sábado, 3 de dezembro de 2011

Alta Costura – Luxuosa Opulência e o Adeus a FRANÇOIS LESAGE, dos Bordados Mais Badalados do Mundo.

FRANÇOIS LESAGE desenvolvendo bordado.
Os maiores desfiles de moda do mundo, na alta costura de Paris, explodiam o luxo de exclusivos e caros bordados em suas passarelas. Na alta costura, a qualidade e o conforto são praticamente a mesma potência de ofertas para as clientes mais civilizadas, altas e elegantes do mundo. Os bordados feitos em ouro e pedras preciosas, assim como aplicações de rochas brutas com ricas lapidações, davam aspecto artístico aos tecidos mais nobres – estou falando de tecidos verdadeiros, não de imitações populares – como linho, sedas, veludos e tantos outros; depois, também, às versões tecnológicas em exclusivas “receitas” para o mercado de luxo. Pilhas de contas de pedras preciosas e semi-preciosas, água-marinha, tubos de ouro, cabochões multicoloridos, pedras preciosas, jatos de brilhantes. 
Bordado Lesage com ouro.
Um fabuloso tesouro forma a coleção com mais de 100.000 amostras de bordados acumulados há mais de 200 anos e que dão muitas e ricas formas às ordens de temas determinados pelos costureiros mais badalados do mundo. Quinta-feira, 01, a moda deu adeus a François Lesage, responsável por manter os bordados mais badalados da alta costura. Eu não gosto de falar em números, mas, não tem outro jeito para explicar o trabalho de Lesage. A casa de bordados foi fundada em 1868 por Albert Michonet, que trabalhou para Napoleão III, depois, em 1924, a casa foi vendida para Albert e Marie-Louise Lesage, então, designers da Vionnet, a partir daí foi comandada por François Lesage que, aos 18 anos, voltou a Paris após trabalhar como figurinista, designer de famosos estúdios de cinema em Hollywood. Educado e trabalhador, François Lesage começa a colaborar com Pierre Balmain, Jacques Fath e, principalmente com Balenciaga e com a impaciente Elsa Schiaparelli que lhe dizia: “Você é a única pessoa que não tem medo de mim.” Em resposta, Lesage apenas sorria.
Alta Costura Yves Saint Laurent com rico bordado Lesage, coleção Van Gogh de 1988, inspirado no quadro "Le Iris" (Dir.), pintado 100 anos antes.
Com parcerias tão fortes, como as que eu citei, e também com Givenchy, Yves Saint Laurent, Dior, etc., a casa de bordados prosperou na moda com suas lantejoulas, rendas, tules, sedas, brocados, flores de chiffon e constelações de arabescos. Num desfile de alta costura Chanel – eu estou falando em apenas 1 desfile –, por exemplo, é fácil notar o luxo visual enquanto os detalhes técnicos com mais de 80 mil esferas ou grãos de ouro, 1 quilômetro de pedras preciosas e mais de 1000 horas de trabalho são necessários para a coleção. E não podemos esquecer o vestido de casamento da filha do Rei Khaled, com bordados em 13 metros de roda, um dos vestidos mais caros do mundo. 
LESAGE e YVES SAINT LAURENT (Esq.).
E quando se analisa a coleção Van Gogh de Yves Saint Laurent, pode-se notar que os volumes e efeitos da pintura são camadas de finas fitas de cetim com mais de 60 fitas para cada efeito de forma, traços e curvas, de “tinta” como numa tela, que exigiram mais de 600 horas de trabalho por peça. Porém, como uma pessoa elegante pode decidir não seguir uma regra de estilo coletivo exatamente por ter estilo próprio, os bordados Lesage também mesclaram elementos simples como palha, com outros nobres para as mulheres mais elegantes do mundo. Assim, como a alta costura é uma técnica de perfeição, os bordados Lesage estão somados a exigência do luxo, a excelência. Pois, o bordado deve ser baseado no material incorporado ao tecido, ao visual, interpretado de acordo com a personalidade e com o temperamento, percebido pelo costureiro, das clientes. E, como a personalidade, que é moldada a partir do temperamento, o bordado é um reflexo artístico de estilo pessoal, em pedras preciosas e outros luxos. Como disse o próprio François Lesage, “a elegância é como um bordado que não se vê que é bordado.” É pra quem pode.   

Ilustrações: Arquivo pessoal do Jamill.

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