domingo, 15 de maio de 2011

Opinião - Uma Virada da Moda em Alucinação e Pesadelo | Brüno

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Bom dia. Vale a pena gastar numa meia o que o povão ganha em um ano? Claro que sim. A moda é, antes de tudo, qualidade e conforto, ninguém se importa com dinheiro quando se tem muito dinheiro, muito estilo, muito acesso ao fashion. Porém, a moda não é somente uma oferta linear, a gente também tem de rir. A moda continua louca e nós continuamos no embalo da coisa. Você pode achar que a moda é democrática, usar roupas e acessórios que são a cara do cantor popular ou da atriz da novela, mas, isso é bem cafona. Em meio aos devaneios do que é fashion, de quem tem o que pensar, comprar e usar, uma frase atrai atenção: “eu quero o terno de velcro do Brüno!” [risos] Isso é hilário, é hilariante. Enquanto as pessoas falam do bullying e querem fazer disso um modismo, eu não tenho paciência para o óbvio: filhos que são criados em lares desestruturados, vendo brigas dos pais e separações, para dizer o mínimo, vão mesmo repetir fora de casa. “O costume de casa se leva à praça”, é o que se diz e o que se faz. Então, ninguém pode me criticar por valorizar a elegância. Uma mulher elegante, um homem elegante, tem antes de tudo uma família organizada, sabe aconselhar que o filho consiga agir de acordo com os direitos que tem: se o aluno é agredido na escola, ele tem que comunicar à diretoria e exigir que seja feita uma reunião entre os envolvidos no bullying e os pais. Agredidos e agressores são vítimas da cultura louca das famílias. Eu não conheço quem já tenha passado por isso e acho que não deve acontecer tanto, sou otimista, não gosto de modismo que não leva a nada. Então, se a loucura está até na educação familiar, você quer que eu exclua a moda? Nem vem. Mas, eu tenho bom gosto, sei como fazer a coisa. Claro que tem o povão que rema contra a maré, mas daí é só mudar de rota, desviar, ninguém é obrigado a conviver com qualquer coisa. Ah, gente, me poupe. Quem liga de fazer você uma vítima de bullying quando você pode simplesmente intimidar as pessoas com seu poder aquisitivo ou com seu estilo hilariante? Isso é uma coisa popular. Nunca vi uma pessoa que trabalha ou que dirige carro popular ser fashion de verdade. Eu estou falando do patamar correto da coisa. Então, vamos encarar as coisas com realidade, só assim essa realidade pode ser uma doce fantasia, pelo menos na moda. Dentro de nossa superficialidade individual e confusa, o que conta mesmo é o grau de loucura que damos às coisas. À moda, já falei! Tentemos encarar a moda com o lado mais hilário da coisa. Gente como Anna Piaggi e Anna Delo Russo, elas são um exemplo de piada pronta na moda. Depois, você encara quem está em cima do muro, Suzy Menkes com os dois pés para o lado do bom gosto, enquanto dá uma olhada para a loucura e marca seu topete. O Karl Lagerfeld correndo de uma balança para outra, até fazer seu próprio estilo que camufla direitinho seu temperamento, pelo menos para os novatos. A gente faz essas coisas por ser bacana. Eu estou falando do que a gente mais gosta, quando o assunto é divertir-se: a superficialidade que temos, vendemos, compramos e convivemos... Dou risada assistindo Brüno, mas, muita coisa é tão real no mundo da moda que eu poderia facilmente atrair atenção com um terno de velcro, enquanto o povão, sem entender, falaria asneiras. Mostrar asneiras é diferente de dizê-las. Somente com muito temperamento uma pessoa culta, com cacife para o mundo do consumismo fashion, pode desenvolver uma personalidade hilariantemente fashion, alienadamente fashion, emoldurado com âmbar e ouro das maiores assinaturas. É fazendo logoff dos limites que conseguimos entender o quão importante são as divisas sociais, sobretudo quando o assunto é moda, luxo e não economizar em recursos. A loucura está na moda. Nisso, só com muito estilo e temperamento, é possível virar a moda em alucinação, mesmo que beire o pesadelo, porque até mesmo aproveitando a desordem da moda, a cereja do bolo é de quem merece. O que é seu, é seu. Agora, ria com Brüno e, se ainda não assistiu, assista.

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