segunda-feira, 19 de abril de 2010

Moda – ALBER ELBAZ e o Bom Gosto Precisam de Espaço na Moda!

Eu gosto da moda de Marc Jacobs, porém, há designers mais criativos e que, inexplicavelmente, têm pouco espaço na notícia de moda. Um exemplo é Alber Elbaz [foto], que eu só não gosto quando ele tenta dizer que valoriza a individualidade, porque é quase impossível fazer uma moda literalmente individual quando se trabalha com prêt-à-porter, que envolve um tipo de "individualidade" de grupo e não de pessoa; a menos que haja muita – mas muita mesmo – quantidade e esse negócio de quantidade combina mais com Marc Jacobs. Além do mais, muita coisa que você encontra em brechó é idêntica a mais nova proposta de moda de Jacobs. É uma estratégia repetitiva, cansativa, mas temos de admitir que é inteligente, pois tem funcionado. Elbaz é inteligente quando equilibra sua moda ao uso freqüente e não apenas aos armários descartáveis de quem tem peso e altura para entrar num manequim justo, mesmo assim, a pessoa tem de escolher ter esse estilo feito por ele. Mas, em meio a tantos modismos e esse negócio de tendências, é preferível arriscar em adotar uma linha de estilo clássico. Por isso, Alber Elbaz é exemplo de criatividade acessível, cabível em qualquer armário. É preciso dar mais atenção a designers como ele; é também necessário dar atenção aos novos fotógrafos, novas locações. É cansativo rever ensaios de moda em cenários de estúdio ou dentro de casas com ar clean. Parece que os estúdios e as luzes artificiais são a saída quando as modelos e a equipe não gostam de acordar cedo para fotografar. Sou contra essa moda preguiçosa. Preguiça de impor beleza, preguiça de impor novidades criativas. Preguiça que torna a notícia de moda repetitiva. Preguiça de usar bordados para um baile no Rio de Janeiro, como se cidade praiana pudesse mudar a rotina de mulheres elegantes que podem, numa noite quente e chuvosa, receber em grandes salões equipados com ar refrigerado e grandes janelas artificiais de plasma exibindo, ao vivo, o nascer do sol em Tokyo. Preguiça de aprender o básico: que tudo deve ser dobrado ao nosso gosto, tudo deve ser apresentado, visto, analisado. Chega de preguiça, que venha o exagero, desde que seja com bom gosto, mais qualidade e menos quantidade.

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