sábado, 16 de abril de 2011

Alta Costura – JOHN GALLIANO Foi ao Chão

No auge, John Galliano brilha vestindo as mulheres mais ricas do mundo.
Algumas das experiências mais marcantes que tive, com relação à alta costura, foram as duas coleções de 2004 da Dior. Lembro-me perfeitamente da tecnologia na passarela, da primeira fila com clientes muito exigentes e bem-vestidas, esperando o que vestiriam nos próximos seis meses nos mais nababescos bailes black-tie nos castelos mais esnobes do mundo. Ser esnobe, quando a pessoa é inteligente, é muito chique. Então, as luzes e a música modernas chamam atenção para um gigantesco vestido pronto para ser apresentado, avaliado e comprado. Com bordados em ouro e jóias de abafar, o gigante rabo-de-peixe desliza o rebolado sensual da manequim, enquanto vários outros looks vêm trazendo muito, muito luxo. Esse é um grau de sofisticação quase inimaginável para quem jamais teve acesso direto à alta costura. Você deve ser capaz de imaginar os detalhes técnicos, os materiais nobres. A exclusividade. Isso nos faz sentir o luxo total de quando a minha deslumbrante amiga e madrinha Carmen Mayrink Veiga citada ontem por Pierre Cardin como especial cliente brasileira da alta costura, numa entrevista na Folha de São Paulo [Clique para ler] – descendo do jatinho em São Paulo, já vestida para um baile, usando um vestido tão grande e pesado da alta costura de Paris, atraindo todas as atenções no aeroporto e renderia facilmente uma capa no W inglês de tão extravagantemente chique. 
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Você já parou para imaginar-se num alto grau de sofisticação? Há quem tenha chance de entrar nesse mundo tão bonito, há quem participe da criação dele. Porém, basta um deslize, para que o convidado a novo fino ou o estilista, criador e/ou costureiro, ambos geralmente chegam ao topo através de outros privilegiados por natureza, despenque do que poderia ser uma experiência inesquecivelmente mágica e daí todos viram as costas. John Galliano protagonizou cenas teatrais nos bailes mais chiques do mundo, onde suas clientes usavam criações tão embonecadas e bonitas que valia a pena cada pequena fortuna investida em suas obras de arte de caríssimos e exclusivos materiais e resultados. Casacos gigantes, com dobraduras e técnica magistral, bordados de abafar, que demoram, tudo, mais de 8 meses para ficar no ponto certo. O resultado é deslumbrante. Assim como o branco ajustado e cheio de curvas sensuais que atravessa a passarela com tufos de pele sintética da mais alta tecnologia, sem que precisem mais massacrar bebês foca ou raposas, transformando a mulher numa criatura especialmente feminina e sedutora para o jet-set internacional. O sonho do luxo inteligente, tecnológico e muito, muito apaixonante. Vestidos de abafar, desenhados por Galliano, que levaram o Antigo Egito em seu mais espetacular fashion show de luzes, músicas e vestidos adornados com as famosas preciosidades e máscaras faraônicas, enquanto as manequins posavam virando 90 graus e entortavam-se com as mãos apoiadas nas costas, como faziam os faraós em aparições públicas. Um luxo! Ontem, segundo WWD, Galliano, que já havia sido retirado da criação da Dior, também foi retirado da própria marca que leva seu nome, pois 92% do que ele construiu com o próprio nome, pertence ao grupo que é dono da Dior. John Galliano não soube lidar com as oportunidades que teve e estaria se tratando em Los Angeles por causa do consumo exagerado de remédios para aguentar a queda. Um cristal quebrado não volta, nunca mais, a ser o mesmo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Um dos seus melhores textos, adoro o modo fantasioso como você escreve.