sábado, 26 de julho de 2014

Alta Costura - 50 anos de moda nas passarelas de hoje


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Dê uma olhada nessas 5 fotografias de moda. Mas, por favor, não tenha pressa… Não se assuste. Longe de ser uma preocupação, é ótima a constatação de que cada uma dessas fotografias poderia ter saído de um editorial de moda atual. Porém, pasme(!), são de 20 e 50 anos atrás!! O passado e a história são colaboradores essenciais para tudo, e isso deve ser rigorosamente respeitado. Há tantos livros explicando, repetida e exaustivamente, como estilistas, costureiros e criadores “revolucionaram” as convenções da imagem, da roupa e blá, blá, blá… Esse mesmo teatro da moda vestindo as cores da caricatura, da fantasia, que tem tudo menos sinceridade no que gera novos personagens, editoras de moda visualmente histéricas, consumidores obcecados em filas por uma bolsa, manequins desajustadas. Esperanças confusas, olhares perdidos, ingênuos, mascarados por uma falsa pose de entendimento, enquanto o que realmente interessa é mantido escondido no tempo. Não há nada de errado em ter muita consciência das coisas e os anos 1960, por exemplo, não estão nos agredindo. Eu gosto do passado, sem ele não haveria os magníficos quadros de Van Gogh; e até os mais moderninhos precisam respeitar o passado, com seus abstratos radicais dos anos 50. A verdade é que você precisa entender que me refiro aos anos 50 como passado assim como ao dia de ontem. Eu jamais usaria a expressão “ultrapassado” para descrever, ou mesmo xingar, qualquer coisa ou pessoa do mundo da moda ou da arte… Isso seria tão patético, mal-educado e cafona! E essa proximidade no tempo está presente também nas misturas entre as marcas: quando as fotos 04 e 05 - Pierre Balmain e Dior, respectivamente -, por exemplo, podem ser confundidas com roupas de coleções recentes da alta costura Chanel - que também repete roupa e produção já feitas pela própria maison, nas fotos 01 e 02. O que dizer, então, do “minimalismo” que está presente na coleção da alta costura Dior nesta temporada? Como é fácil para o Raf Simons ter acesso aos registros da marca, repetir a dose com um título de ficção científica - foto 03 - e ser aplaudido. É preciso que tenhamos uma visão realmente mais ampla da moda, para que os cenários nas salas de desfiles, com suas luzes e músicas, não deslumbrem nossa capacidade de entendimento, aceitação e surpresa diante da roupa. Será que isso nos faz entender melhor a “angústia” de Yves Saint Laurent a cada coleção?
01 - Chanel 1994;
02 - Chanel 1964;
03 - Dior 1964;
04 - Pierre Balmain 1964;
05 - Dior 1964.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Alta Costura - Dior e Chanel | outono/inverno 2014/15



Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Estamos em reta final para o fim dos tempos. Acho o máximo imaginar que estaremos na Era Messiânica muito em breve e que tudo isso que vivemos irá pelos ares. Nossas peles impecáveis, mantidas com terapia biomolecular e bons dermatologistas, nossos armários abarrotados de luxos que tanto custam aos nossos bolsos quanto a nossa falta de caridade, nunca mergulhamos tão fundo nos pecados dos excessos pelo nada. São nossos escudos contra a realidade. A moda, que tanto ajuda a esquecermos as barbaridades que acontecem a cada dia com todos os seres vivos, está envolvida em pura fumaça, espectros do passado que assombram as passarelas do presente como se fôssemos cada vez mais loucos a cada desfile, a cada elogio que fazemos ao que é mostrado. Mas, ainda há alguma cena autêntica no meio desse purgatório: ver a Suzy Menkes sentada fazendo suas anotações como boa jornalista que é, não se importando em cruzar as pernas e fazer um teatro como aquela coisa tão vazia que encarna a Anna Wintour durante eventos de moda. Eu não pensaria duas vezes antes de apontar para o talento da atriz Cássia Kis, quando vilã, como modelo perfeito do que deveria ser uma boa encenação de uma grande editora de moda… Então, voltamos à sala de desfile. Cerca de 45 graus à esquerda, no círculo da Dior, o toque brejeiro do Vogue Brasil. Sem falar nas atrizes com seus vestidos devidamente emprestados pelo Sidney Toledano, que, permita-me uma digressão, foi bem esperto em convidar a Laetitia Casta para a viagem da coleção passada da alta costura Dior até Hong Kong. A manequim, que foi uma das preferidas de Yves Saint Laurent, antes dele fechar a maison, também estava atual, usando um vestido da coleção retrasada, e posando ao lado dos ricos chineses em seu piso de milhares de pequenas lâmpadas LED. Enquanto a pose estava perfeita, Laetitia estava meio indecisa, perdida, entre o que viu e vestiu da alta costura e o que teve de elogiar dessa vez. Mas, agora é a vez de voltar ao tempo dentro da cabeça “moderna” do Raf Simons e imaginarmos uma Marie Antoinette astronauta, preparada para aparecer na Terra em meio aos terrores cometidos pela humanidade, e decolar novamente rumo ao Espaço Sideral, assim como decolam as vendas da Dior com a aceitação do chique imposto por essa nova alta costura que está cada vez mais pobre, porém, continua chique. Eu gostei dos primeiros vestidos armados, brancos, alguns com bordados e achei tudo realmente bem chique. Mas… Estou apenas sendo tolerante em meio ao caos na moda. Mulheres extremamente elegantes e mundialmente conhecidas no mundo da alta moda como Carmen Mayrink Veiga, Jacqueline de Ribes, Paloma Picasso, Bernadette Chirac e Bethy Lagardère, por exemplo, estão cada vez mais afastadas dessa “badalação” em torno de uma alta costura cada vez mais maluca. Bernadette Chirac ainda faz uma ponte ou outra entre os desfiles, mas, evita jornalistas e o descontentamento é muito aparente. Não é somente entre os convidados que as pontes entre os desfiles são erguidas, na comunicação de bastidores também. O ultimo vestido da Chanel mostra uma boa grampeada com a Dior. Eu gostei do último vestido e do toque barroco em alguns outros. Karl Lagerfeld está cada vez mais liso de tanto esforço em parecer simpático e bom vendedor diante da mesmice, é o dono da barraca vendendo a coxinha esquentada no microondas, é o repertório “café-requentado” do Roberto Carlos, vendido como novidade a cada apresentação. Entendo que essa comunicação valha a pena para Lagerfeld, que busca atualizar-se a cada dia, mesmo dando derrapadas terríveis como colocar tênis e pochete na coleção de alta costura passada da Chanel ou levar o supermercado à sala de desfiles da linha prêt-à-porter. Tudo tem de ter limite! Repetições visuais à parte, a coisa está tão feia e minimalista que eu não entendo como ainda não pegaram no pé do Elie Saab com aqueles vestidos espetaculares que ele faz. É, sem dúvida, o melhor da alta costura. Porém, infelizmente, a moda dele logo será considerada “over”.