domingo, 14 de março de 2010

Moda – O Tecido, a Técnica e a Foto

Eu sempre valorizei a extravagância quando a base é a qualidade e, acima da qualidade fashion, está o valor temperamental, o estilo individual. Não tenho tido inspiração para escrever sobre moda e pouco tenho atualizado meu twitter. Talvez, não adianta escrever sobre assuntos superficiais, mesmo quando a semana de moda de Paris mostrou roupas feias feitas por Karl Lagerfeld para Chanel e roupas lindas assinadas por Alexander McQueen. Isso não interessa. Eu não gosto da moda atual. Mesmo quem consome o top da moda, não se empolga muito, porque é mais fácil usar um banal terno Armani – de etiqueta devidamente arrancada antes. O tecido e a técnica me interessam, mas, a menos que você seja uma das pessoas mais elegantes do mundo, ficou cafona ostentar ou deixar escapar que alguém saiba a grife. Pessoas elegantes recebem dez, vinte, cartões por semana pedindo: "por favor, use minha marca!" Às vezes acontece. A história que esses dois interessantes elementos são capazes de contar num instante social, num desfile, numa fotografia, me interessa. Ao mesmo tempo, enquanto detesto nudismo na moda, valorizo tatuagens somadas à beleza natural. Eu gosto do que é bonito, mas, pouca beleza me atrai, porque, atualmente, ou é previsivelmente banal ou é imitada. O que dá no mesmo. Mas, na prática, a gente finge que é coisa diferente e perde tempo. Ah! Eu também gosto do tempo. Leio muita coisa sobre as viagens no tempo, coisa séria mesmo, estudos científicos; imagino como seria bom alcançar as viagens no tempo. Usar uma grande roupa, embarcar numa máquina confortável com luzes azuis e um grande aquário cheio de pingüins que nadam e sobem num bloco de gelo. Como é mágico o reflexo azulado na minha pele pálida e fria. Como é mágico ser um viajante no tempo de dedos e estatura longos. Como é mágico ter muitos dons e usá-los para, em forma de segredo, alegrar sua imaginação. Há muito para saber, vestir e registrar. Há muito para dizer, ouvir e perguntar. De tudo, o que me interessa é: a história, o momento e a beleza. Eu sei que há milionários que recebem cartas com propostas para contatarem viajantes do tempo. Sou bem informado. Tem gente que acha uma bobagem, enquanto outros, neste momento, estão na primeira fila, assistindo o desfile de primavera/verão 2008 de McQueen. "Que loucura!" Pense meu bem, o tempo é mágico pra mim e pode ser pra você também.

Foto: China Machado usando roupa Alexander McQueen [Arquivo Pessoal].

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