terça-feira, 16 de abril de 2013

Moda - O Mau Gosto e a Criança Milionária

É certo que as loucuras da moda camufladas por novos jornalistas deslumbrados com a possibilidade do acesso aos costureiros e com a obrigação de publicarem artistas da televisão como personagens "fashion", estão nos fazendo evitar revistas e programas de moda. O que essa loucura provoca numa criança, que está começando a construir seu estilo? Imagine, então, se a criança é rica e pode experimentar os devaneios oferecidos pela moda. Um terror completo. Isabella Barrett tem 6 anos de idade, prefere lagosta e, com relação às roupas, gosta de ser extravagante, talvez por causa de artistas como Lady Gaga, ou por causa dos jornalistas deslumbrados... Claro que eu escolhi as duas fotos mais bonitas dela. "É apenas engraçado", diz a mãe dela. Sim, é engraçado mesmo. A criança tem 60 pares de sapatos e seus vestidos são, geralmente, cafonas, nessa mesma 'receita fashion' que faz com que Anna Dello Russo seja considerada "chique" hoje em dia. Claro que há nomes extravagantes na história da moda, Anna Piaggi e Diana Vreeland, por exemplo, mas, essas tinham algo que falta hoje em dia: feminilidade, extrema inteligência e, mesmo nas mais ousadas misturas, havia bom gosto. Se os pais da Isabella querem transformá-la numa fashion victim ou numa louca, devem manter as coisas assim; mas, se a intenção é torná-la uma pessoa de bom gosto, fazendo bom uso de sua fortuna, deveriam, antes de tudo transformar seus cabelos loiros em negros e levá-la para ter aulas com Suzy Menkes e com a chique e linda Valerie Steele, antes de ir ao atelier de Elie Saab, em Paris. Sem isso, é mais uma Lady Gaga que vem, ou uma dessas garotas que desfilam em carnaval. Uma chatice.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Alta Costura - O Simplificado Luxo de Stephane Rolland | Primavera/verão 2013‏

Eu gostei do desfile de alta costura de Stephane Rolland, as roupas com base extremamente clássica e luxuosa, emendadas com uma certa extravagância dos canos de calças arrastando como longos vestidos. Cores simples em tecidos luxuosos. Alguns modelos com golas e ombros montados; mangas, capas e caudas esvoaçantes, drapeados, bordados. O glamour na silhueta, pois, o equilíbrio da roupa está na cintura. A transparência nas coxas é super sexy, provocante. Toda a produção de maquiagem, cabelo e acessórios, por exemplo, é mínima e clássica, nem havia jóias. Assim, o costureiro quer chamar atenção para a roupa. Uma das mulheres mais bem-vestidas do mundo, Carmen Dell’Orefice, de paletó simétrico branco, com capa, gira na passarela apresentando o traje. Um desfile de luxo que, em minha opinião, precisaria apenas de um cenário com porte mais imponente, que combinasse com as roupas. Havia violinistas em torno da passarela curva, mas, não é suficiente. Porém, talvez, assim como cabelo, maquiagem e jóias usados demonstram o interesse de Rolland em "mostrar" somente as roupas, o cenário entrou nessa onda, mas, num caminho inverso ao bom gosto no chique e clássico resultado da produção das manequins e, com uma passarela tão clean, só pode ter algum bom gosto para quem considera um saguão de aeroporto ideal para usar algo tão sofisticado quanto essa coleção. Nada é perfeito.

sábado, 6 de abril de 2013

Moda - Tom Ford e o Latão‏

Quando Tom Ford estilizou a Yves Saint Laurent, ele assistia a apresentação das roupas recém-confeccionadas e, com uma tesoura, fazia uma fenda, diminuía uma alça e fazia cortes estranhos, mas, que davam uma atrevida e moderna funcionalidade in à roupa. O trabalho dele é excelente, não entendo como não o chamaram para estilizar a alta costura Dior. Os donos das marcas querem vender e quase não há outro fashion designer como Tom Ford, que conseguiu reergue a Gucci. Não precisaria dizer mais nada numa reunião. Ele sabe trabalhar com luxo. A relação de um criador, estilista ou costureiro com a moda deve ser como a de pais e filhos. É preciso haver coerência entre pensamento, o que se diz e o que se faz. Eu estou falando de dar o exemplo e, a partir daí, vem o resultado de tudo, com valores mantidos e construídos, e isso é qualidade. Eu não consigo imaginar o Tom Ford usando os mesmos elementos que Karl Lagerfeld usa como marketing pessoal, por exemplo; aquela máscara toda, os óculos, as luvas, os acessórios que o tornam personagem distante do que realmente poderíamos conhecer dele. Basicamente, isso nada tem a ver com a moda que ele faz, mas, deslumbra jornalistas que recusam a mesmice das coleções, tudo quase sempre menos interessante e curioso do que o escudo de Lagerfeld. Encenar um papel não deve ser fácil. Tom Ford é sofisticado, sem elementos artisticamente dramáticos. Yves Saint Laurent não escondia a angústia que sentia em criar moda. Tom Ford não se enquadra nos que forçam a barra, nem nos que demonstram suas fraquezas, ele apenas faz o que gosta e, por isso mesmo, até um vestido é como se fosse para ele usar, porque, reflete seu estilo. Quem lembra das roupas que Alexander McQueen fez? Tinha disso. Eu acho inteligente, mesmo quando, às vezes, não tem 'bom gosto', pois, não interessa, é bom para ele e, se não é usável, chama consumidores de itens mais acessíveis. No mais, voltando ao Ford, seu estilo, aparentemente clean, pode parecer linear demais para notar apenas um anel como acessório. É aí que entra o detalhe do complemento de sua assinatura, a marca: seja um latão ou um golconda, a roupa já valorizou tudo.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Moda - Um 'Descombinado' Destaque Oriental

Quem acompanha moda tem notado cada vez mais orientais assistindo desfiles da alta costura de Paris e seus nomes constando nas minúsculas listas de clientes. As ruas de Tokyo, por exemplo, sempre foram uma passarela de ousadia fashion, muitas misturas nas roupas de jovens interessados em marcas e editoriais de moda ocidentais e cada vez mais adeptos da receita de exageros que a moda vem ditando para cobrir o entediante show de um vestuário idêntico a cada estação. Acessórios exageradamente misturados e combinados sobre uma roupa totalmente correta parece não ser o limite. Portanto, agora, além de filtrarmos a questão da qualidade que define boas marcas, é preciso uma carga de tolerância com as misturas de estilos, cores e tecidos que ultrapassaram a barreira dos acessórios e atingiram a roupa em si, com peças de alfaiataria, como jaquetas, usadas sobre os ombros como um casaco de peles, "combinadas" com calças e sapatos esportivos que, numa tentativa de nivelar, têm a manobra de combinar cores e proporções. Como uma noiva que usa decote, porque nunca teve oportunidade de ir a um baile, as misturas gritam uma intenção de "sabedoria" e vivência numa realidade ainda desconhecida e, portanto, estranha, que desfaz o respeito pela estrutura da roupa, mas, que, às vezes, é divertido e com um certo bom gosto. Porém, quando a moda chega a esse estágio, novamente volta a questão estética que faz com que o jovem oriental da foto pareça bem por estar magro, o mesmo não aconteceria se um gordo usasse a mesma "descombinação".