segunda-feira, 16 de maio de 2011

Moda - A Moda que Tende ao Comercial e o Estilo que Tende à Raridade

Bom dia. Quem espera da moda um apoio para o temperamento, erra. A moda é uma máscara para a personalidade, a gente finge melhor quando está bem-vestida e essa ilusão está cada vez mais presente na passarela, nas músicas que embalam os desfiles e também na exigência, no rigor pela magreza. Isso pode ser tendência, quando tendência para uma pessoa da moda é a qualidade, eu estou falando de qualidade técnica e material. A moda existe para dobrar-se, até literalmente, ao gosto da(a) cliente. O marketing pouco importa, porque a gente sabe como as coisas funcionam. Muitas vezes um desfile mostra alguém famoso, a fama mais atrai do que a roupa. Mas, na solidão, é na escolha da roupa que nos camuflamos, que fingimos um treino para um encontro, ou mesmo para ir à escola com qualquer que seja o uniforme. Daí a gente escolhe a que tribo pertence, o bolso de cada um pesa na escolha. As marcas compreendem que para manter a economia precisam recriar objetos de desejo, como uma bolsa que por mais técnica e qualidade, serve para o mesmo que uma bolsa menos sofisticada. Então, eu pergunto: “por que continuar comprando?” Para não deixar a moda perder a graça, porque está cada vez mais ‘na moda’ mostrar que pode acompanhar as tendências e que por mais que isso se repita, a moda não deixa de ser solitária. Você, o espelho, um elogio. Três objetos que podem ser avaliados pela cinemática. A gente nem sabe o motivo das coisas. A gente só quer saber se ‘está na moda’, pra falar bem, pra falar mal. A gente se ocupa do que é desinteressante... A gente é interessante para a moda quando pode bancar essa ilusão. Ah, que raro é encontrar quem tem estilo criativo e de vestir!

Ilustração: Pierre Cardin e os modismos livres de comércio, uma expressão artística, 1968, arquivo do Jamill.

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