quarta-feira, 8 de julho de 2015

ALTA COSTURA - O Luxo Ainda Está Aqui - Chanel


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Eu gostei da apresentação do desfile da Chanel, especialmente por ver mulheres tão chiques quanto a linda e glamourosa Lara Stone, Stella Tennant e Julianne Moore. Também estavam no cenário - um cassino no meio da sala - Lily Collins, as figuras fashion Kristen Stewart, G Dragon, Alice Dellal e a provocante Rita Ora, também Jemima Kirke, Lily-Rose Depp e sua mãe, Vanessa Paradis, e Geraldine Chaplin, filha do Charlie Chaplin. Havia mais pessoas, mas, eu conheci essas e ainda nem pensei nas fotos. Julianne Moore entrou acompanhada por Gabriel Day Lewis, usando um longo verde e um colar de estela com cauda, diamantes da alta joalheria Chanel que, visualmente falando, a Hebe Camargo já bateu para a contra-capa de seu CD "Pra Você", no final dos anos 90 - desculpe, eu não poderia deixar de lembrar. A intenção de casar esporte e luxo continua na cabeça de Karl Lagerfeld, apesar de que, felizmente, vimos meias e sapatos e não os terríveis tênis que quase fizeram estrondar raio e trovão sobre uma descartável coleção passada. O jogo na moda. A herança fashion, o clássico, pesa e embeleza sobre a intenção de Lagerfeld pelo "novo". A riqueza palpável, visual e viva dos bordados que, mesmo repetidos de outras coleções da Chanel, representam o patrimônio na mais bela tradição de luxo, circulando o belo black-tie das convidadas especiais, tentando seduzi-las, orientá-las, sem nenhuma necessidade de uma outra dimensão fashion e transcendência. Como é bonito ver o verdadeiro luxo em cena, brilho ao inacessível que uma vez existiu; antes que os ricos se afastassem de tanta badalação desnorteada da moda e das altas sociedades mundo afora, a beleza era puramente bruta no mais completo glamour, exatamente assim... Mas, as tentações para o fashion estão a solta e revelam-se enquanto vêm as manequins, trajando as ideias de Lagerfeld - que quase parece confortável em sua desistência do passado, quando escolhe concentrar-se em seus "jovens desfilantes" e fotografados, sonhados - rondando as donas do dinheiro, da medida certa para o luxo. O nível da Chanel decolou às nuvens com o glamour da cena do cassino, vislumbrando diversão solitária, fraquezas, caças, grandes espaços, tudo isso e muito mais dentro de longos vestidos e jóias, tudo bem caro, duma época que não havia escassez de mulheres com tanto porte para o belo. No entanto, nos últimos anos, através das mudanças do mundo, a moda perdeu espaço para a apelação pela nudez, a pele. Então, Lagerfeld rende-se ao belo enquanto avisa "ei, ei, vocês podem usar isso aqui também!" Jogando longe a terrível bruxa que o luxo se transformou e atraindo a princesa, bonita, que ele reserva para os sonhos de que tudo que era belo ainda pode estar presente, apesar da obrigação de lançar diferenças e ousadias numa atualidade que cheira somente a trabalho e não a prazer.



segunda-feira, 6 de julho de 2015

ALTA COSTURA - Pobre Mulher Rica - Dior


Jamill Barbosa Ferreira - @JAMILLISSIMO - Não quero mais ser pessimista com relação a Raf Simons na Dior, é melhor entender e aceitar toda a base técnica da construção da roupa que ele cria para a marca: os tecidos, a inspiração, a interpretação... A alta costura continua sendo uma expressão artística e mesmo que o artista não seja bom o suficiente para alguém, ele continua criando a partir de seu conhecimento do tema de cada coleção. Se vai vender, não sei... Mas, a limonada está servida. Diferente de qualquer outro tipo de cliente que é abastecido pelo modismo, pelas tendências e influências, as clientes da alta costura compram apenas o que elas gostam. Talvez, a situação econômica dentro da cápsula do alto luxo da Dior não seja muito boa. Há poucas clientes de alta costura no mundo e pela cara do Sidney Toledano, enquanto as manequins mostravam a nova coleção, os resultados não estão bons e nem vão melhorar nos próximos 6 meses, mesmo que eles enfiem a alta costura em apresentações na Ásia. Mas, como é preciso manter o orgulho, isso representa mais limões... Ainda bem que a Dior convida artistas de Hollywood para fazer "decolar" sua alta costura - uma moda que jamais deveria descer, por ser o que existe de mais top em matéria de roupas. As celebridades de hoje em dia, na grande maioria, preferem vestir o vestido que vem com um cheque, do que simplesmente o que gostam. Então, essas artistas usam alta costura e incentivam seus fãs a comprarem tudo que a marca oferece de mais acessível e logo o cheque é coberto e transforma-se em lucro vindo de outros setores. Mas, a velocidade de vendas da alta costura em si não é a mesma do prêt-à-porter ou dos demais artigos que compõem esses 'outros setores'. Enquanto a limonada está sendo feita para que nada seja realmente perdido numa ou noutra área, é triste ver como saiu caro para todo mundo aquela cachaça do John Galliano. Mais triste ainda é ver como estão cada vez mais pobres as ricas clientes da alta costura.