sábado, 4 de fevereiro de 2012

Alta Costura – O Luxo Não Apenas Desliza na Lama, Atola

Bom dia, está muito complicado falar de moda. O título do texto pode parecer grosseiro, mas não é menos realista por isso. Por mais que os jornalistas novatos no grupo dos convidados para desfiles estejam com sede por segurar a onda da alta costura para fazer um número na moda, por causa das trocas de favores, o fato é que as coleções, sozinhas, já explicam que estão entediantes. Por mais que os jornalistas afirmem que a alta costura está vendendo mais, os realistas sabem que as estatísticas para as grifes só contam mesmo com relação ao comércio de artigos de luxo em série e prêt-à-porter, pois, simplesmente, a alta costura está uma pobreza, cada vez mais desinteressante, com a cara de prêt-à-porter e tentando manter a coisa toda à base de cenários de desfiles, os jornalistas dizem que está vendendo, mas eles não compram e não entendem que essas estatísticas não dependem deles, nem das “tendências” – que, aliás, nunca devem ser ligadas à alta costura, nunca –, pois, no mercado de alto luxo, hoje em dia, o que conta mesmo é a divulgação, para atrair compradores de perfumes, cintos, óculos e coisas do tipo. Isso é chato para quem gosta de moda, é decepcionante. Claro que continuarão fazendo desfiles, mas, as mulheres que interessam ao mercado de alto luxo e aos admiradores delas e da alta costura, estão cada vez menos interessadas em grandes desfiles, grandes festas, misturadas com toda qualidade de gente: os que sabem muito de moda, os que não sabem nada, os que estão aprendendo e os costureiros de saco cheio desse arrumadinho, mas engolindo sapos para garantirem seus salários. Claro que os novos-ricos querem ter alguma cultura, por isso, revistas como Vogue estão cada vez mais com cara de cartilha: “esse é fulano, essa é fulana, esse é beltrano, essa é beltrana...” Isso é chato, minha gente. Então, vêm os que dizem que o dinheiro mudou de mão, mas, aí que , só o dinheiro que mudou de mão, só o di-nhei-ro. E olha lá. Acho que a sociedade brasileira está uma bagunça, mulheres tidas como “elegantes”, chamando turbo-hélice de jato, tomando champanha e falando mal umas das outras em reality show. Quero o jornalismo de moda com a Regina Guerreiro, a Cristina Franco, os textos do Ignácio de Loyola Brandão, capas de revistas com roupas do Lino Villaventura, André Lima, Guilherme Guimarães, Pedro Lourenço, com produções luxuosas, inteligentes. Isso é qualidade, e não a mesmice que se vê e lê no vestuário popular e nas revistas. A alta costura está sim entediante e a moda no Brasil está uma pobreza. O negócio, para não se irritar com a alta costura igual ao prêt-à-porter e essa misturada danada, é fazer como diz o Walcyr Carrasco na Época do dia 30: “Talvez o melhor seja sair fantasiado e encarar o ato de se vestir como realmente deve ser: um grande gesto de liberdade a que todo ser humano tem direito.”

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