sábado, 6 de abril de 2013

Moda - Tom Ford e o Latão‏

Quando Tom Ford estilizou a Yves Saint Laurent, ele assistia a apresentação das roupas recém-confeccionadas e, com uma tesoura, fazia uma fenda, diminuía uma alça e fazia cortes estranhos, mas, que davam uma atrevida e moderna funcionalidade in à roupa. O trabalho dele é excelente, não entendo como não o chamaram para estilizar a alta costura Dior. Os donos das marcas querem vender e quase não há outro fashion designer como Tom Ford, que conseguiu reergue a Gucci. Não precisaria dizer mais nada numa reunião. Ele sabe trabalhar com luxo. A relação de um criador, estilista ou costureiro com a moda deve ser como a de pais e filhos. É preciso haver coerência entre pensamento, o que se diz e o que se faz. Eu estou falando de dar o exemplo e, a partir daí, vem o resultado de tudo, com valores mantidos e construídos, e isso é qualidade. Eu não consigo imaginar o Tom Ford usando os mesmos elementos que Karl Lagerfeld usa como marketing pessoal, por exemplo; aquela máscara toda, os óculos, as luvas, os acessórios que o tornam personagem distante do que realmente poderíamos conhecer dele. Basicamente, isso nada tem a ver com a moda que ele faz, mas, deslumbra jornalistas que recusam a mesmice das coleções, tudo quase sempre menos interessante e curioso do que o escudo de Lagerfeld. Encenar um papel não deve ser fácil. Tom Ford é sofisticado, sem elementos artisticamente dramáticos. Yves Saint Laurent não escondia a angústia que sentia em criar moda. Tom Ford não se enquadra nos que forçam a barra, nem nos que demonstram suas fraquezas, ele apenas faz o que gosta e, por isso mesmo, até um vestido é como se fosse para ele usar, porque, reflete seu estilo. Quem lembra das roupas que Alexander McQueen fez? Tinha disso. Eu acho inteligente, mesmo quando, às vezes, não tem 'bom gosto', pois, não interessa, é bom para ele e, se não é usável, chama consumidores de itens mais acessíveis. No mais, voltando ao Ford, seu estilo, aparentemente clean, pode parecer linear demais para notar apenas um anel como acessório. É aí que entra o detalhe do complemento de sua assinatura, a marca: seja um latão ou um golconda, a roupa já valorizou tudo.

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