter peças do presente como futuras e atemporais, é uma das principais lições que Karl Lagerfeld, por exemplo, está tendo para manter-se atual na moda. Não é fácil, porque envolve novos materiais, muita criatividade, coragem e bom gosto. McQueen conseguiu agradar clientes de todo mundo, através de sua própria e criativa percepção da elegância parisiense para a Givenchy. Foi aí que descobri que ele fazia uma moda provocante, mas sofisticada. Difícil equilíbrio, difícil até conseguir prever o que aconteceria em suas passarelas. Alexander McQueen deveria ter sido editor do Vogue! Só assim os leitores de bom gosto não teriam tanto tédio. Ele próprio tinha um estilo que se adaptava ao jeans, aos ternos, aos agasalhos do Mickey Mouse. Essa liberdade de roupa que todo mundo deveria ter sem mexer no estilo. Porque, o estilo individual vai além dos tecidos. Quando McQueen começou, sua criatividade deu à moda uma chance de perceber a qualidade usável vinda da arte. Equilibrando as diferenças entre fantasia e realidade, mesmo para os grupos mais ricos e chiques do mundo. Conquistou rapidamente o sucesso e apavorou a todos com seu suicídio. Mas, uma moda como a de McQueen não desmorona.

Ilustração: Tailleur, chapeu e produção de Alexander McQueen [Arquivo Pessoal].

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Assustador o suicídio de ALEXANDER MCQUEEN, um dos maiores estilistas do mundo...

O primeiro desfile assinado por Alexander McQueen que vi foi em 1998, para a temporada primavera/verão da Givenchy, com a Gisele Bündchen, desfilando maiô, quando ela estava começando a fazer sucesso. O desfile foi muito chique, começou com Frankie Ryder, muita assimetria e vestidos de cristais. McQueen agradeceu usando jeans. Fiquei assustado quando soube que ele se suicidou. Ele era importante para a moda, com sua corajosa e inteligente expressão de indivíduo e não de tendências. Fazia arte, fazia desfiles tão inteligentes e ousados. Assustador e lamentável que um homem talentoso e de sucesso tenha cometido suicídio.