domingo, 21 de novembro de 2010

Moda e Comportamento - Atrevimentos: Excessos e Exceções

Sabe de uma coisa, quando eu penso seriamente no comportamento atrevido das pessoas, eu prefiro que as doses de atrevimento fiquem restritas à intimidade. Não tem coisa mais chata do que gente inconveniente em festa, que tenta ser atrevida com perguntas e propostas que ninguém é obrigado a responder ou aceitar, menos ainda a dar qualquer atenção que seja. Se você quer ser atrevido(a), seja com sua namorada, seu namorado, isso vale e ajuda exteriorizar sensualidade, sexualidade, charme e desenvolver uma linguagem entre vocês. Mas, não tentem levar isso adiante, para convívio social. Uma pessoa realmente elegante e bonita que se veste bem para ir a uma festa, não quer nem pensar em ter que tirar a produção para atender desejos efêmeros e baratos de qualquer pessoa que use de uma técnica de sedução desnecessária, tornando-se chata com pensamento erótico; além do mais, se a pessoa é bonita, é provável que já seja comprometida. É bom sair às vezes, mas conversar coisas úteis. Não dá, né? Então, prefiro continuar na moda. E quando a gente vê um desfile como Lanvin e H&M, por Alber Elbaz, com manequins naturais, sem forçar seriedade, rindo, é fácil perceber como o atrevimento é bacana na moda, sobretudo com essa coisa de manequins sérias desfilando, que eu acho chato. A gente tem de saber que o ser humano é uma espécie que tem obrigação de ser civilizada, portanto, ninguém é obrigado a freqüentar a exceção da coisa.

Foto: Manequim para desfile Lanvin e H&M.

domingo, 14 de novembro de 2010

Opinião - Vogue Brasil agora pela editora Globo Condé Nast


Recebi a primeira edição de Vogue Brasil pela editora Globo Condé Nast. O visual é o mesmo, mas a qualidade dos nomes que assinam as reportagens está voltando à qualidade – apesar de manterem a Costanza Pascolato, que, em minha opinião, escreve superficialmente a partir de fontes de outros jornalistas de moda, mas eu excluo a página dela e fica tudo certo. Não gostei da capa, a Isabeli Fontana é bonita e poderia estar com um look bonito, mas com esse vestidinho sem graça, não gostei. Já a produção da Fernanda Tavarez no ensaio que deveria ter feito capa, está nota 10! Sou chato? Pode ser que sim, mas, minhas críticas são realistas. A Carta Editorial que publicava a edição brasileira perdeu a mão de como fazer uma revista de moda, outras publicações como Elle Brasil e Marie Claire, por exemplo, estavam mais interessantes, mais cuidadosamente elaboradas para o público, pelo menos para quem tem muito conhecimento de moda. Eu gosto de assinar uma revista e receber qualidade a cada edição, sei da qualidade de minha percepção de moda, do meu bom gosto, então, é inadmissível receber e ler edições cheias de assinaturas que não têm nada a ver com moda, algumas com perceptível objetivo de autopromoção. Isso é fajuto demais. Mas agora, com a editora Globo Condé Nast, espero que a qualidade que se espera da revista Vogue volte e que não fique como outras revistas Globo, que só mostram atores e apresentadores da emissora Globo, que fizeram da revista Quem uma palhaçada.

domingo, 7 de novembro de 2010

Moda - Arte, Desejo, Loucura e Matéria

Vez ou outra a gente usa uma roupa 'inconfortavelmente' apertada, sexy ou qualquer coisa que mostre intimidade física e/ou desconforto camuflado pelo charme só para explicar que "é a arte". A gente sabe fingir bem com a moda, até quando não precisa explicar, justificar. Para mim, roupa boa é a que oferece vitaminas e antioxidantes, ativa a renovação celular, as energias complexas e a absorção de oxigênio em seu efeito. "Como isso é possível?", você me pergunta. A resposta é simples: sendo! Sabe, seria ótimo visitar o Mundo Antigo de kimono de linho; desembarcar de uma espaçonave que atravessa dimensões físicas e psicológicas, passageiros cobertos por jóias Harry Winston, assombrando civilizações antigas e fotografando cada peculiaridade, enquanto, para manter a prataria impecável, treinaríamos ancestrais. A humanidade é assustadoramente curiosa. As pessoas mais civilizadas do mundo, em biótipos que ultrapassam 2 metros de altura, discretamente alterados com saltos que artificializam o andar e as poses. Diana Vreeland acharia – e perderia – a noção do luxo diante de tanta superficialidade. Em meu novo livro sobre jóias, faço questão de falar nesse mundo de fantasias, com ilustrações que apresentam a técnica da mudança físico-comportamental que somente a moda pode dar a uma pessoa sofisticadamente fashion. Mas, isso é outra história; aliás: isso é outra física. Grã-finos e dondocas surgindo em qualquer lugar do mundo e do tempo, em desertos, montanhas e à beira mar. Estranhamente embebidos pela emoção, usando tecidos ultra-tecnológicos, de total impermeabilização, numa parada para o chá sobre o mar, surtam e mergulham com super vestidos em meio a grandes, e geneticamente modificados, tubarões brancos, distribuindo litros de Coca-Cola anos 80 para as feras marinhas. Em meio à loucura, uma humana usando gigante vestido caramelo e meias vermelhas espeta um broche de diamantes num peixe palhaço que, paralisado em suaves movimentos, encara a doidivanas por minutos, horas e dias. Como nossa memória segura o tempo! Está na hora de voltar para a nave, senhoras e senhores. Guindastes Rolls-Royce se ocuparão de trazê-los à superfície, onde um robô com pele de foca oferecerá lentes para rever a alta costura de Givenchy por Alexander McQueen, enquanto alguns passageiros sairão da espaçonave e voltarão do coma. A independência nos possibilita experimentar muita liberdade, especialmente em destinos extraordinários, distantes do controle físico e imaginário. Aproveite, porque os sonhos podem ser mágicos; especialmente à noite, quando tudo é permitido.