segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Carnaval - Os Segredos Percebidos Entre Plumas e Paetês



Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Muitos dizem que no carnaval não há segredos, que tudo pode ser revelado e ficará preso no tempo. Não passa de mais uma fantasia. Eu nunca gostei de carnaval, sempre pareceu ser uma coisa meio fora de controle: a sujeirada toda com farinha e ovos pelas ruas, pessoas suadas, a ideia do sexo livre, fantasias que dão medo - dependendo da movimentação de quem as veste. Eu não gosto disso, mas, não critico quem gosta. Se eu gostasse estaria no meio, claro. Eu via, quando era criança, os desfiles de fantasias pela televisão. Aquilo sim parecia estar num nível que segurava o carnaval numa posição de beleza. Ainda deve haver hoje em dia, mas, eu não vejo mais, mudaram personagens e o nudismo tomou conta. Tem também o baile do Copacabana Palace e o baile do Vogue - a revista -, que são noticiados e tal; mas, são coisas tão decadentes, aquelas pessoas fantasiadas tirando fotos juntas, jurando que são amigas; fingindo que são "elegantes", "privilegiadas",  e fica nisso... Nesse clima de "alegria" fabricada, há colunista passando a perna na editora-chefe que logo perderá seu cargo para ele. Eu sei que carnaval é uma festa para fantasiar coisas, mas, há quem leva a sério em meio aos tiros cruzados entre fantasias e realidade. Num convite para bailes desse tipo - seja dado ou vendido - deveria vir impresso: "Você está sendo convidado(a) para ser agradável". Há pessoas que vivem o carnaval 24hs por dia, de forma saudável, com "alegria" autêntica ou abastecida com remédio e podem tornar o carnaval, que é uma festa gráfica, num momento artístico, quando quem assina o instante é um grande fotógrafo. Quando vejo fotos do Clóvis Bornay nos carnavais, fica claro como ele se sentia realizado naqueles desfiles, mostrando as fantasias que usava e tal, ele passava uma energia muito boa do carnaval, pelo carnaval e para o carnaval. Já suas fotos noutras épocas do ano, como também as do Joãsinho Trinta, pareciam de quem sempre estaria esperando aquele momento do ano voltar... Ele não forçava a barra, era como alguém que tinha uma tarefa a cumprir - e o fazia bem. A Elke Maravilha é um exemplo de fantasias e alegria o ano todo, é como se fosse a tarefa de vida dela e isso é ótimo, eu simpatizo bastante com o jeito dela, com a boa energia dela. Cada um de nós tem uma tarefa na vida. Mas, em meio as fantasias do carnaval, há pessoas que buscam um reconhecimento, como se uma fantasia dourada lhe fizesse parecer "rico", ou uma fotografia com uma celebridade garantisse a fama de ser bem relacionado(a)... São somente as fantasias do carnaval. Não há mais como misturar carnaval com elegância hoje em dia. As pessoas elegantes do Brasil são muito específicas, além de belo porte e história reconhecidos por gerações, têm sobrenomes poderosos e já têm netos. Os netos, na maior parte, ainda estão abaixo dos 30 anos e seguem uma linha discreta, que pode ser uma escolha ou culpa do mundo mesmo. Uma vez eu ouvi o Ronaldo Esper falando numa entrevista, sobre um baile de carnaval no Municipal do Rio, enquanto mostrava uma foto ao lado do costureiro Valentino, num camarim repleto de nomes fortes, que "até a Carmen Mayrink Veiga estava lá!" Ele queria dizer que os tempos eram outros. Mas, ele falou sobre o momento, ele não quis parecer amigo de ninguém. Você sabe que o Valentino fez o vestido de noiva da Daniela Cicarelli, quando ela se casou com o Ronaldo Fenômeno? Pois é... Aposto que ela tem uma foto abraçada com o costureiro italiano; mas, isso não é garantia de nada, é somente carnaval fora de época. Valentino também posou ao lado de Kim Kardashian várias vezes e até a recebeu para um almoço; ele deve gostar do alvoroço que a americana causa quando chega aos lugares. É tudo vaidade, fantasia, carnaval fora de época. Se Kim Kardashian não fosse famosa e rica, o nível de "amizade" não seria o mesmo, desculpe-me dizer. O que dizer de Karl Lagerfeld envolvido em toda aquela encenação em que vive, coberto de grifes, enquanto sua irmã verdadeira é uma pessoa comum que se orgulha do sucesso do irmão enquanto, vestida num sweater velho, afirma que jamais usou nada que Lagerfeld fez... Ela nem precisaria afirmar nada, coitada, já estava na cara. Uma vez li que até posto de 'rainha de bateria' é negociado, vendido... Poxa! Há muito carnaval fora de época por aí. Os preço são altos e a realidade não aceita mais nenhum desaforo, nem quando está afundada em plumas e paetês, porque, o joio não se confunde mais com trigo. Feliz carnaval.

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