domingo, 21 de dezembro de 2014

David Beckham Into the Unknown




Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Na madrugada de hoje eu assisti ao documentário "David Beckham Into the Unknown", pela Netflix. Estou afastado das redes sociais, é uma chatice você abrir sua página no FaceBook e se deparar com a mesma receita exibicionista adotada pela maioria: postam fotos e comentários sobre tudo que elas filtram ser "interessante" e regam tudo com ar de boa vida, muitos gastos, etc. E mesmo que você consiga enxergar muito vazio nisso, as mesmas postagens se repetem, e novamente... É fácil ver alguém numa varanda da Atlântica; mas, foto na Avenida Suburbana ninguém posta. De algum modo, há muito artificialismo e um grande esforço por aceitação. Mas, cada um posta o que quer no seu perfil da rede social, nada contra as pessoas, eu não entendo o motivo desse ser o único caminho que a maioria percorre. Quando não é isso, são as terríveis fotografias mostrando casos de maus tratos e crueldades contra os animais - e quem é meu amigo, conhece a minha luta para frear essas brutalidades. Eu não como carnes! Eu não compro nada feito de couro, ou penas, etc.! Sou muito radical comigo mesmo, com relação a colaborar com isso, mas, não pego no pé de ninguém. Acredito que a evolução da humanidade está muito mais ligada com a maneira como lidamos com a natureza e tudo que Deus Fez, do que simplesmente esperarmos que a ciência indique o caminho das coisas. Obviamente, mantemos nossa jovialidade e boas roupas a bons e muitos custos, mas, cair na real, além do que é aparente e supérfluo, enxergar e valorizar os amigos, assim como descartar quem não o é, tem grande valor. Por isso, eu finalmente quis ver esse documentário do ex-jogador de futebol David Beckham, que é tão marcado com rótulos artificiais e mundanos que não levam a nada, o que aumenta a curiosidade sobre como será... Eu estranhei que ele e os amigos quisessem percorrer alguns caminhos pela floresta Amazônica em motos. Mais estranho ainda foi quando eles, já num barco no Rio Negro, tendo deixado as motos para trás - ou quase -, decidem resgatá-las e encaram mais desafios dentro da floresta. O encontro com os Yanomami foi, sem dúvida, algo especial na vida deles, especialmente do David, que é tão cercado por pessoas que forçam a barra por uma amizade em troca de algo, como uma fotografia que será objeto de ostentação na rede social ou preocupações tão bobas, quanto a da mulher dele, Victoria Beckham, que em meio às possibilidades de perigo na floresta, pensava apenas em como ficaria o cabelo do marido num país de clima úmido... Quem não viu, deveria ver.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Moda - O Padrão de Cada Um


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - A proposta de estilo padrão, com peças e combinações idênticas de roupas e acessórios não é nada chique, a menos que você queira falar de escola, Exército, ou que a pessoa trabalhe com algo que seja de circo, aqueles grupos de malabaristas que se vestem de maneira igual, ou treinadores da Shamu. Não vejo graça em fardamento se o assunto é estilo próprio, pelo óbvio: não tem nada de individual. Eu gosto de alguns exageros da moda, dentre eles os volumosos casacos que o John Galliano mostrava nas passarelas e que, jamais, eram vendidos. Os preços, astronômicos, e a falta de clientes da alta costura faziam das produções nada mais que simples figurinos de apresentações teatrais na passarela. Atualmente, a roupa não pode nem deve ser apenas bonita, ela tem de ter algo a mais, um detalhe tecnológico ou puramente caro, como bordados de ouro, por exemplo, alguma coisa que dê identidade mundana a quem usa. Claro que estou falando da alta costura, pois, apesar do prêt-à-porter estar no páreo, de igual para igual na questão visual, alguns materiais, cada vez mais específicos, ainda mantém a alta costura. Essa coisa do padrão visual entre as ofertas de moda tem sido apresentada por muitas marcas. Dior e Louis Vuitton, por exemplo, são um exemplo, mas, a Chanel está de lascar. Karl Lagerfeld emagreceu, paga o preço da aparência construída e encenada com base no comportamento e nas palavras e duras expressões de Coco Chanel e, por isso, é alvo da atenção de jornalistas, dos espectadores de moda que pouco analisam seu histórico de criações. Lagerfeld está aproveitando que as pessoas são ofuscadas por sua embalagem e está simplificando seu trabalho criativo, praticamente tendo igualado a alta costura Chanel ao prêt-à-porter da mesma grife. Mais chato que isso é que até os bordados e tecidos são aparentemente ‘reaproveitados’ uma ou duas coleções depois, como se a alta costura fosse para um nível de desmemoriadas clientes. Talvez, com a escassez de clientes, Lagerfeld queira atrair compradores emergentes, que têm mesmo memória fraca e facilitariam ainda mais seu trabalho, cada vez mais desinteressante e muito aplaudido, como foram os feios calçados que ele desenhou para a Melissa. Os jornalistas, na maioria, perderam o senso de beleza e de valor do que assinam, quando elogiaram aqueles calçados. Tudo bem que, hoje em dia, muita gente que escreve sobre moda precisa elogiar algumas pessoas como uma troca de favores, até que o leitor não sabe mais quando um elogio é honesto ou comercial. Antes, com o Ibrahim Sued, ele falava e escrevia de maneira natural, elogiava quem queria e tinha suas pessoas preferidas. Hoje é uma pobreza pensar que existe esse mesmo padrão em manter naturalidade, honestidade e transparência. As pessoas não têm mais nenhum padrão de qualidade referente a temperamento e personalidade… Restou o padrão na moda, a uniformização. Que pobreza. E aí, Galliano, como está sendo não ter de participar desse circo? Será que virá café requentado para a Maison Martin Margiela?

BlackFish: Alerta Sobre o que Fazemos, Incentivamos e Devemos Mudar


Eu aderi ao comportamento americano de ver filmes e documentários pela internet; por isso, muitas vezes eu assisto aos documentários do aplicativo da NetFlix. Eu sei que quase não há nada mais 'careta' do que assistir filmes e documentários em casa - até ir ao cinema já é considerado 'careta' também. Imagina só como as coisas estão malucas! Estou evoluindo e me permitindo. Eu aconselho que você instale NetFlix na sua televisão, veja "BlackFish" e indique aos seus amigos, sobretudo aos que, como eu, também gostavam tanto do Show da Shamu... O documentário mostra, de forma muito desmascarada, a realidade das orcas - índios chamavam as orcas de "black fish", por isso o nome do documentário - que são capturadas, ainda bebês, e transformadas em atrações em parques aquáticos como o Sea World, por exemplo. Muitas pessoas ainda têm resistência para o óbvio: os animais são seres vivos, merecem a liberdade e devem ser respeitados. Para quem mantém essa teimosa e, atualmente, ignorante resistência e para quem escolheu lutar pela igualdade entre os seres vivos, esse é um documentário sensacional. Eu gostava do Sea World, como escrevi antes, até saber que a embalagem que vemos e mantemos com nosso dinheiro é somente a ponta de uma montanha de brutalidades. Em BlackFish você se surpreenderá com relatos embebidos em arrependimento e dor de quem colaborou com a captura, diante dos olhos da família de orcas que assiste tudo, em desespero, emitindo sons de sofrimento, depois de uma luta na tentativa para despistar os caçadores, por desvios logo vistos por um helicóptero preparado para avisar quando elas viessem à superfície respirar. É uma brutalidade terrível. A evolução humana está muito ligada a forma como tratamos os animais, os seres vivos no geral, tudo que não é baseado em amor e igualdade não vale a pena neste mundo. E, certamente, não valerá no outro. Assista ao documentário BlackFish. É emocionante e revela uma realidade que precisa de nossa ajuda, assinando petições e combatendo que a humanidade continue tão monstruosa.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Moda - Fashion Rebobinado


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Estou atrasado, mas, valerá a pena… A magreza continua em voga na moda e isso vem levando a maioria dos consumidores a extremos. É uma informação boba, desde que você não esteja no meio disso. Não me admiraria se alguém tentasse suicídio por não conseguir entrar numa roupa… “São os ossos”, diriam as palavras mais amáveis. Nós ainda estamos na metade do caminho… Por mais paliativos que cada pessoa seja capaz de aceitar, cada um está disposto a, simplesmente, entrar na ‘forma’ que estiver em moda. Parece assustador, eu sei, mas, mais assustador é não conseguir entrar nessa linha, nesse ritmo que evolui e exige sacrifícios e provas maiores, como - permita-me um pouco de romantismo - era preciso para provar o amor por alguém. Antes, a moda era capaz de adaptar-se ao nosso cotidiano - como veio o jeans, por exemplo -, e tudo se tornava mais confortável, mais fácil… Como a moda era carinhosa, “abraçando” nossas necessidades e fazendo valer cada lançamento e investimento. Hoje, é o oposto. A moda tomou vida! Sim, essa conclusão dramática! Como as doenças, que nos forçam a tomar remédios para sobreviver, precisamos estar inseridos no fashion, comprando a novidade, precisamos manter a ideia de ‘estar vivo’. Eu me assusto quando percebo que ainda há quem acredita em amor, o sentimento, entre casais; amor que romperia o pensamento moderno dos casamentos que já começam terminando, que ainda fosse como os romances que continuam existindo nos livros. É tudo tão raro e as demonstrações tornaram-se evoluídas. Os romances continuam em alta na intenção, nas fantasias e sonhos; e, se você não tem o luxo para moldar sua estética e te ajudar quando tiver o baque com a realidade, de que tudo isso de amor pode ser somente, na melhor das hipóteses, um fetiche, um gancho para sustentar toda a expectativa, algo que pode ser mantido, melhorado, com os modismos, simplesmente não conseguirá evoluir. Isso é tão cruel! Donatella Versace é uma mulher extremamente magra, em forma e chique. Você concorda comigo, obviamente. Quando você for capaz de ver a Donatella e dizer, com todas as letras, que a tem como um referencial de boa forma, seu ‘bom-senso-estético-fashion’ estará afiado; mas, se a coisa for mais adiante e você começar a desejar ter o mesmo caminho de mudanças faciais, haverá a certeza de que a sua evolução começou, que você entrou em velocidade supersônica e precisará, somente, do combustível: grana. O futuro nos reserva a aparência mais esnobe, inumana, sobre-humana, tudo que estava apenas começando nos anos 80 - quando o bacana era ser “excêntrico” através da roupa, acessórios, da decoração da casa -, agora exige, de forma mais invasiva, a mudança física. Magreza excessiva, espartilhos, cirurgias de tirar costelas, plásticas e enchimentos faciais, olhar sereno, leve, de quem sabe que tudo isso faz parte de você… E que você gosta. Esperem! Mas, pisem no freio, desacelerem o supersônico da evolução fashion! Sim, é a Madonna na nova campanha publicitária da Versace! Como o mundo dá voltas. E lá vamos nós… Vamos recomeçar, antes que o que nos salva, que é o clássico, seja forçado a mudar.

sábado, 1 de novembro de 2014

Alta Costura - A Idéia é Simples e o Conhecimento é Um Luxo


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Quando o luxo é oferecido na passarela, às vezes, a produção usa de humor para cativar as clientes. Porém, a oferta não sai do controle e nem a cliente deveria sair. É como uma dança de neurônios, prazeres, castigos e privilégios. É comum que, atualmente, alguns jornalistas de moda defendam que o mercado de luxo tem o único objetivo de representar e vender a idéia da marca, para que o consumidor-alvo possa, de forma deslumbrada, sair do controle e, sem pensar em poder aquisitivo, comprar qualquer coisa que o insira na mesma ‘idéia’, no mesmo grupo. Então, perfumes, acessórios mais baratos e qualquer coisa que você possa imaginar vinda do mundo das falsificações, são muito vendidos. Essa é uma das estratégias de marketing e não há duvida de que se há uma maneira de lucrar a mais, será usada e incentivada.
Mas, que tal pensar em quem realmente compra e usa a proposta do topo? O alvo do legítimo mercado de luxo é a clientela ‘top’ e ninguém ali quer fazer show para quem não pode comprar. É uma questão de vaidade, acima da necessidade do lucro fácil que virá da turma deslumbrada. Talvez, um ou outro vestido possa ser de uma expressão artística tão forte que somente o sussurro da vendedora exclusiva, ao ouvido da cliente, a fará perceber que a intenção do costureiro é, além de vesti-las, mostrar que o “chique” pode ser inesperado.
Há cada vez mais pessoas interessadas por assuntos envolvendo moda e a maioria delas vem do grupo dos deslumbrados. Mas, não devemos culpá-las, sonhar é para todos. A moda, em si, funciona dessa maneira e tortura os pobres que são envolvidos pelo charme da roupa e da marca. As faculdades estão entupidas de gente que quer ser profissional da área, mas, que viverá apenas as ilusões e vontades enquanto o tempo passará, puxando, aos poucos, o tapete sobre os pés que jamais usaram todos os sapatos que gostaria. Quando o puxão final acontece, a queda na realidade é tão bruta que a única coisa que resta é perceber que o tempo passou, nada foi feito e esse foi apenas um dos castigos proporcionados pela moda. O mesmo acontece para quem aspira ser uma pessoa colunável, quando a verdade carimba de forma desinteressante o sobrenome, a história pessoal, econômica e profissional. Interessante quando a verdade entra em jogo…
Você quer falar mesmo de realidade? Ontem, dia 31 de outubro, caiu a nave da Virgin Galactic, e as pessoas lamentaram muito mais pelo 35º teste de voo que deu errado, do que pela perda de dois pilotos. O fato é que estamos cada vez mais sedentos por novidades que impulsionem nossas fantasias e ilusões, enquanto a única verdade nesse acontecimento foi a perda dos dois pilotos… Os testes continuarão, é obvio. Dia 20 de outubro também houve uma perda na criação de moda, Oscar de la Renta morreu de câncer e as pessoas lamentam, esquecendo que a lamentação não é um bom sentimento para alguém que aproveitou a moda e seus recursos criativos de modo que fez exatamente tudo que quis; ele apenas partiu depois de tanto fazer e ser. Teriam feito as mesmas lamentações se ele não fosse famoso e estivesse apenas contribuindo para algo que viria a ser um combustível de novos desejos e expectativas? É preciso saber que o que nos torna especiais são as experiências que temos dentro da área que escolhemos, sem que caiamos na mesmice barata dos derrotados, que buscam culpar os outros pelo seu castigo; ou, na tentativa de expressar interesse num estudo ou num grupo, focam somente no terreno, quando, na verdade, há vidas de pessoas desconhecidas que foram perdidas pelo caminho. ‘Extra! Extra! E lá vem o John Galliano, em janeiro, assinando Maison Martin Margiela’. A humanidade precisa de sonhos de consumo, de luxos, mesmo que não possa pagar por eles.
Então, em meio a uma moda popular cada vez mais repleta de realismo com roupas em tecidos iguais, que imitam personagens de novelas e lotam casas de shows populares, apropriadas para trabalho, rotina e escola, o luxo jamais deixa de fazer sonhar acima desse nevoeiro desinteressante do tecido usado para cobrir a nudez.
 É inaceitável esse negócio de que a alta costura é desenvolvida a partir da moda de rua. As clientes não são interessadas nisso, mesmo que o costureiro queira e faça uma coleção que tem inspiração na moda de rua, pode conseguir que a imprensa publique e agrade o povão, mas, o povão não compra alta costura, nem jóias legítimas. O povo, na maioria, evita entender o valor da qualidade, da técnica e do material de um produto de alto luxo – a palavra “luxo”, talvez pela banalização, exija um complemento, um belo “alta”, para manter-se disponível ao aprendizado –, além da exclusividade da participação desse mercado, limitando-se, no máximo, a compra de um perfume, um artigo do segmento popular, esse tipo ouro simples, 750, de shopping center e, até aí está certo, pois, é um segmento comercial disponível e acessível; o problema está em quem fica numa certa ilusão de que isso é “chique” e, pior, “essencial”.
Mas, obviamente, luxo está bem além da moda de rua, de acessibilidade econômica, e eu estou aqui para mostrar que bem além da classificação de futilidade, geralmente dada por países de Terceiro Mundo, o luxo legítimo é uma requintada moldura das sociedades mais civilizadas do mundo; então, se um costureiro “desprezasse” as clientes dessa forma, para tentar dizer e mostrar que a alta moda é um reflexo da moda de rua, ele perderia o emprego na mesma hora… Enquanto a Kim Kardashian compra uma arma que pertenceu a Yves Saint Laurent, ou o Valentino lança seu livro sobre decoração de mesas com porcelanas de luxo.
Compreender o mercado de luxo, mesmo para quem não participa nem consome, é uma atitude de ampliação de percepção humana. Com a modernidade e pesquisas em busca de seres extraterrestres, quase não há nada mais naturalmente diferente do que, ao embalo de uma música techno, iluminação apropriada e metais, pedras e tecidos preciosos, vermos uma manequim desfilar em Paris, caminhando sobre um salto que lhe atribui altura e postura fora do comum, mostrando-nos que, talvez, a cultura alienígena, do diferencial físico e capacidade tecnológica, esteja somente no que podemos ser através da moda, enquanto os aparelhos mais modernos “teletransportam” informações, fotos e vídeos uns para os outros ou para a internet.
Somos mais modernos do que podemos imaginar e enquanto essa capacidade nos possibilita compreensão, podemos aceitar e respeitar o luxo como uma expressão máxima que nos diferencia, valorizando e incentivando não somente às exclusivas clientes que têm o privilégio, mas, também, a você, que pode afirmar ter possibilidade e conhecimento de que compreender, respeitar e admirar é também uma capacidade humana que possibilita ao seu conhecimento o rótulo de luxo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Alta Costura - Luxo e Simplificação na Construção do Estilo


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Apesar da pouca quantidade de clientes e do visual menos interessante nas coleções atuais, a legítima alta costura continua pelo mesmo caminho de beleza e elegância por causa do vintage e de suas clientes… Isso não é resultado somente da criatividade do costureiro de uma marca, que não tem como influenciar na elegância ou no prestígio social de uma mulher, limitando-se à oferta de moda para o bem-vestir - que é a base para o ‘chique’ -, cumprindo regras protocolares para agradar à clientela, que manda no pedaço, guarda bem suas obras de arte e, com porte adequado, cada uma traz seu charme para os salões de qualquer tempo.
O mercado de luxo dobra-se à cliente, é isso mesmo, não impõe medida de manequim nem comprimento de saia ou altura de cintura, o mercado de luxo adapta a técnica e a tecnologia às necessidades da cliente – que paga muito bem por isso –, e também aos seus caprichos. Uma mulher muito magra, por exemplo, ganha curvas com um vestido mais ajustado à cintura – “acinturado”, como eu gosto de dizer –, ombros alinhados pela postura ou pelos tecidos; e volume no quadril [ver foto do vestido Christian Lacroix, de 1984]. Isso é técnica a favor da cliente e é isso que deve ser valorizado, consumido e incentivado na moda no geral.
As mulheres mais elegantes do mundo, com seus nomes nas listas de clientes da alta costura, não copiam os figurinos completos da passarela, especialmente na era teatral que comandou passarelas do meio dos anos 90 até a derrubada de John Galliano da Dior – a menos que seja para um baile temático –, cada uma tem seu próprio estilo, é individual, além das roupas, até os penteados, maquiagens, etc. Elas adaptam a oferta de luxo ao próprio estilo e tornam-se reconhecidas por isso. Mulheres como Carmen Mayrink Veiga, Paloma Picasso, Jacqueline de Ribes e Bethy Lagardère, por exemplo, são expressões de estilos reconhecíveis em qualquer lugar do mundo; e, quanto mais citadas, mais as novas gerações terão noção do ápice a que o luxo extremo pode chegar. Isso é inteligente e muito chique. É pela qualidade que aprendemos e somente assim conseguiremos entender os limites da beleza, do legítimo “glamour”, que tantos citam, mas, poucos compreendem nesta realidade tão visual.
Portanto, seja qual for o tipo físico, a rotina ou necessidades de usar determinada cor que não está na cartela dos desfiles da temporada, é importante que a cliente tenha consciência de que a obrigação da moda é a adequação, oferecendo harmonia entre seu vestir e o que é física e psicologicamente, entre o que faz e o que pretende dizer. Quando a moda é encarada pelo seu real papel para a humanidade, mesmo que para isso não seja uma expressão artística e economicamente cara, o consumidor conseguirá construir seu próprio estilo, uma identidade que, aliada ao comportamento bem educado e civilizado, compõe os acordes da elegância, indicando um estado de maturidade, beleza e presença essencial para o bem-estar, auto-estima e satisfação.
Legenda da Ilustração:
Vestido atemporal da alta costura de Christian Lacroix, 1984, divulgação, arquivo pessoal. A segunda fotografia [Arquivo Pessoal] mostra Gisele Bündchen após o desfile de alta costura de 60 anos da Dior, ainda vestida com a versão feita por John Galliano do “Tailleur Bar”, dessa vez mais ajustado, preto, todo bordado. A maquiagem exageradamente moderna, assim como sapatos muito altos e desconfortáveis mostram que, apesar da produção, a base de oferta e bom gosto mantém a linha da moda, que é chique, independente da idade da cliente. O clássico é luxuoso, sobretudo quando é aliado aos detalhes técnicos que a moda oferece para deixar a cliente mais bonita e mais confortável. Óbvio que o material usado, desde os tecidos tecnológicos até os bordados com pedras e metais preciosos, passam como simples detalhes quando o que as clientes buscam é “apenas” – e não menos especial ou menos caro por isso – satisfação visual e estilo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Alta Costura - O Desconcertante Pode Ser Fascinante e Chique


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - A moda pode definir nossa classe social, mas, isso não é novidade. A novidade está na sensibilidade de cada um quanto a diferenciar as coisas. Com a onda minimalista, é preciso aprimorar a forma como você vê e analisa um item de moda. Peças aparentemente simples, como um par de meias, por exemplo, quando feitos com tão alta tecnologia e materiais nobres, pode custar um carro. Você acha isso impossível? Definitivamente, a realidade do mundo do luxo destrói qualquer barreira de espanto. Porém, caro leitor, isso não quer, obrigatoriamente, dizer nadinha sobre elegância. Quando vislumbramos o real estadão do alto luxo mundial, podemos perceber a naturalidade em certas, e especiais, mulheres usarem vestidos tão nababescos em bailes realizados nos castelos mais esnobes do mundo, quando a alta costura ainda mostrava as extravagâncias de John Galliano para Dior, jóias pesadas em gramas e preços eram usados sem nenhuma ostentação, supersônicos Concorde transportando ricaços para um casamento. A alta costura atual tenta facilitar as coisas e, por mais que os preços permaneçam superando as ‘barreiras de espanto’, a idéia é fazer com que cada uma das clientes consiga ser cada vez mais discreta, comum e até desinteressante. Será que somente através de uma percepção de pessoas impecavelmente bem-vestidas e numa correta linha de rigor é que podemos identificar quem é realmente “in” e elegante? Vejamos, então…
        Quando o assunto é moda, as mulheres mais elegantes do mundo dão um show; antes de tudo, é preciso deixar claro que a lista das mulheres mais elegantes do mundo só é realmente válida até o ano de 2003, quando Eleanor Lambert selecionava os nomes. Pare de imaginar que o tempo pode transformar coisas e pessoas em elementos “ultrapassados”, isso é uma visão muito complexada do tempo e, sobretudo, errada da moda, a não ser que você prefira a ignorância de ignorar a história da moda e o desenrolar até o que aplaudimos hoje nas passarelas. As mulheres mais elegantes do mundo não são elegantes apenas pelas roupas que vestem, pelos preços pagos nessas peças tão artisticamente valiosas ou pelo porte para a moda. Elas são elegantes pelo temperamento, pelo comportamento, a forma de ser, falar, etc. Daí, quando uma mulher é realmente elegante, ela conhece as regras e pode, de forma muito charmosa, violar cada uma dessas regras sociais, dando outro tipo de show, que não apenas confirma sua posição e status, mas, nos fascina e marca a força de mudança de seu estilo, encorajando-nos à moda.
        Estamos chegando nessa onda da primavera e do verão e as propostas mais luxuosas vindas da alta costura de Paris, englobam uma sucessão de fragilidades rosadas, quase em pó, com suaves cromados, como podemos ver nas coleções de Karl Lagerfeld para Chanel, por exemplo, enquanto as grifes mais simples, de construção do prêt-à-porter, desfilam em Nova York com cores brilhantes e fluorescentes, quase como vitaminas, e todo mundo sabe e toma essas cápsulas vitaminadas que acompanham todo café da manhã. Como a gente se identifica com a moda, não é mesmo? Como é fácil seguir à risca uma linha de ofertas e aderir ao vestuário de mundo. Prada, Marc Jacobs, são dessas linhas cada vez mais copiadas para o povo.
        Mas… É hora de brilhar. Nisso, a luz também é uma questão estética para o dia e dá trabalho aos maquiadores, que, quase à beira da loucura, precisam manter uma pele brilhante que não reflita tanta luz, senão, basta um simples flash e a mulher aparentará 4 quilos mais gorda. Mas, será que o peso importa quando o assunto é elegância? Nunca as pessoas estiveram tão preocupadas com a moda, nunca copiaram tanto a moda desfilada nos grandes centros internacionais, nunca as pessoas foram tão medicadas para a beleza, magreza, palidez e equilíbrio psiquiátrico. Para quê? A loucura e as extravagâncias não saem de moda quando o assunto é ‘luxo’.
Eu sei que a loucura é fashion, mas, só quando há muito estilo e inteligência envolvidos. Tem coisa mais chique do que a loucura da Cornélia Vanderbilt, que chegou a ser internada e tudo? E a Séraphine de Senlis, com todo aquele talento artístico? A loucura pode ser muito útil para o fútil, mas, nem tudo que é fútil é esquecível, dispensável, ou ruim; tudo pode ser útil na moda, no nosso estilo, cotidiano, e na forma como banalizamos o que inicialmente nos incomoda para que possamos usar, falar, comprar. Como, então, você explicaria o estilo da Anna Piaggi, por exemplo, que ficou na história, apesar de parecer o Chapeleiro Maluco – o que muitos podem considerar uma crítica, mas eu vejo como elogio, pois gosto da personagem –, está lá, na lista das mulheres mais elegantes do mundo, junto a nomes como as nossas brasileiras Carmen Mayrink Veiga e Silvia Amélia de Waldner, por exemplo. A Anna Dello Russo é outro exemplo de exageros no mundo fashion, quase uma Lady Gaga na moda. Como você também explicaria a Carmen Mayrink Veiga, a mulher mais elegante do Brasil e uma das mais elegantes do mundo, posando de forma sensacional em cenário de luxo revirado, com vestidão de abafar, mostrando as pernas para as lentes do Miro? Isso é o máximo.
        Quando vemos um desfile comercial com ofertas absolutamente malucas, que jamais usaríamos, tenhamos qualquer que seja a reação, mesmo que os modelos e manequins pareçam ‘objetos desfilantes não-identificados’, temos de notar o caimento da roupa, o balançar dos tecidos e a criatividade na mistura de cores, texturas e estilos. Quanto mais maluca a moda pode parecer, e realmente pode ser, mais estará próxima do nosso cotidiano, mais será acessível e será menos chata.
        Além das áreas de sensualidade, com transparências, ou fotos publicitárias com nus febrilmente provocantes em anúncios de perfumes e roupas, a loucura criativa e apresentada é um jogo que funciona como uma nova linguagem que estimula nossa imaginação para que possamos arriscar e inovar, encorajar e revelar nosso estilo e nosso humor. Moda é possibilidade e, se você tem estilo, é uma expressão de arte muito além da técnica e estrutura, mas, também, na produção que só uma pessoa especial pode imprimir ao fashion.

domingo, 3 de agosto de 2014

Moda - Os “Dener” de José Gayegos


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - A gigante Avon realizou o 19º Prêmio Avon de Maquiagem recheado de qualidade em moda. Foram confeccionados e desfilados 10 vestidos que saíram dos croquis do homenageado Dener Pamplona de Abreu da melhor maneira, através do talento do chique José Gayegos, que foi amigo de Dener e trabalhou com ele. Exclusivos, os vestidos nos transportam para o nível de sofisticação da alta moda de Paris e, às vezes, referem-se à modernidade chique dos anos 1960 - que permanece atual -, pouco antes da mudança para o futurismo radical na moda de mundo. A coleção poderia ser apresentada na semana de alta costura de Paris, enquanto nomes como Raf Simons, por exemplo, preferem o minimalismo chato do prêt-à-porter novaiorquino para derrubar a Dior. O fato é que todos que gostamos de moda, que somos blogueiros ou grandes jornalistas do tema, clientes ou apenas curiosos, estamos impressionados com a beleza e com a dúvida sobre o que ainda mantém estacionada uma marca como a “Dener”, quando poderia estar sendo produzida e comercializada, mesmo para poucas ricas, sob o controle de Gayegos que, sucesso em sua coluna de moda no site Chic, honra o nome Dener de maneira corretíssima na proteção do trabalho feito pelo costureiro e na essência do que foi feito para o evento. São obras de arte atemporais e aristocráticas, algo raro na moda feita no Brasil, carimbando que o nosso luxo deve ser defendido centímetro por centímetro. Os vestidos foram desfilados por nomes famosos, como Luiza Brunet, que bronzeada, sexy e esvoaçante, rodopiava na passarela com um ar de Diane von Fürstenberg. Um sucesso. Gayegos não apenas deu a beleza da moda ao evento, ele conseguiu atrair atenções e elogios para a Avon, em meio ao turbilhão de campanhas contra o setor de produção de maquiagens da empresa, que usa animais em seus testes terríveis. Eu aplaudo de pé o José Gayegos, sua excelência em moda e os vestidos Dener, que ele tornou reais.

sábado, 26 de julho de 2014

Alta Costura - 50 anos de moda nas passarelas de hoje


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Dê uma olhada nessas 5 fotografias de moda. Mas, por favor, não tenha pressa… Não se assuste. Longe de ser uma preocupação, é ótima a constatação de que cada uma dessas fotografias poderia ter saído de um editorial de moda atual. Porém, pasme(!), são de 20 e 50 anos atrás!! O passado e a história são colaboradores essenciais para tudo, e isso deve ser rigorosamente respeitado. Há tantos livros explicando, repetida e exaustivamente, como estilistas, costureiros e criadores “revolucionaram” as convenções da imagem, da roupa e blá, blá, blá… Esse mesmo teatro da moda vestindo as cores da caricatura, da fantasia, que tem tudo menos sinceridade no que gera novos personagens, editoras de moda visualmente histéricas, consumidores obcecados em filas por uma bolsa, manequins desajustadas. Esperanças confusas, olhares perdidos, ingênuos, mascarados por uma falsa pose de entendimento, enquanto o que realmente interessa é mantido escondido no tempo. Não há nada de errado em ter muita consciência das coisas e os anos 1960, por exemplo, não estão nos agredindo. Eu gosto do passado, sem ele não haveria os magníficos quadros de Van Gogh; e até os mais moderninhos precisam respeitar o passado, com seus abstratos radicais dos anos 50. A verdade é que você precisa entender que me refiro aos anos 50 como passado assim como ao dia de ontem. Eu jamais usaria a expressão “ultrapassado” para descrever, ou mesmo xingar, qualquer coisa ou pessoa do mundo da moda ou da arte… Isso seria tão patético, mal-educado e cafona! E essa proximidade no tempo está presente também nas misturas entre as marcas: quando as fotos 04 e 05 - Pierre Balmain e Dior, respectivamente -, por exemplo, podem ser confundidas com roupas de coleções recentes da alta costura Chanel - que também repete roupa e produção já feitas pela própria maison, nas fotos 01 e 02. O que dizer, então, do “minimalismo” que está presente na coleção da alta costura Dior nesta temporada? Como é fácil para o Raf Simons ter acesso aos registros da marca, repetir a dose com um título de ficção científica - foto 03 - e ser aplaudido. É preciso que tenhamos uma visão realmente mais ampla da moda, para que os cenários nas salas de desfiles, com suas luzes e músicas, não deslumbrem nossa capacidade de entendimento, aceitação e surpresa diante da roupa. Será que isso nos faz entender melhor a “angústia” de Yves Saint Laurent a cada coleção?
01 - Chanel 1994;
02 - Chanel 1964;
03 - Dior 1964;
04 - Pierre Balmain 1964;
05 - Dior 1964.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Alta Costura - Dior e Chanel | outono/inverno 2014/15



Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Estamos em reta final para o fim dos tempos. Acho o máximo imaginar que estaremos na Era Messiânica muito em breve e que tudo isso que vivemos irá pelos ares. Nossas peles impecáveis, mantidas com terapia biomolecular e bons dermatologistas, nossos armários abarrotados de luxos que tanto custam aos nossos bolsos quanto a nossa falta de caridade, nunca mergulhamos tão fundo nos pecados dos excessos pelo nada. São nossos escudos contra a realidade. A moda, que tanto ajuda a esquecermos as barbaridades que acontecem a cada dia com todos os seres vivos, está envolvida em pura fumaça, espectros do passado que assombram as passarelas do presente como se fôssemos cada vez mais loucos a cada desfile, a cada elogio que fazemos ao que é mostrado. Mas, ainda há alguma cena autêntica no meio desse purgatório: ver a Suzy Menkes sentada fazendo suas anotações como boa jornalista que é, não se importando em cruzar as pernas e fazer um teatro como aquela coisa tão vazia que encarna a Anna Wintour durante eventos de moda. Eu não pensaria duas vezes antes de apontar para o talento da atriz Cássia Kis, quando vilã, como modelo perfeito do que deveria ser uma boa encenação de uma grande editora de moda… Então, voltamos à sala de desfile. Cerca de 45 graus à esquerda, no círculo da Dior, o toque brejeiro do Vogue Brasil. Sem falar nas atrizes com seus vestidos devidamente emprestados pelo Sidney Toledano, que, permita-me uma digressão, foi bem esperto em convidar a Laetitia Casta para a viagem da coleção passada da alta costura Dior até Hong Kong. A manequim, que foi uma das preferidas de Yves Saint Laurent, antes dele fechar a maison, também estava atual, usando um vestido da coleção retrasada, e posando ao lado dos ricos chineses em seu piso de milhares de pequenas lâmpadas LED. Enquanto a pose estava perfeita, Laetitia estava meio indecisa, perdida, entre o que viu e vestiu da alta costura e o que teve de elogiar dessa vez. Mas, agora é a vez de voltar ao tempo dentro da cabeça “moderna” do Raf Simons e imaginarmos uma Marie Antoinette astronauta, preparada para aparecer na Terra em meio aos terrores cometidos pela humanidade, e decolar novamente rumo ao Espaço Sideral, assim como decolam as vendas da Dior com a aceitação do chique imposto por essa nova alta costura que está cada vez mais pobre, porém, continua chique. Eu gostei dos primeiros vestidos armados, brancos, alguns com bordados e achei tudo realmente bem chique. Mas… Estou apenas sendo tolerante em meio ao caos na moda. Mulheres extremamente elegantes e mundialmente conhecidas no mundo da alta moda como Carmen Mayrink Veiga, Jacqueline de Ribes, Paloma Picasso, Bernadette Chirac e Bethy Lagardère, por exemplo, estão cada vez mais afastadas dessa “badalação” em torno de uma alta costura cada vez mais maluca. Bernadette Chirac ainda faz uma ponte ou outra entre os desfiles, mas, evita jornalistas e o descontentamento é muito aparente. Não é somente entre os convidados que as pontes entre os desfiles são erguidas, na comunicação de bastidores também. O ultimo vestido da Chanel mostra uma boa grampeada com a Dior. Eu gostei do último vestido e do toque barroco em alguns outros. Karl Lagerfeld está cada vez mais liso de tanto esforço em parecer simpático e bom vendedor diante da mesmice, é o dono da barraca vendendo a coxinha esquentada no microondas, é o repertório “café-requentado” do Roberto Carlos, vendido como novidade a cada apresentação. Entendo que essa comunicação valha a pena para Lagerfeld, que busca atualizar-se a cada dia, mesmo dando derrapadas terríveis como colocar tênis e pochete na coleção de alta costura passada da Chanel ou levar o supermercado à sala de desfiles da linha prêt-à-porter. Tudo tem de ter limite! Repetições visuais à parte, a coisa está tão feia e minimalista que eu não entendo como ainda não pegaram no pé do Elie Saab com aqueles vestidos espetaculares que ele faz. É, sem dúvida, o melhor da alta costura. Porém, infelizmente, a moda dele logo será considerada “over”.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

"Fashion" Justin Bieber


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Enquanto a imprensa se dedica a ver as polêmicas em torno de Justin Bieber, eu prefiro reparar em seu estilo. Eu gosto do estilo dele, mesmo no começo, quando ele dava aquele lance de cabeça para acertar a franja do cabelo. Aquilo de ajeitar a franja era realmente cool em meio aos gritos das fãs e os flashes. Fazer charme não é proibido, ainda mais quando há um bom objetivo comercial por trás do que uma celebridade faz. Mas, na moda, certas extrapoladas deveriam ser evitadas por parte dos designers, deixando que astros da música cumprissem esse papel de sedução. Quem lembra de Yves Saint Laurent nu num comercial dos anos 1970, ou das ousadias publicitárias de Tom Ford que, mesmo no exagero, conseguia guiar nossos olhares e aplausos na direção de suas peripécias? Numa adesão mais discreta, Alexander McQueen isolou-se de ser o alvo da sua coleção que propôs a cintura muito baixa, tão baixa que os pêlos pubianos das moças e rapazes afrontavam o espectador! Ah, como é divertido ver todas essas ousadias em meio às ofertas que nos vestiram e continuam nos vestindo, perfumando, incentivando… Isso gerou muita coisa maluca no imaginário criativo de designers e consumidores de moda pelo mundo todo, até mesmo Marc Jacobs que, não com a classe e o charme de YSL e Ford, timidamente exibiu seus pêlos pubianos ligeira e devidamente acomodados por trás de uma bolsa Louis Vuitton. São tantos exemplos! Eu também poderia citar os vícios, as declarações polêmicas, as vomitadas em público. O que tudo isso tem realmente a ver com moda? A resposta é: O comercio. Oh! A Suzy Menkes elogiou a Kim Kardashian, vocês viram ou leram?! É preciso estar de olho. Você começa a ver que há muitos jovens com penteado igual ao do Justin Bieber pelos shopping-centers, enquanto compram roupas parecidas com as dele, ou pelas ruas, em turmas que compartilham do mesmo estilo tão popular na moda de mundo. E parem de pensar que isso tem alguma coisa a ver com sexualidade! Não somos tão provincianos assim. O grande jogador de bola Cristiano Ronaldo é um homem muito vaidoso e já mostrou que a depilação completa pode ser adotada por homens que fazem questão do estilo que exala testosterona com sua fama de namoradores que bebem cerveja enquanto assistem futebol. Além do mais, alguns rapazes passaram a notar que as garotas que gritavam pelo Justin Bieber, também poderiam dar-lhes uma chance se eles tivessem franjão, slim shape e cedessem à linha de vestuário usada pelo astro teen. Isso parece vazio para você? Para mim também, mas, a realidade e a atualidade nos mostra pessoas cada vez mais embebidas no desejo de provocar e conquistar através do exterior. Deixemos o lado interior para as terapias e remédios. Estamos mesmo inseridos nessa onda, nessa irmandade. Como somos mundanos! Exageramos na flexibilidade e fluidez que inebriam o rigor do luxo legítimo. Mas, às vezes, a pressa do novo se mistura com o chique verdadeiro e é assim que vejo essa fotografia do Justin Bieber. O cabelo perfeito, brincos fashion, bigodinho atrevido e o charme no olhar “medicado”. Isso é cool!

domingo, 27 de abril de 2014

Alta Costura - Raf Simons e Dior 2014



Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Há 10 anos, a alta costura Dior mostrou assombrosas Anubis com gigantescos vestidos dourados, bolsas e jóias, tudo bem incrementado numa viagem ao Antigo Egito. As mulheres mais elegantes do mundo ainda iam aos desfiles com algum entusiasmo e gastavam uma nota nas produções. Esse foi um dos desfiles de moda mais impressionantes de 2000 até hoje e olha que a inspiração já é bem batida… As músicas nas apresentações da moda criada por Galliano eram basicamente bregas, mas, funcionava. Assim como também funcionava a maquiagem pesada, e a desculpa do “teatro” e tal. A chegada de Raf Simons na Dior foi terrível; a forma como John Galliano foi chutado para fora, por uma infeliz declaração embebida em álcool, marcou a estada de Simons de forma que a presença de Galliano é notada a cada coleção - seja em nível tecnicamente comparativo ou puramente saudosista. A Dior não conseguirá livrar-se dessa marca e Simons está ferrado, literalmente, com o J.G., bem grande, na testa! As coleções de Raf Simons para a alta costura são tão bobas que você imagina estar vendo prêt-à-porter novaiorquino de qualidade e não alta costura. Moda é como culinária, você pode repetir muitas vezes uma única receita, mudando a apresentação, uma ou outra erva, uma fruta… A coisa pode continuar chique, mas, é batida, como o tema do Egito de 10 anos atrás, que Galliano acertou nas mudanças de tempero e apresentação. A coisa também pode ficar bem insossa, se bem que nunca esteve mais na moda a ausência de sal e de açúcar nas dietas mais bacanas do pedaço. Quanta misturada! Então, por pior que seja, a cada desfile, a Dior estilizada por Simons está bem alinhada dentro da arte que é exigida em cada peça de alta costura. Precisamos entender a moda de Simons apenas como um prêt-à-porter chique, mas, trazido para a alta costura, com elementos de luxo: a arte dos bordados e detalhes. Então você me pergunta: “Mas, isso não é suficiente para a moda?” Sim, para a moda, não para a alta costura. Eu separo alta costura de moda de mundo, pois, a maioria dos humanos vivem numa realidade muito diferente da clientela de alta costura desde que essa técnica é feita. O que nos atrai na alta costura é a expressão artística, única, que cada roupa tem. Apesar da arte dos bordados, o resultado visual, causado pela base usada por Simons não tem nada de exclusivo. E esqueçamos o que Karl Lagerfeld disse sobre a alta costura “não tem nada a ver com arte”. Assim como Galliano, Lagerfeld também tem suas infelizes “declarações”. Claro que alta costura tem a ver com arte, senão eu não me interessaria, ou, sendo mais direto, a própria família dona da Chanel não teria comprado todas as casas de bordados famosas de Paris. Mas… Voltando a falar da Dior, os executivos que levaram Simons para a casa de moda devem ser terrivelmente ignorantes em moda ou muito orgulhosos, só isso explicaria a flutuação diante do resultado visualmente chique, sim, mas, desinteressante, enquanto a pose de que “está tudo jóia” se mantém. Algumas coisas devem ser admitidas: Raf Simons na Dior está destruindo a marca. Claro que deve haver muito orgulho, mas, também, muita burrice da casa, que poderia ter convidado Christian Lacroix para o cargo. O que as chiques Carmen Mayrink Veiga, Suzy Menkes e Valerie Steele dirão sobre esse novo ritmo da alta costura cada vez mais aliada a elementos modernos como tecidos tecnológicos e minimalismo visual? Vamos aguardar.