terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Moda – O Oscar em Branco-e-Preto

GWYNETH PALTROW, MILLA JOVOVICH e ANGELINA JOLIE.
Bom dia, eu concordo com o que a Glória Kalil publicou sobre o Oscar deste ano, de que tudo está “sem graça”; realmente, o glamour está em baixa. Estou louco para saber a opinião da fascinante Carmen Mayrink VeigaFashion-designers fazem vestidos cada vez mais clean, não apenas na estrutura, mas, na idéia. É tudo visualmente fácil de copiar, previsível. As jóias são “tímidas” e os cabelos penteados de forma muito... muito... “pouco”. Será que você me entende? Espero que sim. Em meio às tendências minimalistas em tudo, eu gostei do vestido usado por Gwyneth Paltrow, que, apesar de loira, é uma garota bonita e bem-vestida, elegante. Quem assina é Tom Ford e o equilíbrio está nos ombros. O penteado é apenas um rabo-de-cavalo, que poderia ter sido feito por alguém mais criativo – é a única crítica que tenho a fazer sobre a produção. O bracelete e o anel são um luxo, mas, eu gostaria que ela tivesse usado brincos longos com diamantes e uma pulseira delicada ao invés do bracelete. Detalhes, detalhes... De Versace preto, Angelina Jolie estava sexy, o que nem sempre é luxuoso, apesar de ficar bem nela – já que tanta gente tenta copiar o estilo das atrizes do tapete vermelho para ir a casamentos e qualquer lugar. O batom lembra a marca da maquiagem de alta costura dos desfiles de Yves Saint Laurent, mas, é uma cor que envelhece. No mais, ela, a Angelina, é bonita, sexy, e deveria ter usado mais jóias. Numa mistura entre as duas, com luxuoso vestido branco da alta costura Elie Saab e com batom vermelho, uma das mais bem-vestidas do Oscar é, sem dúvida, a atriz Milla Jovovich. Eu, definitivamente, não assisto, há alguns anos, as atrizes no tapete vermelho como uma referência de moda, isso é chato para quem gosta de moda. Para completar, permita-me uma digressão, tiraram o Stefano Pilati da Yves Saint Laurent e isso é um horror, pois, a moda que ele fez para a marca é bonita e me incentivava economizar e comprar peças assinadas por ele. Não é feio se permitir a algum luxo, sobretudo quando se gosta de moda. Mas, isso é outro assunto... Então, a gente entende que no Oscar tantas atrizes tenham usado roupas simples, jóias simples, talvez seja culpa dos estilistas, costureiros e criadores, cada vez menos criativos, sendo mudados, impedindo que mesmo quem gosta de moda possa estar como o Oscar nunca deveria ter deixado de ser: uma festa glamourosa. Está tendo uma votação no Blog da Hilde, da jornalista Hildegard Angel, para escolherem "as mais luxuosas", eu já votei.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Alta Costura – O Luxo Não Apenas Desliza na Lama, Atola

Bom dia, está muito complicado falar de moda. O título do texto pode parecer grosseiro, mas não é menos realista por isso. Por mais que os jornalistas novatos no grupo dos convidados para desfiles estejam com sede por segurar a onda da alta costura para fazer um número na moda, por causa das trocas de favores, o fato é que as coleções, sozinhas, já explicam que estão entediantes. Por mais que os jornalistas afirmem que a alta costura está vendendo mais, os realistas sabem que as estatísticas para as grifes só contam mesmo com relação ao comércio de artigos de luxo em série e prêt-à-porter, pois, simplesmente, a alta costura está uma pobreza, cada vez mais desinteressante, com a cara de prêt-à-porter e tentando manter a coisa toda à base de cenários de desfiles, os jornalistas dizem que está vendendo, mas eles não compram e não entendem que essas estatísticas não dependem deles, nem das “tendências” – que, aliás, nunca devem ser ligadas à alta costura, nunca –, pois, no mercado de alto luxo, hoje em dia, o que conta mesmo é a divulgação, para atrair compradores de perfumes, cintos, óculos e coisas do tipo. Isso é chato para quem gosta de moda, é decepcionante. Claro que continuarão fazendo desfiles, mas, as mulheres que interessam ao mercado de alto luxo e aos admiradores delas e da alta costura, estão cada vez menos interessadas em grandes desfiles, grandes festas, misturadas com toda qualidade de gente: os que sabem muito de moda, os que não sabem nada, os que estão aprendendo e os costureiros de saco cheio desse arrumadinho, mas engolindo sapos para garantirem seus salários. Claro que os novos-ricos querem ter alguma cultura, por isso, revistas como Vogue estão cada vez mais com cara de cartilha: “esse é fulano, essa é fulana, esse é beltrano, essa é beltrana...” Isso é chato, minha gente. Então, vêm os que dizem que o dinheiro mudou de mão, mas, aí que , só o dinheiro que mudou de mão, só o di-nhei-ro. E olha lá. Acho que a sociedade brasileira está uma bagunça, mulheres tidas como “elegantes”, chamando turbo-hélice de jato, tomando champanha e falando mal umas das outras em reality show. Quero o jornalismo de moda com a Regina Guerreiro, a Cristina Franco, os textos do Ignácio de Loyola Brandão, capas de revistas com roupas do Lino Villaventura, André Lima, Guilherme Guimarães, Pedro Lourenço, com produções luxuosas, inteligentes. Isso é qualidade, e não a mesmice que se vê e lê no vestuário popular e nas revistas. A alta costura está sim entediante e a moda no Brasil está uma pobreza. O negócio, para não se irritar com a alta costura igual ao prêt-à-porter e essa misturada danada, é fazer como diz o Walcyr Carrasco na Época do dia 30: “Talvez o melhor seja sair fantasiado e encarar o ato de se vestir como realmente deve ser: um grande gesto de liberdade a que todo ser humano tem direito.”